Posts TaggedRedes de Inovação

De “Open Innovation in Global Networks” para “Global Open Innovation Networks”

por Bruno Rondani

A alteração no nome do simpósio sobre open innovation organizados pela OCDE primeiramente em 2008 e recentemente em 2009 resume bem como progrediu o conceito dentro da organização.

Em 2008 o simpósio foi anunciado da seguinte forma:

OECD Business Symposium on Open Innovation in Global Networks, Copenhagen, 25-26 February 2008

Em 2009, mudou para:

Symposium on Global Open Innovation Networks, Paris, 23 January 2009

Essa aparentemente sutil alteração reflete bem como o conceito de open innovation está cada vez mais ganhando credibilidade entre os formuladores de políticas públicas. Pesquisadores da OCDE reconhecem a crescente influência que o fenômeno denominado open innovation tem exercido no modo como as empresas inovam.

Tive a oportunidade de participar semana passada do simpósio realizado na sede da OCDE em Paris e aproveito este espaço para compartilhar com os colegas algumas das principais idéias discutidas no evento e as suas implicações para o Brasil.

Rapidamente, descrevo como foi o formato do evento. Em breve, o material apresentado deve estar disponível para download no website da OCDE. Para os mais apressados, tenho todo o material impresso e coloco a disposição para quem quiser tirar cópias.

Basicamente, o evento reuniu cerca de 50 pessoas. Excluindo os palestrantes, em sua maioria o público era formado por representantes de grandes corporações européias com forte tradição em investimentos em P&D. Entre os palestrantes havia uma mistura equilibrada entre formuladores de políticas públicas, dirigentes de institutos de pesquisa, sócios de consultorias e diretores de P&D europeus.

O evento foi dividido em 4 sessões. Cada uma delas com um moderador e 4 palestrantes.

  1. A primeira sessão foi dedicada a apresentar a aplicação de open innovation em diferentes contextos (países, indústrias, tipo de inovação alvejada – incremental ou radical).
  2. A segunda sessão tratou especificamente de práticas de gestão de open innovation.
  3. A terceira sessão abordou exemplos de diferentes tipos de parcerias ao longo da cadeia de inovação, bem como as barreiras para  open innovation.
  4. A última sessão focou aspectos sobre políticas públicas e open innovation.

Apesar da organização dos temas em diferentes sessões, muito mais marcante foi a diferença do discurso entre os grupos em que se enquadrava cada um dos palestrantes.

  1. Os palestrantes que classifiquei como formuladores de políticas públicas (ou afins) são: Keon de Backer, Karen Maguire e Mario Cervantes da OCDE, Frédérique Sachwald do Ministério de Ensino Superior e Pesquisa da França, Thomas Durand da Ecole Centrale Paris e Thierry Weil da Ecole de Mines de Paris.
  2. Os dirigentes de institutos de pesquisa eram: Alain Guedon do Institut Pasteur, Laurent Kott do Inria Transfert e Lorenz Kaiser do Fraunhofer-Gesellschaft.
  3. Sócios de consultoria palestrantes eram Steffen Gackstatter da Monitor e Nicolas Sultan da ATKearney.
  4. Finalmente, representantes por parte das empresas foram: Erich Ruesche da IBM, Carlos Härtel da GE, René Rohrbeck da Deusche Telekom, Gary Donnan da Thomson e Dominique Pons da Alcatel-Thales.
  5. Havia ainda dois representantes de entidades público-privada: Emmanuel Leprince do Comité Richelieu e Sylvain Dorschner da System@tic, sobre as quais farei um comentário em separado.

Apesar da riqueza do debate e da diversidade das opiniões, alguns pontos fundamentais caracterizaram cada um dos grupos. De forma resumida, aponto as principais idéias comuns entre os membros de cada um dos grupos:

Grupo 1: Formuladores de políticas públicas e afins

  • Em geral, as diretrizes anteriormente definidas para os programas de políticas públicas dos países da OCDE visam à criação de ambientes ou ecossistemas mais propícios para a interação entre atores do processo de inovação. Essas diretrizes são totalmente compatíveis com o fenômeno de open innovation. Desta forma, é útil e necessário que se formulem políticas públicas para incentivar a disseminação de práticas de open innovation.
  • Open innovation e redes de inovação global são práticas totalmente aderentes. Estão cada vez mais integradas à medida que as empresas cada vez mais estão internacionalizando o seu P&D e abrindo o seu processo de inovação para parceiros externos. Desta forma, faz sentido que as nações estimulem a formação de redes globais para inovação e levam em consideração a abertura cada vez maior desse processo.
  • Uma modalidade cada vez mais comum e ainda muito pouco estudada de open innovation é o que está sendo denominado de corporate venturing. Grandes corporações estão elas mesmas criando fundos de venture capital, participando de fundos geridos por terceiros ou fazendo parcerias com empresas investidas por fundos de terceiros.
  • Foi destacado também o fato de que países com economias menores tem se demonstrado mais interessados em práticas de open innovation do que os países maiores. Por outro lado, são as empresas maiores que tem se interessado mais em open innovation do que empresas menores.

