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Curso de Chesbrough e Vanhaverbeke sobre pesquisa em open innovation
por Verónica Savignano
Compartilho com os leitores, especialmente os que estão fazendo doutorado em temas correlatos à inovação aberta, esta informação recebida sobre um seminário para PhDs que estudam open innovation e open business models.
Trata-se de um curso de 2 dias (14 e 15 de janeiro) em Barcelona, na escola de negócios ESADE. Os organizadores são dois dos mais relevantes pesquisadores da área, os professores Henry Chesbrough (colaborador deste blog) e Wim Vanhaverbeke.
A partir da leitura dos tópicos que serão abordados (vejam abaixo, na reprodução do texto de divulgação), infiro que o curso vai fazer uma revisão do arcabouço teórico que pode embasar a pesquisa em inovação aberta, vai colocar os temas de pesquisa emergentes na academia e e vai também falar sobre recursos para a pesquisa em inovação aberta (bases de dados, por exemplo). O texto de divulgação faz menção à possibilidade de que os participantes do seminário discutam com seus pares suas pesquisas em andamento.
Vejam o texto de divulgação dos organizadores:
- School: ESADE Business School

- Date: Jan 14-15, 2010
- Time: 09:00 h. to 13:00 h. - 14:00 h. to 18:00 h.
- Place: ESADE Business School Address: Barcelona – Sant Cugat Campus
- Room: To be confirmed
- ECTS: 3
- Fee: 660 €. Special fee for CEMS / EDAMBA
- Language: English
- Participants max: 25
- Participants min: 4
- Enrolment deadline: January 4th , 2010
- Applications to: Ms. Olga Linares - olgamaria.linares@esade.edu
- Contact information: Ms.Pilar Gállego - pilar.gallego@esade.edu
Add comment 07/12/2009
Riscos da inovação aberta
por Verónica Savignano
O artigo Open R&D and open innovation: exploring the phenomenon, dos editores convidados da edição especial da R&D Management de setembro deste ano (entre eles, Henry Chesbrough), cita um estudo realizado em 2008 com 107 empresas européias de todos os portes, em que as companhias mencionam quais são os riscos ligados a atividades de inovação aberta. Os riscos mais freqüentes apontados pelo estudo são:
- Perda de conhecimento (48%)
- Custos de coordenação mais altos (48%)
- Perda de controle e maior complexidade (41%)
Longe de diminuir a importância da inovação aberta, descrita no mesmo artigo como necessária para atender as crescentes demandas por ciclos de inovação mais curtos e time to market reduzido, os autores aconselham um equilíbrio entre inovação aberta e fechada e instigam os estudiosos a continuar se esforçando para entender melhor os mecanismos do processo de inovação, dentro e fora da companhia.
Add comment 04/12/2009
O que vimos no Open Innovation Seminar
por Verónica Savignano
“Neste ano os participantes estão muito mais cientes/inteirados (“much more aware”) da inovação aberta”, comentou o professor Henry Chesbrough, comparando o Open Innovation Seminar 2009 (realizado pelo Centro de Open Innovation – Brasil com apoio e patrocínio oficial da Allagi) com a edição de 2008, quando ele veio pela primeira vez ao Brasil.
Vale acrescentar às palavras do professor Chesbrough que, nos painéis e sessões deste ano, pudemos ver mais empresas implementando modelos open, mais resultados de iniciativas de inovação aberta, mais casos brasileiros de sucesso em open innovation e open business models, mais variedade nas abordagens da inovação aberta e, sobretudo, mais análise por parte das empresas a respeito de suas ações de open innovation.
Cerca de 350 pessoas interessadas em inovação aberta estávamos no Renaissance São Paulo nos dias 22 e 23. É interessante notar que o ecossistema completo de inovação aberta estava presente no evento: gestores de inovação e P&D de grandes companhias, cientistas, empreendedores, profissionais de universidades e institutos de pesquisa e desenvolvimento, consultores, investidores, representantes de órgãos do governo e do terceiro setor, advogados, escritórios de propriedade intelectual, contadores, profissionais do maketing…
Todos esses dados reforçam a relevância da inovação aberta num momento em que o Brasil, citando novamente comentários do professor Chesbrough, está na transição para uma economia baseada no conhecimento.
