Posts TaggedSistema Nacional de Inovação
Open Innovation e as Leis de Inovação no Brasil
por Rafael Levy
A OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) acaba de lançar uma publicação intitulada “Open Innovation in Global Networks”. Este estudo apresenta os resultados das pesquisas da OCDE iniciadas em 2005 sobre Globalização e Open Innovation. O trabalho traz uma análise da inovação aberta e das redes globais de inovação, além de pesquisas trazendo dados empíricos e uma série de casos de Open Innovation nos países da OCDE. Finalmente, o estudo conclui com uma discussão do impacto da inovação aberta nas políticas públicas e nos Sistemas Nacionais de Inovação.
Nesta última quinta-feira estive no evento de comemoração dos 5 anos da Inova, a agência de inovação tecnológica da Unicamp. Neste evento, o professor Carlos Américo Pacheco, do Instituto de Economia da Unicamp, um dos grandes responsáveis pela Lei Paulista de Inovação, citou alguns dados publicados nestas pesquisas da OCDE mostrando como há uma tendência mundial para a utilização de fontes de inovação externas às empresas. Segundo o prof. Pacheco, tanto a Lei de Inovação Federal como a Lei Paulista de Inovação foram criadas considerando a tendência mundial de adoção de práticas de Open Innovation pelas empresas, visando fomentar principalmente as parcerias público-privadas no processo de inovação.
2 comments 21/10/2008
Nicolsky fala sobre políticas públicas
Nesse vídeo, Roberto Nicolsky, diretor geral da Protec, fala sobre a importância que a mobilização do setor produtivo representa para que se alcance políticas públicas que promovam um ambiente de inovação no país. Segundo Nicolsky, é preciso observar como se deu o desenvolvimento em países como Japão, China e Índia, que através de políticas públicas alcançaram benefícios para a inovação.
” A política desses países foi baseada em mecanismos políticos e complementares, basicamente no compartilhamento de risco. Ou seja, com o governo representando a sociedade”, pontua.
*16/06/08 – Open Innovation Seminar
Mais vídeos do Open Innovation Seminar no Allagi Open Innovation channel
Add comment 20/08/2008
Yes, nós temos a Amazônia. E muitas coisas mais.
por Sabine Righetti
Resolvi fazer a minha estréia no blog com um assunto que tem chamado a minha atenção: a dispersão do desenvolvimento da ciência, tecnologia e inovação (C,T&I) para além do eixo centro-sudeste. Aproveitando o gancho da participação da Allagi no seminário “Rede pública de comunicação da Amazônia: proposta de integração em ciência, tecnologia e inovação”, que será promovido pela Fundação de Amparo à Pesquisa no Estado do Pará (FAPESPA) no início de setembro e contará com o Bruno Rondani como conferencista principal, resolvi falar da inserção de C,T&I nas agendas políticas dos estados da região Norte do país (Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima, Acre, Amapá e Tocantins).
É verdade que na região Norte prevalecem o que nos resta de zonas selvagens (silvestres), a maior floresta tropical do mundo e boa parte, de acordo com a FUNAI, dos 460 mil índios brasileiros que se distribuem em 225 sociedades indígenas – além de aproximadamente 55 grupos de índios isolados (sem contato com demais culturas).
Mas não é “só” isso.
Os estados do Amazonas e do Pará, em especial, já contam com um significativo desenvolvimento industrial – vida a zona franca de Manaus, que concentra boa parte da produção de eletro-eletrônicos (como televisores) do país. A região Norte, de acordo com um estudo encomendado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) ao Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional (CEDEPLAR/UFMG) teve um crescimento industrial significativo. Em 1970, o Norte do país tinha uma participação de 0,8% no total do chamado valor de transformação industrial (VTI). Em 2004, esse número era 4,9%, concentrando-se, principalmente, nos estados do Amazonas (3,6%) e Pará (1,1%) (para ler mais sobre o assunto, acesso uma matéria minha publicada na revista Inovação: Estudo mostra mudanças na distribuição regional da indústria).
