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Grandes idéias, grandes desastres

por Claudia Castelo Branco

A PC World divulgou recentemente a lista com os 15 maiores desastres tecnológicos dos últimos tempos. Considerando que a grande maioria das tecnologias não vê a luz do dia, faço aqui um convite à reflexão: qual a melhor maneira de conduzir a inovação?
Uma inovação que parece sensacional pode resultar em nada mais do que um virtuosismo técnico; e inovações com modestas pretensões intelectuais, como o Mc Donald´s, por exemplo, podem resultar em negócios gigantescos, altamente lucrativos.
Como mostram os exemplos abaixo, a inovação não é, necessariamente, algo técnico. Sua abrangência é também econômica e social.É preciso entender isso.Vamos à lista:

15. Ovation
Os anos 80 foram uma época interessante para o desenvolvimento de aplicativos de escritório para MS-DOS. WordStar, WordPerfect, Microsoft Word e Lotus 1-2-3 são bons exemplos. Três anos depois do lançamento do IBM-PC, eles já eram obrigatórios.Eis que, em 1983, uma estreante chamada Ovation Technologies anunciou a criação de um pacote integrado que prometia tudo: edição de texto, planilha, banco de dados e comunicação de dados. Aparentemente, o único resultado duradouro da Ovation foi ter inspirado a criação do termo “vaporware”.

14. Duke Nukem Forever
Há pouco mais de 11 anos, a 3D Realms fazia seu primeiro anúncio oficial sobre o game, que deveria ter chegado às lojas em 1998.A previsão veio antes que a empresa decidisse trocar o software básico do jogo – algo que se repetiria ao longo do tempo, obrigando a empresa muitas vezes a reprogramar tudo do zero.
Nesses dez anos, o desenvolvedor liberou alguns trailers (o último foi em dezembro), telas capturadas e demos. Embora a 3D Realms tenha se recusado a divulgar datas precisas de lançamento, seu presidente, Scott Miller, confirmou a um jornal americano que o game sairá ainda em 2008.

13. Amiga Walker PC
Nenhuma lista de invenções hi-tech que quase chegaram lá estaria completa sem algum item da linha Commodore Amiga – fruto de uma empresa onde máquinas notáveis eram freqüentemente sabotadas por estratégias de marketing questionáveis, circunstâncias ruins, ou uma mistura dos dois.Depois que a americana Commodore foi à falência em 1994, a tecnologia e a marca Amiga foram arrematadas pela alemã Escom Technologies. No começo de 1996, a tal companhia manifestou a intenção de vender uma versão atualizada do micro Amiga 1200 na forma de um inusitado gabinete azul púrpura que se equilibrava sobre quatro pezinhos finos – daí o nome Walker.
Idéia genial ou loucura? Nem a Escom parecia saber ao certo, já que ela também pretendia vender a placa-mãe em separado, para que as pessoas pudessem montá-la em um gabinete comum de PC. A reação dos fãs foi controversa; alguns diziam que o gabinete lembrava um besouro.Nunca saberemos se o Walker teria, enfim, conquistado os fãs do Amiga. Só um punhado de protótipos foram construídos antes que a Escom fosse à falência em 1997.

12. Sega VR
Antes que a febre das empresas pontocom tomasse o mundo, o tema mais quente nas rodinhas de tecnologia era a realidade virtual. Ao mesmo tempo em que víamos filmes como O Passageiro do Futuro e cafés VR despontavam nas cidades mais modernas, uma batalha estava em curso entre dois gigantes da indústria de videogames, com a intenção de levar as maravilhas da realidade virtual às casas das pessoas.
A Sega decidiu criar o Sega VR como um acessório de realidade virtual para o popular console Genesis. Seus óculos com fone deixavam o jogador parecido com o carro do seriado Supermáquina; no entanto, era um dos mais belos acessórios de VR daqueles dias. E, na opinião geral, o design era o que o produto tinha de melhor.
Apesar das especificações ambiciosas, como o display colorido com resolução de 320 x 200 pixels, as poucas pessoas que experimentaram o sistema e que não eram da Sega – a maioria em eventos públicos – não chegaram a ficar impressionadas.