Mas as discussões, longe de tratar da pertinência ou não da open innovation, focaram nos desafios que surgem na implementação dos modelos. O primeiro painel mostrou um panorama dos cursos dedicados a formar gestores de inovação e trouxe a discussão de como atender a necessidade de um novo profissional voltado a articular e gerenciar recursos internos e externos. Em outra mesa de debate, vimos uma Petrobrás mostrando seu auto-diagnóstico dos pontos fortes e fracos na implementação da inovação aberta, os resultados dos programas de parcerias da Natura e da Braskem e o caso da Omnisys, que, em se valendo da inovação aberta, passou de micro-empresa a centro de P&D de um grupo multinacional.
O professor Chesbrough, em sua palestra exclusiva, falou longamente sobre como gerar valor econômico a partir dos projetos de inovação que estão agonizando no funil de inovação e detalhou casos de grandes companhias multinacionais que mostraram diversas maneiras de abrir as fronteiras dos centros de pesquisa e desenvolvimento. Chesbrough também participou com comentários e, até mesmo, conselhos, sobre as falas dos participantes dos painéis do primeiro dia.
Redes sociais, empreendedorismo como modelo de inovação, avanços e desafios na interação entre ICTs e empresas… Foram muitos os temas, os comentários e provocações. Certamente, vamos continuar a discussão. Em breve teremos acesso aos vídeos e apresentações para compartilhar com os leitores deste blog. Acompanhem!
1 comment 30/10/2009
Novo artigo de Chesbrough: externalizando tecnologias para lidar com a recessão
por Verónica Savignano
O mais novo artigo de Henry Chesbrough (Use Open Innovation to Cope in a Downturn, publicado na edição online de junho da Harvard Business Review) é de leitura obrigatória para praticantes e estudiosos da inovação aberta.
Muito rico nos seus cases e conceitos, o artigo aborda o esquecido aspecto “inside-out” da inovação aberta, que se refere à externalização de idéias e tecnologias por meio de, por exemplo, spin-offs e licenciamento de patentes internas. Essa externalização complementa, no paradigma da open innovation, a internalização de idéias e tecnologias no processo de inovação, ligada a contribuições de usuários e clientes, co-desenvolvimentos com parceiros, compra de tecnologias etc.
Mas qual a relação proposta pelo artigo entre a externalização e a recessão econômica? Se por um lado, diz o texto, a história prova que as empresas que continuam investindo em inovação durante tempos difíceis são as que colhem melhores frutos quando a economia melhora, por outro lado sabe-se que o foco é fator crucial de sobrevivência. A seleção de projetos aos quais se dedicará tempo e o dinheiro se torna mais rigorosa durante a recessão.
O desafio, então, consiste em focar no core e, ao mesmo tempo, preservar as opções de crescimento, pois são elas que garantirão uma posição privilegiada no mercado quando a recessão acabar. Nesse contexto, adotar determinados modelos de inovação aberta pode ser a chave para que o desafio não se transforme em dilema sem solução.
Este artigo de Chesbrough tem co-autoria de Andrew Garman, fundador e managing partner da New Venture Partners – uma das companhias de venture capital pioneiras em explorar oportunidades de externalização de tecnologias.
Os autores propõem 5 caminhos para realizar projetos de inovação nesse contexto:
- Deixar que outra empresa desenvolva e/ou comercialize a inovação e virar seu cliente ou fornecedor principal.
- Transformar o projeto de inovação num spin-off desenvolvido e financiado por investidores externos e ficar com uma parte das ações ou, até mesmo, comprar a companhia se o empreendimento teve sucesso.
- Licenciar as patentes engavetadas, extraindo valor dos esforços de P&D feitos no passado.
- Recorrer aos parceiros do ecossistema de inovação aberta da empresa (clientes, pesquisadores, associações, colaboradores etc) para realizar o projeto de inovação, fortalecendo as parcerias.