Grupo 2: Institutos de Pesquisa

  • Em essência esses institutos consideram que já fazem open innovation há anos. Muito antes de se falar sobre isso. Basicamente, o que a onda da open innovation trouxe para esses institutos é (1) o maior interesse por parte dos funcionários e investidores externos na criação de novas empresas a partir de pesquisas realizadas internamente e (2) o maior interesse por parte das empresas em co-financiar projetos de pesquisa, licenciar tecnologias desenvolvidas internamente e aumentar a flexibilidade dos formatos de remuneração do instituto no caso de sucesso das pesquisas (royalties, premiações, shared-revenues, equity).

Grupo 3: Sócios de consultorias

  • Acreditam que open innovation veio para ficar. Não é simplesmente uma moda, mas uma mudança cultural. Apesar disso, open innovation traz alguns desafios ainda não resolvidos como: a questão das métricas, a questão dos paradoxos que open innovation traz para as empresas.

Grupo 4: Representantes de grandes empresas

  • Open innovation é uma forma de levar o P&D mais próximo do usuário, ficar mais próximo da comunidade científica.
  • Open innovation é uma forma que as empresas encontraram para gerenciar o desconhecido (“manage the unknown”)
  • Open innovation deve ser considerado em diferentes contextos nas empresas: solucionar uma demanda específica, absorver uma nova tecnologia para a empresa, inovar na cadeia de valor.
  • Sobre comercializar tecnologias para fora da empresa, nenhuma das empresas mencionou casos.
  •  Sobre as dificuldades de trabalhar com open innovation os problemas citados foram: direitos sobre propriedade intelectual, exclusividade de exploração de tecnologias, certeza de formar parcerias ganha-ganha, alinhamento entre parceiros.

Gostaria de destacar a participação do Thomas Durand que além de professor da ECP é também consultor de empresas e do governo. As principais idéias de Durand são:

  • Open innovation não é novo de maneira nenhuma. Já falamos de NIH há muito tempo. Parcerias para co-desenvolvimento e todas as demais modalidades de open innovation são práticas antigas.
  • Não obstante, a meu ver, a verdadeira contribuição que open innovation traz é a questão da formação de redes que sistematizam o aproveitamento das idéias e tecnologias disponíveis.
  • Open innovation traz um paradoxo fundamental para a teoria da firma. A firma é necessária devido à hierarquia estabelecida que forma uma organização eficiente para explorar determinado processo. O mercado não é uma organização, não tem hierarquia definida e é aberto. A inovação é uma função da firma, que está sendo transferida para o mercado através das redes. Nesse sentido há uma tensão importante entre função da firma e do mercado que o gestor deve lidar.
  • Essa tensão leva a um segundo paradoxo fundamental: inovação tem uma função estratégica para a firma, por isso deve ser controlada pela firma e não pode estar disponível no mercado. Caso contrário não se trata de uma fonte de vantagem competitiva. Desta forma, as redes não podem ser de fato abertas.
  • Spin-offs é algo de fato pouco importante para as firmas, servem apenas para não deixar que projetos desalinhados com os interesses estratégicos da firma morram e as equipes responsáveis desanimem.
  • Open innovation é ótimo para os economistas. Eficiência de mercado, colaboração, compartilhamento de infra-estrutura, sinergia entre atores. Merece atenção especial e políticas públicas para estimulá-lo.
  • Já para administradores, open innovation traz alguns problemas mais sérios, exige muito mais prudência.  

Com relação ao Comité Richelieu e System@tic, iniciativas muito interessantes, vale comentar a importância que está sendo dada para a colaboração entre pequenas empresas e grandes corporações.

Add comment 29/01/2009

Open Innovation e o Sistema Nacional de Inovação

Iniciando agora o debate sobre o “Open Innovation e o Sistema Nacional de Inovação”. Visando aumentar a competitividade da indústria nacional, as políticas públicas têm focado cada vez mais na criação de mecanismos de incentivo e fomento à inovação. Exemplos desse esforço são: a recente criação da Lei de Inovação e da Lei do Bem, a multiplicação de programas de fomento e financiamento a projetos de inovação a partir de agências federais e estaduais, o incentivo à criação de parques tecnológicos e incentivos fiscais pelos municípios e a criação de núcleos de inovação tecnológica, incubadoras de empresas e escritórios de transferência de tecnologia nas universidades públicas. Observa-se nesses programas uma tendência coerente com o modelo de Open Innovation. Entretanto, faz-se necessário um aprofundamento do debate sobre a aplicabilidade dos conceitos do Open Innovation na formulação dessas políticas públicas.

Para debater como como o modelo de Open Innovation pode contribuir para a criação de programas públicos de incentivo e fomento à inovação, Rodrigo da Rocha Loures, presidente do Conselho Temático (CNI) e presidente da Federação das Indústrias do Paraná (FIEP), Roberto Nicolsky, diretor Geral da PROTEC, doutor em Física pela Universidade do Rio de Janeiro e atualmente professor adjunto da UFRJ, Maria Ângela do Rêgo Barros, presidente da Associação Nacional de Pesquisa, Desenvolvimento e Engenharia das Empresas Inovadoras (ANPEI) e gerente de Suporte Estratégico da Motorola Industrial e Instituto de Pesquisas Eldorado,Reginaldo Braga Arcuri, presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), entidade responsável pela articulação, promoção e execução da Política Industrial, Tecnológica e de Comércio Exterior do País.

