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Notícias, artigos, entrevistas e oportunidades de financiamento
por Verónica Savignano
Saiu a segunda edição do Boletim Inovação Aberta – newsletter bimestral do Centro de Open Innovation -Brasil.
Esta edição traz, entre outros conteúdos, a visão do diretor de Inovação e Novos Negócios da Telefonica, do diretor científico da Fapesp e do gerente de Estratégia Tecnológica da Petrobrás sobre os desafios dos projetos colaborativos de inovação. Os entrevistados apontam como os principais desafios a barreira cultural à colaboração, o bom entendimento entre as partes sobre objetivos, metodologia e expectativas e o estabelecimento de parcerias entre fornecedores e academia. Vejam as respostas completas deles.
Tem também na edição uma notícia sobre a participação do professor Henry Chesbrough no advisory board da Allagi, com palavras dele sobre a incipiente economia do conhecimento brasileira e sobre a rede de pessoas entusiasmadas com a inovação aberta que ele conheceu no Brasil. “Estamos criando uma rede de pesquisadores, executivos e formuladores de políticas públicas para traçar o percurso da open innovation no Brasil”, diz Chesbrough na notícia.
A seção Suíte de novembro descreve o caso do desenvolvimento do radar meteorológico da Omnisys e mostra como pequenas empresas brasileiras podem encontrar seus lugares nas redes mundiais de inovação aberta, apoiando-se em nossas ICTs e em nossas políticas de incentivo à inovação e fazendo parcerias com grandes empresas.
Também sobre redes mundiais de inovação é a oportunidade de financiamento destacada nesta edição do boletim. Trata-se da Chamada Oseo-Finep – um edital no mínimo interessante, que pode ser compreendido como incentivo à organização dessas redes envolvendo pequenas e médias empresas e seus parceiros.
Além disso, a newsletter traz uma cobertura geral do Open Innovation Seminar, com comentários dos organizadores, da empresa patrocinadora-participante Fosfertil e de Henry Chesbrough, e uma notícia sobre as iniciativas pró inovação da Agência USP. O coordenador do NIT da USP divide as ações em dois tipos: aquelas em que a agência responde a demandas das empresas (parcerias para co-desenvolvimento e o Portal i3 Open Innovation, recentemente lançado) e aquelas que surgem de avanços científicos e tecnológicos e do empreendedorismo dos grupos de pesquisa da universidade e da comunidade universitária como um todo (licenciamento de patentes, incubação de spin-offs e a Olimpíada USP de Inovação).
O boletim, finalmente, convida à leitura de algumas notícias sobre inovação aberta publicadas entre outubro e novembro em diversos veículos online e dos nove artigos acadêmicos da edição especial sobre PD&I aberta do periódico R&D Management. A resenha dos artigos mostra que a open innovation está se consolidando como tema de pesquisa (aparentemente, sem participação de acadêmicos brasileiros – ainda…).
Nesta edição de novembro do Boletim Inovação Aberta, a Allagi participou com patrocínio e colaboração.
Add comment 02/12/2009
Entrevista sobre Open Innovation divulgada pela FAPESPA
Na última terça-feira (dia 26/08) foi divulgada no site da Fundação de Âmparo à Pesquisa do Estado do Pará (FAPESPA) uma entrevista com o Bruno Rondani que antecipa algumas idéias a serem tratadas na conferência “O conceito Open Innovation e os novos paradigmas para investimentos em ciência e tecnologia na Amazônia”. A conferência faz parte das ações programadas para o dia 04 de setembro, data em que a Fundação comemora seu primeiro aniversário.
1. POR QUE A INOVAÇÃO ESTÁ NA ORDEM DO DIA?
O impacto positivo da inovação no desenvolvimento sócio-econômico e na competitividade das empresas é um fato amplamente reconhecido. Cada vez mais a inovação tem sido entendida como um fator que impulsiona o desenvolvimento da economia e das empresas. Quando uma empresa inova ela se distancia da concorrência em um primeiro momento, estabelecendo uma vantagem competitiva e gerando rendas superiores. Essas rendas superiores estimulam a concorrência a imitar ou aprimorar a inovação fazendo com que o processo inovativo funcione como um “motor” da economia. Desta forma, é natural que os países e empresas procurem entender cada vez mais como funciona esse processo. Estimular a inovação, a ponto de transformá-la em um processo sistemático, é pauta dos governos e das empresas.
Esse esforço é facilmente observável pela ampla difusão que o tema da inovação tem tido nos governos, na academia e na cultura empresarial. Os governos têm multiplicado programas de incentivo à inovação, a academia tem produzido cada vez mais pesquisa e literatura sobre o tema, bem como, ofertado mais e mais cursos dedicados à inovação. As empresas, por sua vez, têm investido cada vez mais em difundir a cultura da inovação entre seus colaboradores.