- Criar espaços abertos (sistemas de gestão do conhecimento, incubadoras e parques tecnológicos, por exemplo) onde colocar idéias e projetos da companhia, reduzindo custos e expandindo a participação externa.
Finalizando o meu post, quero convidar nossos colaboradores e seguidores s a lerem o artigo e comentarem cada um dos caminhos propostos. Seria muito interessante que conseguíssemos reunir alguns exemplos brasileiros também…
Add comment 11/06/2009
Answering your questions (3): the value chain
by Henry Chesbrough
Questions by Flavia Milena (FAPESP)
1. How does the company distribute the profits from open innovation among all its partners?
2. Is each partner financially awarded for its contribution or the returns and profits are concentrated inside the company?
My answers
The company typically does not collect all of the money, and then distribute it. Instead, the company constructs a value chain from the raw materials to the end customer. The other parties in the value chain participate freely, and can exit if they wish. And these parties in the chain transact through the marketplace, being specified in a particular product, service or design. The market will allocate the profits, and may not do so in ways that seem fair to everyone involved. A great example from the past is the IBM PC. IBM launched the PC market in 1981, and for years made the lion’s share of the profits. Others, though, also profited, including suppliers (like Microsoft and Intel), software makers (like Microsoft and Adobe), retailers, and so on. Later, though, Intel and Microsoft realized that they didn’t need IBM to design the next generation systems, and took away the value chain from IBM. From IBM’s point of view, this was really unfair. They finally quit the market in 2000, though the PC ecosystem is alive and well today without them.
Add comment 12/03/2009
Answering your questions (2): OI in “low tech” environment
by Henry Chesbrough
Questions by Adriana Marotti de Mello (USP)
1. After your speech and by the examples presented at the first panel, I had the impression that the Open Innovation model would be more applicable to more radical innovations and closer to the basic research universe. Is it right?
2. Could you make a comment about how to use the OI concept in “low-tech” environments?
My answers
The OI concept has two elements: first is the idea that companies can make use of others’ ideas, and in turn should let their own unused ideas be used by others; the second is that the business model determines what to bring in and what to take out. My second book, Open Business Models, discusses business model innovation as well (not just technology and R&D).
In low tech environments, openness can be very valuable. Zappos is an online shoe retailer (I think you’d agree that this is low tech), that provides excellent customer service and has generous return policies. Their prices are low, but not the lowest. But they have the widest selection, and are very easy to deal with if the shoe is not right for you. They even send you the new size shoe after you send them the old shoe (they don’t wait to receive your shoe before sending theirs). So they trust their customers, and their customers love them.
A second low tech example is Threadless.com. This is a company that makes T-shirts (again, pretty low tech). But the open part is how they get their designs. They get them from users on their website. People visiting the site can submit designs, and the community of users picks the top ten. Threadless makes these ten designs for sale. And naturally many of the people who voted for the winning designs end up buying them. And the designers get publicized as well.
[ Nota da editora: Vejam o post inaugural do Henry Chesbrough Answering your questions (1): the funnel model]
Add comment 06/03/2009
Entrevista com Chesbrough na Época Negócios
Entrevista com Henry Chesbrough, publicada no site da Época Negócios (Edição 24 – fevereiro de 2009 | 16/02/2009 – 15:59). Concedida no Open Innovation Seminar 2008.
Época NEGÓCIOS – O senhor poderia explicar o que é inovação aberta?
Henry Chesbrough - O modelo anterior, de inovação fechada, era de auto-suficiência. Fazia-se tudo por conta própria e não se contava a ninguém. Hoje, o conhecimento está em todo lugar e as companhias têm de usar melhor idéias de fora. Não é necessário nem esperto fazer tudo sozinho. A pesquisa está encarecendo, o ciclo de produtos está encurtando, e é preciso trabalhar mais duro para recuperar o investimento. Ser mais aberto permite não só poupar dinheiro, mas também tempo e compartilhar riscos. Mas a abertura não é só na entrada, também deve ser na saída de idéias da empresa. As companhias devem deixar outros usarem suas idéias para levá-las ao mercado em outros negócios. Isso é o que faz o sistema funcionar.
