Posts Taggedpropriedade intelectual
Gestão da PI entre organizações em um modelo de inovação aberta
por Cláudio Mazzola
Nos últimos anos, as atividades de P&D vêm sendo consideradas cada vez menos como processos lineares e isolados e cada vez mais como sistemas complexos que envolvem parcerias entre agentes de naturezas distintas.
Para que essas parcerias sejam bem sucedidas, elas devem ser amparadas por uma abordagem clara da propriedade intelectual (PI). Sem uma boa gestão da PI, pode-se minar a vantagem competitiva para as partes.
No entanto, é comum no cenário nacional haver falta de conhecimento sobre a própria PI e seus processos de gestão, bem como ausência de clareza e de objetivo durante as negociações de desenvolvimento conjunto.
Nesse contexto se insere, oportunamente, a sessão técnica sobre gestão de PI do Open Innovation Seminar. O painel promete reunir profissionais e especialistas para trocar pontos de vista e experiências sobre a gestão da PI entre organizações em todas as etapas do projeto de inovação tecnológica (antes, durante e depois).
Add comment 24/09/2009
Inscrições para curso sobre open innovation no PECE-USP
por Verónica Savignano
Estão abertas até 24 de julho as inscrições para a segunda turma do curso de treinamento “Criação de programas de inovação: Open Innovation”, oferecido pelo PECE/USP.
O curso está dividido em nove módulos em que se abordarão temas do contexto de inovação aberta, como definições de P,D&I, como o Sistema Nacional de Inovação, Gestão da Inovação, Inteligência Competitiva, Licenciamento de Tecnologia, Propriedade Intelectual, Empreendedorismo e Venture Capital. O tema open innovation deve permear todos esses tópicos.
Os cursos do PECE costumam oferecer um conhecimento bastante prático aos seus alunos. Nesse contexto, este curso visa, na sua segunda edição, passar a experiência dos seus instrutores no aproveitamento de oportunidades de financiamento à inovação existentes no sistema brasileiro de inovação, sem abrir mão, porém, dos fundamentos teóricos da primeira versão do curso.
Outra novidade com relação à primeira edição é que agora o curso está inserido no MBA de Gestão de Desenvolvimento de Produtos do PECE como disciplina eletiva.
Mais informações, no site do curso.
Add comment 01/07/2009
PI para acelerar a inovação
por Verónica Savignano
A finalidade da Propriedade Intelectual (PI) é proteger o conhecimento? Não, diz Jorge Ávila, presidente do INPI. A proteção é um meio. O fim é promover a circulação do conhecimento.
Neste vídeo do canal Allagi Open Innovation no YouTube, filmado durante o Open Innovation Seminar 2008, Ávila fala sobre o papel da PI na inovação aberta: viabilizar parcerias para acelerar a inovação. Em vez de esconder a minha descoberta até ter condições de transformá-la em algo rentável, exemplifica Ávila, posso fazer parcerias e gerar renda mais rapidamente.
1 comment 15/04/2009
Inovação Aberta, Inteligência Competitiva e Propriedade Intelectual.
por Claudio Mazzola
O setor aeronáutico volta a ser assunto.
Recentemente, a inteligência competitiva da Boeing tomou conhecimento que a inteligência competitiva da Airbus elaborou um dossiê de 46 páginas sobre o status do desenvolvimento do 787 Dreamliner.
Trata-se de uma apresentação de 20 de Outubro de 2008 que analisa com um alto grau de detalhe quase todos os aspectos do programa Dreamliner como peso, motor, certificação, produção, bem como problemas enfrentados por sua concorrente.
“To my knowledge, there has never been a comprehensive analysis of an airliner like this,” disse o jornalista que publicou a reportagem. “It looks at every angle of the program, and analyzes it on a very granular level.”
A inteligência competitiva é uma prática habitual na indústria aeronáutica, mas a informação da análise da Airbus revela um alcance e especificidade dos dados coletados que levantam questões sobre os métodos e as fontes que o consórcio europeu utilizou para coletar seus dados
A Boeing entende que os dados vieram de sua cadeia global de fornecedores pois o documento cita até a insuspeita Spirit Aerosytems de fornecer informações. É claro que a Spirit alega não ter mínima idéia sobre como as informações foram passar nas mãos da Airbus.
Enfim, feito o estrago, o dossier da Airbus irá forçar a Boeing a re-examinar e tomar maior vigor com os acordos de confidencialidade junto à sua cadeia de fornecedores. Eis um cuidado ao se aventurar com inovação aberta.