No Brasil o cenário para a inovação tem mudado bastante. A inovação entrou profundamente na pauta das políticas públicas e na estratégia empresarial das empresas. Os mecanismos de fomento e incentivo à inovação têm se multiplicado, o capital público e privado disponível para projetos de inovação tem crescido significativamente , as universidades estão cada vez mais estruturadas para transferir conhecimento e tecnologia para o setor privado, seja via licenciamento, seja via empreendedorismo através de suas incubadoras.
O termo inovação tem ganhado força em importantes discussões acadêmicas, como na reunião anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) que, aliás, será na região norte no ano que vem – em Manaus. Até pouco tempo atrás, falava-se em ciência e tecnologia na SBPC. Hoje se fala em ciência, tecnologia e inovação.
As empresas, por sua vez, têm criado gerencias, diretorias e até mesmo vice-presidências para gerir programas de inovação cada vez mais amplos, demonstrando que o tema está pouco a pouco se consolidando como um aspecto fundamental da estratégia empresarial.
2. O QUE É OPEN INOVATION?
Gosto de definir a Open Innovation como uma nova abordagem sobre como vemos o processo de inovação, ou seja, como um novo paradigma. Até hoje, pode-se dizer que o processo de inovação tem sido visto como algo muito atrelado às competências e recursos internamente desenvolvidos e explorados por uma determinada firma. Baseado na idéia de que tudo aquilo que já está disponível no mercado não pode ser fonte de vantagem competitiva, entende-se que a inovação só é valiosa se a própria empresa a gerar e comercializar, controlando inteiramente o processo.
A Open Innovation propõe que as empresas vejam o processo de inovação de forma mais aberta. O fluxo de conhecimento internamente gerado pela empresa em interação com o conhecimento externamente gerado por outros agentes pode acelerar o processo de geração de uma inovação e, ao mesmo tempo, expandir os mercados para uso externo dessa inovação.
Conforme define o prof. Chesbrough: “A Open Innovation é o uso intencional dos fluxos internos e externos de conhecimento para acelerar a inovação interna e aumentar os mercados para uso externo das inovações, respectivamente. A Open Innovation é um paradigma que assume que as empresas podem e devem usar idéias externas assim como idéias internas, e caminhos internos e externos para alcançar o mercado, enquanto elas buscam avançar suas tecnologias”.
Desta forma, as empresas podem e devem usar tanto idéias externas, quanto internas para criar valor através de uma inovação, bem como, usar caminhos para o mercado tanto externos, quanto internos para capturar parte do valor criado. A Open Innovation pressupõe que a vantagem competitiva não está atrelada exclusivamente à retenção de recursos e competências internamente controlados pela empresa, mas pela capacidade de articulação de recursos internos e externos para si.
A Open Innovation sugere que as empresas devam fazer um uso muito maior das idéias e tecnologias externas em seus próprios negócios, enquanto deixam suas idéias não utilizadas serem aproveitadas por outras empresas. Isto requer que cada empresa abra seu modelo de negócio para deixar mais idéias e tecnologias externas fluírem de fora para dentro e para deixar mais conhecimento interno fluir para fora. Com um modelo de negócio mais aberto, a Open Innovation oferece a possibilidade de menores custos para inovação, tempo mais rápido para o mercado e a chance de dividir riscos com terceiros.
3. COMO A OPEN INOVATION PODE ALTERAR AS RELAÇÕES ENTRE EMPRESAS, MERCADO E CONSUMIDORES?
Ao adotar o paradigma da Open Innovation a empresa naturalmente passará a olhar mais ao redor e procurará uma maior interação com o meio em que está inserida para gerar inovações. A empresa irá buscar formas de interagir com universidades, governos, outras empresas de diferentes setores, com os próprio consumidores de seus produtos e, até mesmo, de não consumidores, de forma a multiplicar suas fontes de inovação e seu caminho para o mercado. A Open Innovation tem, portanto, um potencial de alterar substancialmente a forma como interagem as empresas com seus mercados e consumidores ao fazerem deles parte de seu processo de inovação.
4. COMO ANALISA A ARTICULAÇÃO ENTRE P&D (aberto) E CT&I COM O DESENVOLVIMENTO SÓCIO-ECONÔMICO?
Dentro de um modelo de inovação fechada as empresas investem, prioritariamente, nos seus laboratórios internos de pesquisa e desenvolvimento (P&D), onde buscam criar vantagem competitiva reunindo nesses departamentos os melhores pesquisadores e engenheiros do mercado. Baseado nesse paradigma, a empresa acredita que é de seu departamento de P&D que surgirão as inovações mais impactantes para a empresa no futuro. Nesse sentido, a articulação do P&D empresarial com as políticas públicas de CT&I são limitadas à formação de recursos humanos.