EN- Mas há o receio de compartilhar demais, que leva companhias a manter parte de suas pesquisas para si, não?
Henry Chesbrough - A IBM é um exemplo: doa patentes de software, mas também licencia muitas outras e ganha bilhões com isso por ano. A Intel trabalha com universidades na pesquisa de semicondutores, mas a tecnologia dos chips pertence basicamente a ela. A empresa se abre para parceiros, que ajudam a criar valor para os seus produtos, mas para transformar esse valor em algo rentável, é preciso ser mais proprietário. Senão a empresa não faz dinheiro e não se sustenta a longo prazo.
EN- Como decidir o que deve ser compartilhado?
Henry Chesbrough - Esta é a arte da inovação aberta. A P&G compartilha a maioria de suas tecnologias, mas o faz três anos depois de seus produtos chegarem ao mercado. Com isso, está sempre à frente e faz com que outros a sigam. No Google, você pode usar muitos serviços sem gastar nada, mas a forma exata como a empresa os constrói, a tecnologia por trás, ela guarda para si. A regra é: você quer ser aberto ao criar valor e fechado quando quer capturar uma parte dele para si. Uma companhia nova deve ser aberta para que as pessoas a encontrem, usem e a considerem valiosa. Quando se estabelecer, pode pensar em quais pontos pode ser mais fechada.
EN- Então o modelo de inovação fechado não está morto como dizem?
Henry Chesbrough - O modelo fechado sobrevive dentro de um modelo mais aberto. No modelo aberto, é muito mais valioso ser um integrador do sistema de inovação, como faz a IBM hoje em dia ao oferecer produtos e serviços criados por terceiros. É preciso pensar como as peças se encaixam. Mas isso requer P&D interno para descobrir como fazer.
EN- Na inovação aberta, parceiros ajudam a criar produtos e as estratégias em torno deles, mas uma empresa é a responsável pelo lançamento e pelas receitas. Como esse parceiros devem ser recompensados pela sua ajuda?
Henry Chesbrough - Pessoas de tecnologia tendem a pensar que merecem a maior parte do quinhão, porque se consideram mais inteligentes e por terem a propriedade intelectual. Obviamente, os custos devem ser pagos e o lucro repartido. A tecnologia ainda é muito importante, mas é preciso ir além dela e analisar o mercado para entender de onde vem o valor de seu produto e qual parte cabe a quem. Acredito que quem conquista clientes e os faz feliz, que é de onde vem o maior valor, deve levar a maior parte.
EN- No seu livro, o senhor cita casos da área de tecnologia como Intel e IBM. A inovação aberta é restrita às empresas high-tech?
Henry Chesbrough - Não. Leon, no México, é uma cidade dedicada a fazer sapatos, que não são produtos de alta tecnologia. Desenvolvi com eles um projeto para descobrir como vender para os hispânicos americanos, que serão 75 milhões em 2010. Eles estão preocupados com a chegada dos produtos chineses, que são muito mais baratos. Uma saída é subir de patamar e criar uma imagem mais nobre para os sapatos deles, encontrar mercados pouco explorados. As empresas de lá não conseguirão fazer isso sozinhas. Elas vão precisar de uma série de parcerias para fazer isso e com a rapidez necessária.
EN- O senhor publicou seu primeiro livro em 2003. Como o conceito de inovação aberta evoluiu desde então?
Henry Chesbrough - No primeiro livro, eu foquei em P&D e na comunidade de tecnologia, mas comecei a falar com outras empresas depois e vi que muitas enfrentavam dificuldades com o lado de negócios. No meu segundo livro, falo sobre como se abrir também nessa área de estratégia e marketing para solucionar problemas. Significa pensar o que define um modelo de negócio, como avançar e quem já fez isso. Se você pensa inovação em pesquisa, você só vai até um certo ponto. Ao incluir mais áreas, você pode inovar em modelos de negócios e isso pode ser muito valioso.
EN- O que é um modelo de negócios aberto?