Agora, para os olhos do público mais curioso, o documento consegue ir mais além.
No dossier há sete slides com informações rotuladas “Boeing Proprietary”. Dois (slides) são nitidamente um CTRL+C, CTRL+V de apresentações utilizadas naquela empresa.
Mas o que falar de desrespeito à PI alheia se o documento sutilmente aponta uma possível infração por parte da Boeing de uma patente da Airbus em um ponto problemático que é a junção da asa. Para quem não se lembra do post “Open Innovation na indústria aeronáutica” , a junção da asa-fuselagem rendeu alguns bons meses de atraso no programa.
Parece até uma provocação. Algo bem pensado e orientado.
Certamente, um belo trabalho de inteligência e um bom caso para advogados.
Mais informações
http://www.flightglobal.com/blogs/flightblogger/2008/12/exclusive-airbus-dreamliner-do.html
1 comment 18/12/2008
Uma Torre de Babel da inovação
por Verónica Savignano
Hoje quero indicar para vocês a leitura de mais um texto sobre políticas públicas e Open Innovation. Trata-se do relatório da Vision Era.Net intitulado Policies for Open Innovation: Theory, Framework and Cases. O estudo, realizado por pesquisadores dos Países Baixos, Bélgica (Flandres) e Estônia, com a participação de Henry Chesbrough, indagou a presença de políticas públicas para Open Innovation nesses países.
Antes de começar, curtam esta bela paisagem dos Países Baixos
Vamos agora aos resultados do estudo!
Nesses países, estão muito presentes as políticas para:
- incentivar o financiamento de pesquisa e tecnologia
- estimular a interação, de modo geral, e os clusters regionais, mais particularmente
- garantir o acesso ao financiamento para empreendedores
- difundir de maneira organizada o conhecimento científico
- estimular a concorrência
Estão razoavelmente presentes as políticas para:
- estimular a ação de intermediários, por exemplo, para gerenciar as redes de colaboração e a propriedade intelectual
- incentivar a criação e sobrevivência de novos empreendimentos, que dinamizam a economia e desafiam as empresas consolidadas a inovar mais
- oferecer financiamento à pesquisa, abundante e distribuído de acordo com critérios de excelência
- incentivar a educação em todos os níveis
- flexibilizar o mercado de trabalho em prol da mobilidade do trabalhador
Pouco presentes, as políticas para:
- apoiar sistemas de propriedade intelectual de alta qualidade
- desenvolver ambientes interativos, com informação e assessoria sobre colaboração, networking, empreendedorismo e gestão da propriedade intelectual
- educar para o empreendedorismo
- avaliar a distribuição do dinheiro público para pesquisa
- permitir a migração de trabalhadores, que deve ser vista como oportunidade em vez de ameaça
Nada ou quase nada presentes, as políticas para…
- incentivar standards industriais
- incentivar “user innovation“, considerando que os usuários são agentes de P&D muito mal representados nas estatísticas
- intensificar os mercados de tecnologia, criando, por exemplo, sistemas para cotar e licenciar a propriedade intelectual e para visualizar a oferta e a demanda
- estimular o empreendedorismo corporativo
Vale destacar para os nossos leitores acadêmicos que estudam estes temas que os autores do texto dão as seguintes sugestões para continuar a pesquisa por eles iniciada:
- pesquisas similares em outros países (why not Brazil!)
- estudos mais quantitativos, comparando quanto dinheiro é investido em cada linha de política pública
- estudos sobre a relação entre a globalização e a otimização da elaboração de políticas públicas: quais podem ser oferecidas pelas nações, quais em nível internacional, quais numa combinação de ambos os níveis
O relatório finaliza concluindo que Open Innovation pede adaptações das políticas públicas em um leque de áreas, que vão muito além da tradicional P&D, como mercado de trabalho e educação. Os autores advertem que é essencial identificar estruturas efetivas que permitam governar e integrar todas essas políticas para o desenvolvimento de Open Innovation.
Tomara que tal difícil missão não acabe como a Torre de Babel, representada nesta obra do artista flamengo Pieter Bruegel the Elder…
1 comment 28/11/2008
A crise, a oportunidade e a inovação
por Robert Wooley
Ultimamente uma pergunta ecoa entre meus colegas do setor de patentes: A crise americana (ou mundial) vai refletir nos processos de inovação tecnológica aqui no Brasil? Há um grande temor que a crise venha desencadear a redução de investimentos em inovações tecnológicas.
Não podemos afirmar qual o setor no Brasil que será mais impactado pela crise, mas é possível prever que os mais inovadores serão os menos afetados.