É preciso lembrar que a institucionalização da promoção de C,T&I é bastante recente no Norte. A própria FAPESPA foi criada em 2007, com foco no desenvolvimento regional. Ou seja: no ano passado. A Fundação de Amparo ao Estado do Amazonas (FAPEAM) surgiu pouco antes, em 2002, e hoje já conta com programas específicos de apoio à inovação tecnológica e à divulgação científica. A institucionalização dessas FAPs impulsiona a criação de outras: a FAPESPA tem participado, recentemente, de discussões para a criação de uma FAP para o Tocantins. É uma espécie de bola de neve – no sentido positivo da palavra, claro.
A FAPESPA e a FAPEAM são as únicas FAPs do Norte. Mas não é só de FAPs que se faz C,T&I: o Norte conta com universidades federais, estaduais e particulares. O Amapá, por exemplo, integra a Fundação de Apoio à Pesquisa e à Cultura, vinculada à Universidade Federal do Amapá (UNIFAP) e ao Estado do Amapá. E Roraima conta com a Fundação Estadual do Meio Ambiente, Ciência e Tecnologia de Roraima (FEMACT).
É preciso notar, ainda, que o desenvolvimento de C,T&I da região conta com especificidades que a diferenciam do resto do país, por exemplo, o foco na diversidade amazônica – que levou à criação do Centro de Biotecnologia da Amazônia (CBA), no âmbito do Programa Brasileiro de Ecologia Molecular para o Uso Sustentável da Biodiversidade da Amazônia, no âmbito do Governo Federal. Uma questão de soberania nacional?
Promover C,T&I no Norte é mais do que importante: é necessário. Não quero usar aqui a definição que Carl Sagan condena em “O Mundo Assombrado pelos Demônios” (1997): a ciência vista como uma luz no escuro, neutra e salvadora. Não digo que a promoção da C,T&I deve prevalecer, por exemplo, sobre o conhecimento tradicional, tão rico, de algumas culturas da região Norte. A ciência não é dona da verdade e não deve ser imposta a essas culturas. Mas acredito, sim, que o desenvolvimento da C,T&I é, também, uma forma de disseminar o conhecimento, a educação e, conseqüentemente, reduzir desigualdades sociais – tão latentes também na região Norte.
Yes, nós temos a Amazônia. E temos C,T&I na Amazônia. Ainda bem!
3 comments 19/08/2008
INPI, Finep e Fapesp na “rota do Open Innovation”
O Open Innovation Seminar 2008 contou com um grande apoio e interesse no modelo de inovação aberta manifestados pelos órgãos públicos envolvidos com o processo de inovação. Universidades públicas, Fapesp, FINEP e INPI estão considerando o Open Innovation como um modelo relevante para o Brasil, envolvendo empresas, institutos de pesquisa, governo e fundos de investimento.
Diversas notícias publicadas nas últimas semanas têm refletido esse interesse. Segundo o INPI, o “Brasil favorece a inovação aberta”, pois o cenário nacional (legislação, incentivos fiscais, universidades de qualidade e empresas dispostas a trabalhar em parceria) é propício para a adoção de práticas de Open Innovation.
A FINEP já se considera “na rota do Open Innovation”. Como citou Eduardo Costa, Diretor de Inovação da instituição, “existe um grande volume de capital para ser investido em inovação na FINEP. Precisamos de mais programas e idéias, como as que norteiam o Open Innovation”.
Para a Fapesp, a grande contribuição do Open Innovation é a criação de “Redes Inovativas”, destacando que as agências de fomento “têm como seus principais objetivos a promoção de parceria da universidade com o setor produtivo e facilitar as atividades de propriedade intelectual da universidade”.
Tudo isso tem conseqüências muito positivas. Esses efeitos mostram que as propostas de projetos colaborativos dentro do modelo do Open Innovation estão sendo bem vistas por essas agências e que as empresas que se estruturarem nesse sentido serão bem compreendidas.
Essa é mais uma vantagem do modelo desenhado por Henry Chesbrough: ele propõe uma terminologia e definições que permitem que certos conceitos tenham o mesmo entendimento por grande parte dos agentes envolvidos (empresas, universidades e governo), viabilizando e facilitando a criação de parcerias e relacionamentos tão necessários a um processo aberto de inovação.
1 comment 06/07/2008