Henry Chesbrough - É usar várias fontes para pensar a criação e captura de valor em seus produtos. Por que uma empresa deve fazer pesquisa de marketing só sobre si? Por que não fazer para as outras também? Muitas companhias não compartilham pesquisas, mas só assim se você realmente vai entender o mercado. Um outro exemplo é a Samsa, a engarrafadora da Coca-Cola no México. Ela presta esse serviço para outras empresas e ganha experiência com isso. Ao se abrir, uma empresa transforma um centro de custo em um centro de lucro ao cobrar de parceiros por serviços que você teria de fazer também para si.
EN- Porque o senhor considera mais difícil inovar em um modelo de negócios do que em tecnologia?
Henry Chesbrough - Temos boas experiências de décadas para inovar em produtos e tecnologia, mas ainda não criamos bons processos para fazer isso em modelos de negócios. Ambos os casos são difíceis. Mas há uma área inteira de engenharia só para pensar novos produtos. No modelo de negócios, é preciso relacionar a tecnologia com operações e estratégia, que são pensadas em lugares diferentes por pessoas diferentes. Você tem de reunir tudo, o que é mais complicado.
EN- O modelo de inovação aberta surgiu a partir do modelo anterior fechado. Sem tradição em pesquisa por empresas e com muito desse trabalho feito em universidades, o Brasil não teve esse modelo fechado. Podemos criar um modelo de inovação aberta a partir do nada?
Henry Chesbrough - Sim. México e Espanha também não têm tradição em pesquisa e consideram a inovação aberta útil para criar um nova mentalidade colaborativa. Essas regiões querem crescer, mas não podem fazer grandes investimentos. A cooperação de pessoas em áreas de interesse comuns para avançar mais rápido. Você precisa de parques e universidades, porque esses lugares têm pessoas que sabem como o sistema funciona e como ele vai se comportar no futuro. Você precisa investir em pesquisa de longo prazo e na experimentação de modelos de negócios. Você precisa de capital para sustentar tudo isso. Com as peças no lugar, vira uma questão de capital humano, talento e conhecimento, e o Brasil tem muito disso.
EN- Como criador do conceito de inovação aberta, no que o senhor está trabalhando agora?
Henry Chesbrough - Em três questões: ir mais a fundo no gerenciamento da propriedade intelectual e fazê-la de forma mais aberta e colaborativa, pensar inovação em serviços por meio dessa abordagem aberta e buscar uma visão mais global do fenômeno. Nos últimos meses, viajei para vários paises e quero criar centros pelo mundo, como fiz na Holanda e na Bélgica. Vamos fazer um no Brasil e há outro a caminho na Suíça e no Japão. Não posso levar esse conceito à frente globalmente sozinho. Numa mentalidade de inovação aberta, busco pessoas inteligentes para conectá-las e promover trocas de experiências e informação.
EN- Quais são os principais desafios da inovação aberta?
Henry Chesbrough - O principal é a mentalidade. Organizações grandes e bem sucedidas têm orgulho de suas próprias realizações, superestimam suas habilidades e subestimam as de outros. Se elas não pensaram em algo, é porque não é bom. Se fosse, já teriam criado. É algo difícil de superar. No lado de negócios, há um equivalente: pensar que uma tecnologia deve ser usada primeiro por quem a inventou e, caso não o faça, ninguém mais pode usá-la. Isso não faz sentido. Se você não vai usar algo, deixe que alguém use. A propriedade intelectual historicamente é gerenciada pelas companhias de uma forma defensiva. Temos de pensá-la de forma mais aberta. Você pode licenciar algo para ganhar um dinheiro adicional ou compartilhar para criar padrão técnico na sua área. Há também o desafio de empresas trabalharem com universidades. Nesse modelo, os dois lados precisam mudar.
EN- E como mudar essa mentalidade?
Henry Chesbrough - Pelas companhias que estudei, só um choque é capaz de fazer as pessoas perceberem que é preciso mudar a forma se inova. Empresas que vão bem não farão isso. Quando ocorre esse choque, a liderança da empresa precisa transformar a crise em oportunidade. Nos casos mais bem sucedidos, havia líderes dizendo que não era possível mais fazer negócios daquela forma. A mudança precisa vir do topo.”