Semana passada, aconteceu em São Paulo a 2° ENIFarMed destinada à troca de informações e experiências sobre os processos de inovação tecnológica nas indústrias farmacêuticas nacionais.
Diante de tal crise mundial, e dentro do próprio setor farmacêutico mundial, existe um pânico em torno de uma interrupção de lançamentos de novos medicamentos “blockbusters” e a extinção das patentes dos atuais “blockbusters”.
O cenário da indústria farmacêutica nacional é dicotômico. Muitos entendem ser o momento ideal para a consolidação da indústria Farmacêutica Brasileira no mercado mundial, com lançamentos de novos cosméticos e medicamentos a partir de nossa biodiversidade.
Para outros, o momento é desfavorável, pois o setor está engessado pelas disputas administrativas entre o INPI e ANVISA na análise e concessão de patentes de medicamentos, e o atraso nas políticas de inovações e o baixo aproveitamento do potencial intelectual de nossos mestres e doutores, e temem que o país perca o momento oportuno.
Longe das questões políticas, as indústrias nacionais estão se movendo. Iniciativas como a criação da Incrementha PD&I, centro de pesquisa independente para o desenvolvimento de tecnologias patrocinado pela BioLab Sanus e Eurofarma como estratégias de mercado; o lançamento de medicamentos com inovações incrementais pela Cristália; a inauguração de nova planta pela Libbs são exemplos de maturidade de ação.
Essas modificações refletem diretamente na busca por profissionais. Surgem vagas para profissionais que, além do conhecimento técnico na área de engenharias, biotecnologia e farmo-química, tenham expertises em Propriedade Intelectual, Pesquisa Científica e Processo de inovação aberta.
Atualmente é menos importante ter equipes de alta performance mas sem entrosamento, do que ter profissionais menos especializados tecnicamente, mas com capacidade de reunir tecnologias, captar investimentos, analisar cenários, identificar oportunidades, e, principalmente, formar redes de inovação dentro e fora da empresa.
Sendo assim, independentemente da crise e da Política, as empresas farmacêuticas estão sabendo aproveitar as oportunidades ao investir em inovação tecnológica e buscar profissionais diferenciados.
Inovar não é ter um barco para enfrentar um dilúvio, mas ter leme no barco para que, quando as águas do dilúvio baixarem, seu barco repouse em solo fértil.
1 comment 20/11/2008
Inovação na China: é possível?
por Claudio Mazzola
É comum neste espaço alguns posts tratarem sobre a China. Motivos não faltam.
O post “O que realmente quer a China” cabe aqui confessar, foi uma tentativa um pouco confusa, porque pretensiosa em análise crítica, ao tentar convencer o leitor a encarar de forma mais cética toda publicidade sobre a maior nação em ascensão no mundo.
É inegável que em termos de escala, a produção científica, tecnológica e econômica chinesa bate qualquer país com menos de 1 bilhão de habitantes. Este vigor, porém, não pode ser encarado como sinônimo de um país vanguardista cujo pensamento competitivo está baseado na “destruição criativa”.
Rob Lewis em seu artigo Can open innovation save the West explica de uma forma mais clara e objetiva que embora na China exista um sistema de educação que favorece a ciência e a tecnologia, uma cultura que valorize a atividade econômica e um mercado em potencial não há nas ordens do dia uma agenda pró-inovação como, por exemplo, nos países ocidentais.
“Research and development isn’t the same as innovation but it’s terribly similar.”
Ele também ressalta que para um país estimular a inovação é necessário muito mais do que simplesmente proteger da propriedade intelectual, mas principalmente garantir o fluxo livre da informação.
Logo, tal ceticismo do post anterior quanto a importância da China “potência mundial” não provém somente da cultura generalizada em desrespeitar a propriedade intelectual alheia, mas principalmente porque há um controle excessivo do Partido no acesso e divulgação da informação. Ou seja, no primeiro caso o estado faz pouco caso. Já no segundo, atua de forma intensa. Uma contradição!
Resumindo: como o sistema político é comunista, a informação dificilmente estará “democratizada”. Assim, modelos de inovação como o open ficam praticamente inviáveis por lá.
Por outro lado,
“(…) open innovation could be the opportunity that Western economies are looking for when it comes to competing with the emerging East. It still has a way to go before it becomes standard practice here, but in countries like China, where state censorship of the internet is the norm, it’s inconceivable.
Quem sabe seja esta a pedra para os países desafiarem este Sansão asiático.
3 comments 23/10/2008

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