Com uma perspectiva mais ampla, como a proposta pela abordagem da Open Innovation, o P&D empresarial, longe de perder importância para a firma, funciona como uma espécie de alavancador do processo de inovação da empresa multiplicando suas fontes a partir de uma maior interação com o ambiente externo. Assim, a articulação com o P&D das firmas e as políticas públicas de CT&I passa a ser fundamental e é muito mais intensa e favorecida. Desta forma, a tendência é que cooperando, P&D e CT&I produzam um desenvolvimento sócio-econômico superior.
5. DE QUE FORMA OS ARRANJOS PRODUTIVOS LOCAIS E A INSTALAÇÃO DE REDES FORTALECEM AS ECONOMIAS DE ZONAS MENOS DESENVOLVIDAS?
O desenvolvimento econômico, bem como a vantagem competitiva das firmas, dependem da disponibilidade de recursos chaves. Em geral, esses recursos são escassos e as firmas competem por eles (recursos humanos, recursos tecnológicos, recursos financeiros, recursos naturais, etc). Onde a escassez de recursos é mais notável, as empresas existentes não conseguem nem mesmo financiar seu crescimento de forma a controlar a quantidade ótima de recursos necessários para a sua manutenção. Por outro lado, sabemos que o desenvolvimento sócio-econômico e a geração de empregos dependem da capacidade empreendedora para gerar novos negócios e iniciativas inovadoras, bem como da existência de gestores capazes de transformar negócios e iniciativas embrionárias em organizações sólidas capazes de suportar a competição global. Assim sendo, a formação de arranjos produtivos locais e redes de cooperação que permitam empresas de pequeno e médio porte a terem acesso mais amplo a recursos chaves é de extrema importância para o fortalecimento econômico de zonas menos desenvolvidas.
Nesse sentido, o exemplo mais concreto é o da Natura. Embora haja poucas empresas no Brasil que adotam o modelo de Inovação Aberta de forma explicita, podemos apontar a Natura como o principal caso, uma vez que lançou um programa formal em 2005. Ações como o cadastro de cerca de 200 grupos de pesquisa, formados em universidades brasileiras, no portal Natura Campus e a criação da primeira fábrica fora do Estado de São Paulo, a Unidade Industrial Benevides (PA) em 2006, que conta com colaboradores e terceiros residentes em um projeto que prevê beneficiar até 200 funcionários de 27 municípios, apontam a importância dos arranjos produtivos locais e das redes de cooperação.
6. QUAIS OS GRANDES DESAFIOS COLOCADOS ÀS EMPRESAS AMAZÔNICAS NO PROCESSO DE GLOBALIZAÇÃO DA ECONOMIA?
As empresas amazônicas concentram hoje cerca de 5% do valor de transformação industrial do país (conforme estudo do CEDEPLAR/UFMG). Esse é um número significativo que tende a aumentar, já que a indústria no país está se dispersando. O desafio para as empresas amazônicas, em especial, é crescer de modo sustentável. No caso da Amazônia, estamos falando de uma região que concentra a maior floresta tropical do mundo e boa parte de uma biodiversidade ainda em descoberta e inexplorada pela ciência e pelo mercado. É preciso preservar essa biodiversidade. Deve-se, portanto, falar em inovação voltada ao desenvolvimento sustentável, inovação em métodos de produção mais limpos e mais econômicos. Se as empresas amazônicas conseguirem se aprimorar nesse sentido, os avanços obtidos por elas certamente interessarão ao resto do mundo cada vez mais preocupado com o tema da sustentabilidade. As empresas amazônicas têm de forma mais marcante o duplo desafio de se tornarem mais inovadoras e ambientalmente sustentáveis.
Add comment 27/08/2008
Para Rondani, confiança é a base de qualquer parceria
A Gazeta Mercantil publicou, no dia 30 de julho, entrevista com o Bruno Rondani, consultor em open innovation. A seguir, os principais trechos:
São Paulo, 30 de Julho de 2008. Gazeta Mercantil. Por Flávio de Carvalho Serpa
O diretor da Allagi, consultoria especializada em inovação aberta, Bruno Rondani, vê grandes oportunidades para as micro, pequenas e médias empresas no sistema de inovação aberta. Tanto para se lançarem na criação, como para prestarem serviços às grandes empresas. O maior sucesso da Allagi foi assessorar o processo de inovação aberta na Omnisys, que começou em 1997 com apenas três sócios e hoje é uma empresa com faturamento anual de cerca de R$ 40 milhões e 220 funcionários.