Confira os demais desastres aqui

Add comment 15/08/2008

A tentação dos governos

Por Claudia Castelo Branco

Tim Berners-Lee, criador da web e atual diretor do World Wide Web Consortium (organismo internacional que realiza as normas para a Web), disse coisas muito interessantes no Campus Party de Valência. Berners-Lee deixou claro que está ciente do perigo para a liberdade de comunicação e para o avanço tecnológico dos controles que governos e empresas querem impor à Internet: “Sempre se corre esse risco, quando se tem algo tão poderoso como a Internet. A tentação de controlar é grande”, acrescentou.

As declarações tornam-se ainda mais importantes para o Brasil, que sofre, no momento atual, uma grande pressão para submeter a liberdade e a privacidade da Internet aos interesses das comunidades de controle. Estou falando da lei de crimes na Internet do Senador Azeredo, que se aprovada irá obrigar os provedores e empresas que têm acesso à Internet a realizar frequentemente auditorias de segurança. Isso mesmo. Quem vai pagar por essas auditorias em escolas, telecentros, lanns, etc? Nós, é claro. Esse é apenas um dos pontos absurdos do artigo 22 que o senador quer implementar.

Em Valência, Berners-Lee evitou responder perguntas relacionadas ao recente lançamento no Reino Unido de um sistema de avisos aos internautas sobre download de arquivos protegidos pelos direitos autorais. No entanto, foi claro em manifestar que “todos nós somos responsáveis por defender um acesso neutro à Internet diante das tentativas de controle que alguns tentam impor”.

2 comments 12/08/2008

Plataformas abertas para a inovação

por Cláudia Castelo Branco

Com valor de Mercado estimado em US$ 15 bilhões, o Facebook, rede social criada por três alunos da Harvard University, vive um fenômeno completamente diferente na Internet. Nunca uma rede social integrou tanta gente: 64 milhões em todo o mundo. E nunca uma rede social foi tão aberta desde maio de 2007 – ano em que o Facebook abriu a plataforma de software para aplicativos de desenvolvedores externos.

De início, 80 mil desenvolvedores adicionaram novos aplicativos, como agendas e estantes de livros. Conferências para desenvolvedores tiveram as vagas esgotadas, fundos de investimentos foram formados para buscar idéias promissoras com base na plataforma do Facebook e mais uma dúzia de redes de anúncios surgiram para transformar os aplicativos em dinheiro. A Stanford University chegou a criar um curso de aplicativos para o Facebook.

A política de aplicativos livres é, nada mais, nada menos do que um banco de talentos e idéias. Certo! Mas como o Facebook chegou a valer tanto no Mercado criando oportunidades para desenvolvedores? Primeiro, com a criação de um fundo de investimentos em aplicativos desenvolvidos para o site, que acabou gerando uma divisão de venture capital com acesso privilegiado aos desenvolvedores. A Microsoft, que já tinha acordos comerciais com o Facebook, adquiriu uma participação de 1,6% em seu capital, vencendo o outro proponente, o Google, e desembolsando US$ 240 milhões. Vários fundos de venture capital norte-americano mostraram querer uma parte desse negócio.

Plataformas colaborativas e comunidades on-line se constituem hoje em um dos mais fascinantes terrenos para a inovação – tanto em termos de produtos como na comunicação com o consumidor. Isso não significa, porém, que sejam terrenos livres de pântanos. O Google, que não dorme no ponto, também resolveu abrir espaço para programadores através do OpenSocial, “padrões para que qualquer desenvolvedor web possa criar aplicativos para comunidades”. O Orkut já foi integrado ao OpenSocial, mas perde público no Brasil – único país do mundo a viver a febre (o número de usuários do orkut caiu 34% na América Latina, segundo pesquisa divulgada pelo IDGNow ).

É de se esperar, portanto, que a estratégia no Brasil não funcione como o esperado. Primeiro por uma questão cultural, segundo pelos objetivos que a comunidade de cada rede social pretende alcançar.

Acompanhe aqui os mais recentes avanços realizados na plataforma Facebook durante sua conferência anual f8, realizada hoje, para desenvolvedores.

Add comment 24/07/2008


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Allagi é uma consultoria especializada em Open Innovation. "Allagi" vem do grego αλλαγή, que significa transformar, e alude ao conceito aristotélico de transformação de potência em ato. Transformação da pedra em escultura ou das idéias em valor econômico.

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