1 comment 27/02/2009
Uma Torre de Babel da inovação
por Verónica Savignano
Hoje quero indicar para vocês a leitura de mais um texto sobre políticas públicas e Open Innovation. Trata-se do relatório da Vision Era.Net intitulado Policies for Open Innovation: Theory, Framework and Cases. O estudo, realizado por pesquisadores dos Países Baixos, Bélgica (Flandres) e Estônia, com a participação de Henry Chesbrough, indagou a presença de políticas públicas para Open Innovation nesses países.
Antes de começar, curtam esta bela paisagem dos Países Baixos
Vamos agora aos resultados do estudo!
Nesses países, estão muito presentes as políticas para:
- incentivar o financiamento de pesquisa e tecnologia
- estimular a interação, de modo geral, e os clusters regionais, mais particularmente
- garantir o acesso ao financiamento para empreendedores
- difundir de maneira organizada o conhecimento científico
- estimular a concorrência
Estão razoavelmente presentes as políticas para:
- estimular a ação de intermediários, por exemplo, para gerenciar as redes de colaboração e a propriedade intelectual
- incentivar a criação e sobrevivência de novos empreendimentos, que dinamizam a economia e desafiam as empresas consolidadas a inovar mais
- oferecer financiamento à pesquisa, abundante e distribuído de acordo com critérios de excelência
- incentivar a educação em todos os níveis
- flexibilizar o mercado de trabalho em prol da mobilidade do trabalhador
Pouco presentes, as políticas para:
- apoiar sistemas de propriedade intelectual de alta qualidade
- desenvolver ambientes interativos, com informação e assessoria sobre colaboração, networking, empreendedorismo e gestão da propriedade intelectual
- educar para o empreendedorismo
- avaliar a distribuição do dinheiro público para pesquisa
- permitir a migração de trabalhadores, que deve ser vista como oportunidade em vez de ameaça
Nada ou quase nada presentes, as políticas para…
- incentivar standards industriais
- incentivar “user innovation“, considerando que os usuários são agentes de P&D muito mal representados nas estatísticas
- intensificar os mercados de tecnologia, criando, por exemplo, sistemas para cotar e licenciar a propriedade intelectual e para visualizar a oferta e a demanda
- estimular o empreendedorismo corporativo
Vale destacar para os nossos leitores acadêmicos que estudam estes temas que os autores do texto dão as seguintes sugestões para continuar a pesquisa por eles iniciada:
- pesquisas similares em outros países (why not Brazil!)
- estudos mais quantitativos, comparando quanto dinheiro é investido em cada linha de política pública
- estudos sobre a relação entre a globalização e a otimização da elaboração de políticas públicas: quais podem ser oferecidas pelas nações, quais em nível internacional, quais numa combinação de ambos os níveis
O relatório finaliza concluindo que Open Innovation pede adaptações das políticas públicas em um leque de áreas, que vão muito além da tradicional P&D, como mercado de trabalho e educação. Os autores advertem que é essencial identificar estruturas efetivas que permitam governar e integrar todas essas políticas para o desenvolvimento de Open Innovation.
Tomara que tal difícil missão não acabe como a Torre de Babel, representada nesta obra do artista flamengo Pieter Bruegel the Elder…
1 comment 28/11/2008
Henry Chesbrough e Eric Von Hippel participam de congresso espanhol sobre Inovação Aberta
por Fabiana Grieco
Na semana passada (dias 22 e 23 de outubro), ocorreu o Business Global Conference+i (BGC+i), em Bilbao, Espanha. Promovido e organizado pela Sociedad para la Promoción y Reconversión Industrial (SPRI), Asociación de Empresas de Electrónica, Tecnologías de la Información y Telecomunicaciones de España (AETIC), Asociación Cluster de Telecomunicaciones (GAIA) e PMP, o evento é reconhecido por abrir espaço para tratar temas de inovação, tecnologia e conhecimento. Em sua sétima edição, o tema do congresso foi “Innovación abierta: la suma de las ideas”.
