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Redes: comportamento em escala superior
por Anna Helena Juenemann
A identificação de redes modifica aos poucos os paradigmas da sociedade, que sempre esteve emergente, mas não sabia. As redes sempre existiram, mas talvez não fossem tão bem exploradas como atualmente, pois a sua existência era desconhecida como forma de organização social.
O autor Steven Johnson demonstra em seu livro “Emergência – a dinâmica de rede em formigas, cérebros, cidades e softwares”, a importância das redes, considerando que elas começam por um indivíduo, que, se unindo a outros, produz comportamento em escala superior. Por exemplo, formigas criam colônias, cidadãos criam comunidades e empresas de inovação aberta criam redes de transferência de tecnologia. O autor chama de emergência este movimento das regras de nível baixo para a sofisticação do nível mais alto. Uma empresa apenas não seria capaz de criar um parque tecnológico, mas com várias organizações, este projeto tem mais probabilidade de se tornar real.
Percebendo a importância das redes, que geram conhecimento superior ao do indivíduo, as empresas as utilizam como ferramenta no seu dia-a-dia. Um conceito novo, que surgiu a partir da definição de redes, foi o das equipes auto-gerenciáveis, que são nada menos que um grupo com diferentes agentes que geram um resultado, que pode ser analisado por outro grupo, fazendo network, criando uma rede.
No setor de tecnologia, a idéia é a mesma, no sentido de que cada empresa na figura de agente se une a outra(s) para fazer descobertas de forma mais rápida, com investimento menor e obtendo resultados com mais eficácia. Desta forma, o resultado da rede é superior ao individual. A concorrência, porém, ainda é um fator limitante, visto que a organização que possuir o domínio da tecnologia mais avançada, tem muita vantagem sobre as outras.
Ainda assim, uma das tendências para o setor é a formação de redes ligada à inovação aberta, no sentido de que os agentes internos a uma rede podem influenciar diretamente os agentes de outra rede, contribuindo para o processo de desenvolvimento de novas tecnologias.
Referências:
Livro – JOHSON, Steven. Emergência – a dinâmica de rede em formigas, cérebros, cidades e softwares. Jorge Zaar Editor. 292p. 2003. Resenha da revista ComCiência.
Artigo – DITTRICH, Koen e DUYSTERS, Geert. Networking as a Means to Strategy Change:The Case of Open Innovation in Mobile Telephony. 2007.
Add comment 14/11/2008
A Strategic Guide to the Network Economy
Dando continuidade ao post anterior, que trata especificamente a guerra de padrões, sigo comentando o texto de Shapiro e Varian. Afinal, o que é preciso para ganhar uma guerra de padrões? Os autores indicam sete ativos fundamentais:
1) controle sobre uma base instalada de usuários: o controle de uma base instalada pode ser utilizado para bloquear a fixação cooperativa de padrões e forçar uma guerra de padrões. É o caso da Microsoft, que tem uma ampla base de clientes leais ou aprisionados.
2) direitos de propriedade intelectual: para Shapiro e Varian, em geral, as patentes são mais fortes que os direitos autorais, mas os direitos autorais sobre o software de computador que possam ser usados para bloquear a compatibilidade podem ser muito valiosos.
3)capacidade para inovar: “se você tem um grupo de P&D de primeira, pode valer a pena fazer sacrifícios hoje se você acha que pode ultrapassar seus concorrentes no longo prazo; em geral é do interesse da HP comprometer-se com padrões, uma vez que ela pode ultrapassar a concorrência em termos de engenharia quando o padrão for definido”
4) vantagens de ser o primeiro a agir: o exemplo é o da Canon, que ao criar o mercado de impressoras pessoais a laser, continuou a dominar a fabricação de motores e impressoras a laser – em parte por explorar a curva de experiência para manter os custos mais baixos e a qualidade mais alta do que seus concorrentes
5) capacidade de fabricação: se você tem custos baixos como produtor, graças ou a economia de escala ou à competência industrial, você está em uma posição forte. Aqui os autores apontam Compaq e Dell como dois bons exemplos.
6) força em produtos complementares: “se você fabrica um produto que constitui um complemento significativo para o mercado em questão, você terá uma forte motivação para dar partida no movimento vitorioso. Isso também o coloca em uma posição de liderança natural, uma vez que a aceitação da tecnologia estimulará as vendas de outros produtos que você fabrica.
7) reputação e prestígio da marca: ambas têm valor especial nos mercados de redes
“Information Rules” é um livro que ainda faz muito sucesso, principalmente na área de economia da informação. Porém, mais importante que pontuar ativos é debater até que ponto a visão dos auores é válida.
Carl Shapiro: atual professor de estratégia na Haas School of Business da Universidade da Califórnia, em Berkeley e diretor do Institute of Business and Economic Research.
Hal R. Varian: atual reitor da School of Information Management and Systems da Universidade da Califórnia em Berkeley e professor especialista em microeconomia de Economia da Haas School of Business.
* Acesse nossa playlist e assista uma palestra de Hal Varian na sede do Google, na Califórnia.
Add comment 06/05/2008
