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Artigo sobre parcerias na indústria farmacêutica
por Samanta Yang
Boa tarde pessoal, como vão?
Agora há pouco estava lendo o artigo: Estratégias de competição na Indústria Farmacêutica: das cadeias verticais às parcerias flexiveis, de autoria de Caissa Veloso E. Sousa (FEAD) e Erich Vale E. Sousa (FEEVALE), publicado no XXVII Encontro Nacional de Engenharia de Produção (ENEGEP 2007).
A pricípio, o título de trabalho nos leva à sensação de que o que vai ser discutido é interessante e de profundidade. Pois não achei nada disso… Achei um texto superficial e com informações bastante repetidas e já conhecidas. Mas o que me chamou a atenção deste artigo, e por isso venho escrever aqui, é o final dele. Nas conclusões, os autores escrevem o seguinte trecho:
“As formas assumidas na composição das parcerias na indústria farmacêutica, demonstram que estas dificilmente assumem modelos de parcerias em formato de redes, salvo nas fases iniciais dos projetos. De outra forma, o que se observa são parcerias flexíveis nas fases onde o objetivo de interação é o produto frente ao seu mercado, incluindo propaganda e estratégias de marketing compartilhado, ou as inúmeras incorporações e fusões observadas em especial nas duas últimas décadas, visando dentre outros objetivos aumentar seu poder no mercado”.
Na primeira vez que li estas últimas frases, não entendi. Depois reli e achei um tanto polêmico e é exatamente por isso que gostaria de discutir e saber a opinião de vocês. Vejam que este trecho não somente nega toda a minha pesquisa de mestrado, que estuda justamente as interações entre as indústrias farmacêuticas e seus stakeholders no processo de inovação, mas também o que temos lido, ouvido e falado a respeito de open innovation em indústrias farmacêuticas. Além disso, tenho visto em minhas pesquisas que essa relação de parceria não ocorre somente nas fases iniciais da pesquisa, mas durante todo o processo de desenvolvimento de produto até seu lançamento – alternando, é claro, o grau de envolvimento dos parceiros durante o projeto.
Além disso, durante todos os meus anos no cenário farmacêutico, nunca havia ouvido falar do que ele chama de co-marketing e co-promoção como parcerias desenvolvidas neste setor. Ao contrário, estes comportamentos me parecem um pouco contraditórios em se tratando de medicamentos.
Gostaria que vocês pensassem a respeito do assunto e, se possível, dessem a opinião de vocês. Ela me ajudaria bastante a embasar um contraponto deste trabalho no meu projeto.
Acho que era isso…
Bjos
3 comments 11/02/2009
A crise, a oportunidade e a inovação
por Robert Wooley
Ultimamente uma pergunta ecoa entre meus colegas do setor de patentes: A crise americana (ou mundial) vai refletir nos processos de inovação tecnológica aqui no Brasil? Há um grande temor que a crise venha desencadear a redução de investimentos em inovações tecnológicas.
Não podemos afirmar qual o setor no Brasil que será mais impactado pela crise, mas é possível prever que os mais inovadores serão os menos afetados.
Semana passada, aconteceu em São Paulo a 2° ENIFarMed destinada à troca de informações e experiências sobre os processos de inovação tecnológica nas indústrias farmacêuticas nacionais.
Diante de tal crise mundial, e dentro do próprio setor farmacêutico mundial, existe um pânico em torno de uma interrupção de lançamentos de novos medicamentos “blockbusters” e a extinção das patentes dos atuais “blockbusters”.
O cenário da indústria farmacêutica nacional é dicotômico. Muitos entendem ser o momento ideal para a consolidação da indústria Farmacêutica Brasileira no mercado mundial, com lançamentos de novos cosméticos e medicamentos a partir de nossa biodiversidade.
Para outros, o momento é desfavorável, pois o setor está engessado pelas disputas administrativas entre o INPI e ANVISA na análise e concessão de patentes de medicamentos, e o atraso nas políticas de inovações e o baixo aproveitamento do potencial intelectual de nossos mestres e doutores, e temem que o país perca o momento oportuno.
Longe das questões políticas, as indústrias nacionais estão se movendo. Iniciativas como a criação da Incrementha PD&I, centro de pesquisa independente para o desenvolvimento de tecnologias patrocinado pela BioLab Sanus e Eurofarma como estratégias de mercado; o lançamento de medicamentos com inovações incrementais pela Cristália; a inauguração de nova planta pela Libbs são exemplos de maturidade de ação.
Essas modificações refletem diretamente na busca por profissionais. Surgem vagas para profissionais que, além do conhecimento técnico na área de engenharias, biotecnologia e farmo-química, tenham expertises em Propriedade Intelectual, Pesquisa Científica e Processo de inovação aberta.
Atualmente é menos importante ter equipes de alta performance mas sem entrosamento, do que ter profissionais menos especializados tecnicamente, mas com capacidade de reunir tecnologias, captar investimentos, analisar cenários, identificar oportunidades, e, principalmente, formar redes de inovação dentro e fora da empresa.
Sendo assim, independentemente da crise e da Política, as empresas farmacêuticas estão sabendo aproveitar as oportunidades ao investir em inovação tecnológica e buscar profissionais diferenciados.
Inovar não é ter um barco para enfrentar um dilúvio, mas ter leme no barco para que, quando as águas do dilúvio baixarem, seu barco repouse em solo fértil.
1 comment 20/11/2008