O evento contou com mais de 700 participantes que foram conferir a apresentação de atrações nacionais e internacionais sobre inovação aberta. Podemos destacar a participação de Henry Chesbrough, diretor executivo e professor do Centro de Open Innovation da Haas School of Business de Berkeley, e de Eric Von Hippel, diretor e professor do Grupo de Inovação e Empreendedorismo da MIT Sloan School of Management.
Chesbrough proferiu a palestra de abertura do evento com uma apresentação sobre Open Innovation focada nos fundamentos da inovação aberta para as empresas, a mobilidade dos profissionais que integram as organizações e a necessidade dos produtos e serviços chegarem ao mercado com maior rapidez. Já Eric Von Hippel chamou a atenção para o fato dos usuários serem cada vez mais capazes de desenvolver seus próprios produtos e serviços novos, por meio das melhorias tecnológicas da informática e comunicações. A abordagem da palestra esteve focada na tendência de democratização da inovação, conhecida como User Innovation.
Além do reconhecimento do público que esteve no evento, a apresentação da Open Innovation chamou a atenção da mídia. O jornal El Mundo publicou no dia 23/10 uma entrevista com Henry Chesbrough, da qual tomo a liberdade de transcrever alguns trechos interessantes em português:
El Mundo: As empresas já sofreram a parte mais traumática da crise?
Chesbrough: Pode ser que tenham passado o pior no que diz respeito às cotações da bolsa, mas acredito que a recessão de seus negócios pode demorar ainda mais um ou dois anos.
El Mundo: Então este é o momento adequado para se atrever a apostar forte na inovação?
Chesbrough: É o momento para experimentar maneiras de crescer, mas sem dedicar importantes recursos antes que se tenha demonstrado sua efetividade.
El Mundo: Com base no panorama, deve se reinventar o conceito de inovação com o fim de se adaptar às características do mercado?
Chesbrough: Acredito que sim. Mas é a empresa que realiza o investimento em inovação, e por isso é quem corre os riscos e decide. No conceito de inovação aberta, pela qual já advogo, pode se aplicar tecnologias de fora da empresa para reduzir o custo, o risco e compartilhar os benefícios com outros.
El Mundo: Como se pode pôr em prática seu conceito de inovação aberta na conjuntura atual?
Chesbrough: Uma forma de fazer isso nas empresas que gozam de uma importante atividade de P&D é utilizar os excedentes deste recurso para empregá-los em outras empresas ou atividades exteriores. Há empresas que foram capazes de investir no exterior uns 20% ou 30% de seus fundos de P&D, e creio que é melhor aplicar esta porcentagem deste modo do que reduzindo o gasto em P&D em 20% ou 30%.
El Mundo: Até que ponto a globalização do mercado limita as empresas na hora de inovar?
Chesbrough: Acredito que a globalização tem diversos efeitos. Um deles é que intensifica a concorrência; outro, que amplia o mercado potencial do qual a empresa pode ser fornecedora. E uma terceira oportunidade é que facilita mais colaboração dentro do processo de inovação. A globalização tem seus benefícios e seus riscos, mas eu pessoalmente creio que a balança se inclina em direção ao lado dos benefícios.
1 comment 30/10/2008
Open Innovation avança no Brasil
Chesbrough esteve em São Paulo na última segunda-feira (16) para dar uma palestra no Open Innovation Seminar 2008, primeiro evento totalmente dedicado ao tema no Brasil. Organizado pela Allagi Consultoria, o seminário durou todo o dia e atraiu gestores de empresas e empreendedores interessados em novas formas de superar os gargalos tradicionais na implementação de políticas e estratégias inovadoras nas empresas.
“A inovação agora é global” disse Chesbrough, contrastando com o caráter praticamente individual da atividade desde o início do século passado, quando Thomas Edison ou Henry Ford eram paradigmas da inventividade que transformou o planeta. Esse estilo de inovação, centrada na figura do inventor que cria um produto e o desenvolve em segredo até a comercialização, está caminhando para o colapso, na visão de Chesbrough.