Gazeta Mercantil – É caro ou difícil para as micros e pequenas empresas adotarem um modelo de inovação aberta?
É difícil para as grandes empresas se manterem inovadoras contando apenas com os recursos internos. Isso abre espaço para micros, pequenas e médias empresas participarem cada vez mais do processo de inovação de grandes empresas. Não se trata, portanto, de propor que pequenas empresas adotem para si o modelo de inovação aberta, mas entender as oportunidades que o modelo traz para que elas participem do processo de inovação das grandes empresas. É natural que, à medida que o modelo se dissemina e o paradigma da inovação aberta é mais adotado, pequenas e médias empresas passam a adotar nelas mesmas práticas de inovação aberta (parcerias com universidades, joint-ventures, consórcios e redes de inovação).
Gazeta Mercantil – Você já teve alguma experiência de instalar esse processo numa micro ou pequena empresa que possa relatar como foi, com problemas que apareceram e como foi bem sucedido?
Acredito que o caso de sucesso mais emblemático do modelo sendo aplicado em uma pequena empresa é o da Omnisys, que hoje pertence ao grupo francês Thales.A Omnisys nasceu em 1997 e até 2000 só tinha como cliente a antiga Elebra e não possuía funcionários, além dos três sócios fundadores. A partir do ano de 2001, quando a Elebra deixou o mercado, a Omnisys começou a prestar serviços diretamente aos clientes da sua antiga contratante. Em 2003 a Omnisys decidiu fazer uma joint-venture com um média empresa (Atech) para o desenvolvimento de um radar meteorológico. Nessa momento a Omnisys faturava cerca de R$ 5 milhões e possuía uma média de 30 funcionários. A fim de fazer a sua parte no desenvolvimento desse produto a Omnisys firmou parceria com o IPT e a Unicamp. Além disso, conseguiu recursos de fomento da Fapesp dentro do programa PIPE. Assim, a Omnisys estruturou as bases para o que hoje é seu centro de P&D e passou de uma empresa prestadora de serviços a uma fornecedora de equipamentos de alta tecnologia para o setor aeroespacial. Esse processo de desenvolvimento da Omnisys atraiu o gigante Grupo Thales (mais de 65 mil funcionários) que lhe propôs uma parceria para desenvolver em conjunto uma nova linha de radares. A Omnisys contava com 180 funcionários quando, em 2006, passou a integrar o Grupo Thales que comprou 51% das quotas da Omnisys e manteve seus fundadores na gestão da empresa. (…) Nesse processo a Omnisys, ao invés de se tornar uma filial para comercialização dos produtos franceses no Brasil, passou e ser uma parceira global de P&D do Grupo Thales e participa de projetos de inovação para outros países da América Latina, Ásia e, até mesmo, da Europa. Vale lembrar que a estratégia da Thales para competir com sua rival americana Raytheon é justamente fazer parcerias locais para aumentar sua penetração nesses mercados.
Gazeta Mercantil – Que vantagens as pequenas e médias têm sobre as grandes nesse processo?
As pequenas empresas são mais ágeis e menos observadas, portanto, podem atuar com mais liberdade. Com isso ganham tempo na articulação de parcerias. Por sua vez, as grandes empresas são consideradas mais atraentes. Nas universidades, por exemplo, qual pesquisador não prefere dizer que está fazendo uma parceria com uma grande empresa mundialmente conhecida em lugar de mencionar que é com uma micro, pequena ou média empresa?
Gazeta Mercantil – Que cuidados e empresa deve ter em termos de proteção da sua idéia para não ser roubada ou entrar numa fria?
A confiança é a base de qualquer parceria. Existe uma grande tendência das pessoas pensarem que serão roubadas se apresentarem suas idéias a terceiros. Concordo que é verdade que existe esse risco. Entretanto, não podemos basear parcerias na presunção de desconfiança. Onde há desconfiança não deve haver parceria, uma vez que esse é um grande indicador de que a parceria não dará certo.Portanto, os principais cuidados a serem tomados antes de iniciar uma parceria é verificar se existe relação de confiança entre as partes. Um documento que, em geral, recomendamos que seja assinado antes de qualquer contratação ou convênio entre as partes é um memorando de entendimento (MdE). Nesse memorando ficam estabelecidos os interesses de cada parte e como elas pretendem se relacionar. Pequenas empresas devem atuar com um pouco mais de reserva ao adotarem práticas de inovação aberta, pois podem facilmente perder a liderança de qualquer processo de articulação justamente por serem pequenas. Grandes empresas, ao contrário, quando adotam práticas de inovação aberta tendem a divulgar em larga escala seus programas como forma de atrair mais parceiros.
1 comment 04/08/2008