1 comment 16/06/2008

Nova chamada Subvenção Econômica – Finep

Amanhã, 13 de maio, a Finep lançará a chamada 2008 de Subvenção Econômica. Nesta terceira edição do edital, assim como em 2007, estarão disponíveis R$ 450 milhões de recursos não-reembolsáveis para as empresas, sendo que no mínimo 40% serão destinados a pequenas empresas.

As áreas apoiadas serão: Tecnologias da Informação e Comunicação; Biotecnologia; Saúde; Programas Estratégicos; Energia e Desenvolvimento Social.

Em relação ao edital do ano passado, houve um aumento do valor mínimo de cada projeto, que agora será de R$ 1 milhão.

A boa notícia para as pequenas empresas é que a contrapartida exigida será menor do que em 2007, estando agora entre 5% e 20% do valor total do projeto, e não mais 25%.

Agora, as más notícias: parece que assim como no ano passado, a característica do edital mais criticada pelas empresas foi repetida: todos projetos submetidos deverão se encaixar dentro dos temas detalhados especificados pela Finep, não havendo temas gerais mais amplos.

Acreditamos que este ponto ainda possa ser corrijido nos próximos editais, visto que a definição de temas muito específicos deixa de fora muitos projetos inovadores com grande potencial.

Deixemos as empresas orientarem os temas. Afinal, são elas os motores de inovação e elas é que sabem onde devem investir.

Talvez a falta de consenso interno na Finep para qualificar um projeto como “inovador” os tenha levado a criar uma “pré-filtragem” que facilite a vida dos avaliadores.

De qualquer forma, nossa função não é criticar. Como dizia William George Ward: “O pessimista se queixa do vento. O otimista espera que ele mude. O realista ajusta as velas.”

Ajustemos, pois, as velas, e saibamos aproveitar dos incentivos disponíveis para viabilizar a inovação!

O edital completo da Finep, assim como os temas específicos, serão divulgados nesta terça-feira no site http://www.finep.gov.br/

Add comment 13/05/2008

Open Innovation e o Cenário Brasileiro – Criação de Programas de Inovação

Elaboramos uma apresentação para discussão do “Open Innovation”, que é o tema do nosso seminário no dia 16 de junho. Esta apresentação, visa apresentar os conceitos básicos de Open Innovation e dar uma visão geral do cenário brasileiro de inovação, através de dados atualizados. Nós proferimos esta palestra no PECE/USP no dia 7 de maio, sob patrocínio do curso de MBA de Gestão e Engenharia de Produtos, que é coordenado pelo Prof. Dr. Paulo Carlos Kaminski, da Engenharia Mecânica da Poli/USP.

Os slides de nossa apresentação podem ser vistos a seguir:

Nosso intuito com este material é iniciar a discussão sobre a aplicabilidade de modelos abertos de negócios na gestão de P&D de empresas brasileiras, para deixar o assunto “quente” para a vinda de Henry Chesbrough.

As inscrições para o seminário estão abertas e podem ser feitas no site http://www.openinnovationseminar.com.br/

6 comments 12/05/2008


Open Innovation Seminar 2010 – Participe!

Este blog…

reúne pessoas interessadas em trocar idéias sobre open innovation no Brasil. Comente, indique, cite e participe! Contato: claudio.mazolla@allagi.com.br

Allagi

Allagi é uma consultoria especializada em open innovation. "Allagi" vem do grego αλλαγή, que significa transformar, e alude ao conceito aristotélico de transformação de potência em ato. Transformação da pedra em escultura ou das idéias em valor econômico.

Allagi Twitter

Feeds

Digite seu endereço de e-mail para receber as atualizações deste blog.

Para reproduzir o conteúdo deste blog

Tags

Add new tag allagi colaboração Colaboração em rede crowdsourcing Cursos e Eventos empreendedorismo Empreendedorismo e Venture Capital evento Eventos FAPESP financiamento FINEP Gestão da Inovação google henry chesbrough incentivos fiscais innovación abierta innovation inovação inovação aberta INPI internet lei de inovação lei do bem network Notícias omnisys open business models openinnovation Open innovation open innovation seminar P&D parcerias patentes Políticas públicas propriedade intelectual Redes de Inovação Sistema Nacional de Inovação start-up tecnologia trabalhador do conhecimento user innovation venture capital webinar

Autores

Comentários

Arquivo

Bibliografia

Blogs

Casos

Centros, comunidades e associações

Cursos e Eventos

Definições

Estudos e relatórios

Ferramentas

Marketplaces, Portais de Seekers and Solvers e Crowdsourcing

Open innovation

Open innovation services

Políticas públicas

Portais

Programas e iniciativas

Seed Capital e Venture Capital

Seminários

Sistema Nacional de Inovação

Bookmark and Share