Embora a inovação continue sendo o motor para quase a metade do valor do crescimento econômico nos países ricos, Chesbrough avalia que inovar unicamente com laboratórios e funcionários próprios está cada vez mais caro para as empresas. Segundo Chesbrough, em 1971, as empresas com mais de 25 mil empregados eram responsáveis por 70,7% do valor das inovações no mercado, mas despencaram para 40,9% em 2003. Por outro lado, as pequenas empresas, com menos de mil empregados, subiram de 4,4% para os atuais 22,5%.
Uma das razões para essa assimetria, no entender de Chesbrough, é a nova forma adaptativa de lidar com a inovação das pequenas empresas. Com recursos escassos para investir na pesquisa e desenvolvimento cativos, elas apelam para contratos e parcerias externas. “As pessoas inteligentes que trabalham para você precisam falar com outras pessoas inteligentes que não trabalham para você. Esse é o paradigma da inovação aberta”, resume Chesbrough.
As pequenas e novas empresas têm um trunfo natural. “Não é o maior ou mais forte que sobrevive, mas quem se adapta melhor”, lembrou o professor, apontando as vantagens adaptativas das pequenas: foco em um mercado específico, capacidade maior de atender um nicho, capacidade de se especializar, custo de expansão menor e presença quase natural na Internet, onde as empresas podem ser mais globais com custos menores e mais competitivos.
Mas não só as pequenas empresas que proliferam nesse novo ambiente. A Procter & Gamble, gigante da criação de produtos de uso pessoal, era uma das mais tradicionais empresas de P&D fechadas. Resolveu abrir o processo de inovação e hoje tem mais de 50% dela vinda de fora.
Outro exemplo dramático é a transformação radical vivida pela IBM. Em 2007, a Big Blue abriu 500 patentes para que desenvolvedores criassem soluções para seus usuários.
Após a palestra de Henry Chesbrough, o Open Innovation Seminar teve três mesas de discussão. Na primeira, Natura, Embraer, Laboratório Cristália, IBM e Omnisys Engenharia mostraram que já praticam – com excelentes resultados – o modelo de inovação aberta. A Natura, por exemplo, tem cerca de 200 grupos de pesquisa, formados em universidades brasileiras, cadastrados em seu portal Natura Campus. Já a Embraer está desenvolvendo um novo jato com a participação de 16 empresas. “Apanhamos prá burro até descobrir o caminho da ajuda de pesquisadores na universidade e da inovação aberta”, disse Ogari Pacheco, presidente do conselho diretor do Laboratório Cristália.
O seminário contou também com a participação de representantes de entidades empresariais, como a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a entidade que congrega as empresas inovadoras (Anpei) e a que abriga incubadoras e parques tecnológicos (Anprotec). Do setor governamental, teve a participação do presidente do Instituto Nacional de Propriedade Industrial, Jorge Ávila, e do diretor de Inovação da Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP). Eduardo Costa informou que na próxima quinta feira (dia 19), a FINEP lançará o maior empreendimento de sua história: o programa “Primeira Empresa”, que vai disponibilizar R$ 1,3 bilhão com o objetivo de alcançar pelo menos cinco mil empresas inovadoras, com crédito subsidiado, em alguns casos a juros zero ou sem reembolso.
Balanço – O Open Innovation Seminar 2008 teve resultados francamente positivos. Tanto que a Allagi Consultoria já planeja repetir o evento em 2009, dessa vez com dois dias de programação. Bruno Rondani, diretor da empresa, informou que foram inscritas cerca de 350 pessoas, representando 130 entidades de 13 Estados. “São números excelentes para o primeiro evento sobre um tema ainda novo no País”, avalia Rondani, que destaca ainda “a forte presença da Natura, com a participação de 32 de seus funcionários, e do setor farmacêutico, com oito empresas, além de representantes do Ministério da Saúde e do BNDES”.
O seminário agradou Henry Chesbrough, que se disse “impressionado com o excelente nível dos debates”. Ele elogiou a organização do evento por ter conseguido articular diferentes setores, convidando empresas diversificadas, academia e representantes do governo. “Gostei muito das empresas e tive a oportunidade de aprender sobre o sistema de inovação do Brasil e as oportunidades de empreendedorismo que surgem no País”.
Add comment 23/06/2008


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