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Cases brasileiros de open innovation: Omnisys

por Verónica Savignano

“Se tem sinônimo para a Omnisys, é inovação”, disse Luiz Henriques no Open Innovation Seminar 2008. A empresa se destaca por trabalhar com conhecimento muito específico e diversificado para desenvolver soluções de eletrônica para tráfego aéreo, lançamento de foguetes, radares meteorológicos, satélites…  

Nestes vídeos, filmados no evento, Henriques conta como a open innovation se transformou no “caminho natural” para a Omnisys; como a empresa aproveita os recursos públicos para mitigar riscos, e como a Omnisys se tornou parceira de P&D de um grupo multinacional líder em sistemas de informação para defensa, segurança e indústria aeroespacial.  


Add comment 01/04/2009

Para Rondani, confiança é a base de qualquer parceria

A Gazeta Mercantil publicou, no dia 30 de julho, entrevista com o Bruno Rondani, consultor em open innovation. A seguir, os principais trechos:

São Paulo, 30 de Julho de 2008. Gazeta Mercantil. Por Flávio de Carvalho Serpa

O diretor da Allagi, consultoria especializada em inovação aberta, Bruno Rondani, vê grandes oportunidades para as micro, pequenas e médias empresas no sistema de inovação aberta. Tanto para se lançarem na criação, como para prestarem serviços às grandes empresas. O maior sucesso da Allagi foi assessorar o processo de inovação aberta na Omnisys, que começou em 1997 com apenas três sócios e hoje é uma empresa com faturamento anual de cerca de R$ 40 milhões e 220 funcionários.

Gazeta Mercantil – É caro ou difícil para as micros e pequenas empresas adotarem um modelo de inovação aberta?

É difícil para as grandes empresas se manterem inovadoras contando apenas com os recursos internos. Isso abre espaço para micros, pequenas e médias empresas participarem cada vez mais do processo de inovação de grandes empresas. Não se trata, portanto, de propor que pequenas empresas adotem para si o modelo de inovação aberta, mas entender as oportunidades que o modelo traz para que elas participem do processo de inovação das grandes empresas. É natural que, à medida que o modelo se dissemina e o paradigma da inovação aberta é mais adotado, pequenas e médias empresas passam a adotar nelas mesmas práticas de inovação aberta (parcerias com universidades, joint-ventures, consórcios e redes de inovação).

Gazeta Mercantil – Você já teve alguma experiência de instalar esse processo numa micro ou pequena empresa que possa relatar como foi, com problemas que apareceram e como foi bem sucedido?

Acredito que o caso de sucesso mais emblemático do modelo sendo aplicado em uma pequena empresa é o da Omnisys, que hoje pertence ao grupo francês Thales.A Omnisys nasceu em 1997 e até 2000 só tinha como cliente a antiga Elebra e não possuía funcionários, além dos três sócios fundadores. A partir do ano de 2001, quando a Elebra deixou o mercado, a Omnisys começou a prestar serviços diretamente aos clientes da sua antiga contratante. Em 2003 a Omnisys decidiu fazer uma joint-venture com um média empresa (Atech) para o desenvolvimento de um radar meteorológico. Nessa momento a Omnisys faturava cerca de R$ 5 milhões e possuía uma média de 30 funcionários. A fim de fazer a sua parte no desenvolvimento desse produto a Omnisys firmou parceria com o IPT e a Unicamp. Além disso, conseguiu recursos de fomento da Fapesp dentro do programa PIPE. Assim, a Omnisys estruturou as bases para o que hoje é seu centro de P&D e passou de uma empresa prestadora de serviços a uma fornecedora de equipamentos de alta tecnologia para o setor aeroespacial. Esse processo de desenvolvimento da Omnisys atraiu o gigante Grupo Thales (mais de 65 mil funcionários) que lhe propôs uma parceria para desenvolver em conjunto uma nova linha de radares. A Omnisys contava com 180 funcionários quando, em 2006, passou a integrar o Grupo Thales que comprou 51% das quotas da Omnisys e manteve seus fundadores na gestão da empresa. (…) Nesse processo a Omnisys, ao invés de se tornar uma filial para comercialização dos produtos franceses no Brasil, passou e ser uma parceira global de P&D do Grupo Thales e participa de projetos de inovação para outros países da América Latina, Ásia e, até mesmo, da Europa. Vale lembrar que a estratégia da Thales para competir com sua rival americana Raytheon é justamente fazer parcerias locais para aumentar sua penetração nesses mercados.

Gazeta Mercantil – Que vantagens as pequenas e médias têm sobre as grandes nesse processo?

As pequenas empresas são mais ágeis e menos observadas, portanto, podem atuar com mais liberdade. Com isso ganham tempo na articulação de parcerias. Por sua vez, as grandes empresas são consideradas mais atraentes. Nas universidades, por exemplo, qual pesquisador não prefere dizer que está fazendo uma parceria com uma grande empresa mundialmente conhecida em lugar de mencionar que é com uma micro, pequena ou média empresa?

Gazeta Mercantil – Que cuidados e empresa deve ter em termos de proteção da sua idéia para não ser roubada ou entrar numa fria?

A confiança é a base de qualquer parceria. Existe uma grande tendência das pessoas pensarem que serão roubadas se apresentarem suas idéias a terceiros. Concordo que é verdade que existe esse risco. Entretanto, não podemos basear parcerias na presunção de desconfiança. Onde há desconfiança não deve haver parceria, uma vez que esse é um grande indicador de que a parceria não dará certo.Portanto, os principais cuidados a serem tomados antes de iniciar uma parceria é verificar se existe relação de confiança entre as partes. Um documento que, em geral, recomendamos que seja assinado antes de qualquer contratação ou convênio entre as partes é um memorando de entendimento (MdE). Nesse memorando ficam estabelecidos os interesses de cada parte e como elas pretendem se relacionar. Pequenas empresas devem atuar com um pouco mais de reserva ao adotarem práticas de inovação aberta, pois podem facilmente perder a liderança de qualquer processo de articulação justamente por serem pequenas. Grandes empresas, ao contrário, quando adotam práticas de inovação aberta tendem a divulgar em larga escala seus programas como forma de atrair mais parceiros.

1 comment 04/08/2008


Open Innovation Seminar 2010 – Participe!

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Allagi é uma consultoria especializada em open innovation. "Allagi" vem do grego αλλαγή, que significa transformar, e alude ao conceito aristotélico de transformação de potência em ato. Transformação da pedra em escultura ou das idéias em valor econômico.

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