Posts TaggedGestão da Inovação
Se a inovação é desejada, geri-la é preciso
por Ronaldo Mota
Em julho de 2008, após ter participado de um ciclo de palestras sobre Inovação na 60º Reunião Anual da SBPC, fiquei com a nítida impressão de que as empresas brasileiras inovavam porque tinham pessoas criativas. Ficava evidente, portanto, que sendo a criatividade a única ferramenta das empresas brasileiras para inovarem, elas estariam em maus lençóis… É verdade que o povo brasileiro é esperto, engenhoso e criativo, mas isso não basta. E se em um determinado momento a criatividade – que é algo bem pessoal – falhar? Veremos, então, a empresa de mãos atadas no meio da selva capitalista. E aí… de mãos atadas… se correr o bicho pega, se ficar o bicho come.
Essa impressão, para alguém que começava estudar o assunto – como era meu caso – era extremamente inquietante.
Passei a pesquisar. Chegaram às minhas mãos diversos livros sobre o assunto e, entre eles, Gestão da Inovação, de Joe Tidd, John Bessant e Keith Pavitt. O livro é muito instrutivo e interessante pela profundidade e praticidade com a qual ele trata o tema. Porém, logo me chamou a atenção o prefácio de Paulo Zawislak, onde aquilo que havia me inquietado nas palestras da SBPC vinha comprovado pelas estatísticas:
“Segundo o IPEA, em pesquisa realizada em 2005, apenas 1.199 empresas, em uma população de mais de 72 mil empresas – ou seja, 1,7% – podem ser consideradas como inovadoras e que diferenciam seus produtos.
A grande maioria das empresas brasileiras não tem consciência do processo de inovação e de sua importância. E, quando a tem, não faz idéia de como implementar um sistema, por mais simples que seja, de gestão de inovação.“.
Ora, em consonância com o que pensam os teóricos da inovação, Zawislak concluía: “Na realidade, se elas não inovarem, mais cedo ou mais tarde, desaparecem.“.
No contexto em que vivemos, essa afirmação de Zawislak é compreensível. José Martins, presidente da Marcopolo, um dos palestrantes no ciclo de inovação da 60º Reunião Anual da SBPC, tentaria se defender e me diria: mas as empresas inovam! E eu – acredito que juntamente com Zawislak – responderia: Sim, mas ao acaso! E do acaso nem as pessoas mais brilhantes e geniais – como os brasileiros, modéstia a parte – podem se fiar!
É preciso sistematizar – coisa que os países desenvolvidos já perceberam há muito tempo – o processo de inovação. Infelizmente, para muitos gestores brasileiros, inovação não passa de moda ou mero blábláblá, e como no Brasil criatividade não é coisa rara, aproveitam-se dessa facilidade e se acomodam. Porém, não há dúvida: esse defeito é um dos responsáveis pela fragilidade das empresas brasileiras, tanto interna como externamente.
Vejamos, por exemplo, as pesquisas feitas no exterior e citadas no livro de Joe Tidd. Segundo os autores: “Pesquisas recentes confirmam que, embora muitos administradores reconheçam a importância da inovação, a maioria está insatisfeita com o gerenciamento da mesma em suas organizações.“. O problema é evidente: lá, eles querem melhorar o que já têm. Aqui, nós quase não temos. E eu diria mais, lá, uma boa parcela das empresas não só atingiu um certo grau de controle sobre seus processos inovativos como percebeu a importância de ampliar sua visão até atingir um paradigma mais adequado à realidade atual, como é o caso da open innovation.
Esse post, entretanto, quer apenas lembrar a importância da gestão da inovação. Quanto a importância da open innovation, não faltam posts tratando sobre o tema neste blog.
3 comments 10/02/2009
Busca-se gestor de inovação
por Verónica Savignano
Hoje mesmo ouvi a pergunta: “Onde posso encontrar uma pessoa para gerir a área de inovação que estamos criando?”. Uma das possíveis respostas é: “Em um dos cursos dedicados à inovação no Brasil”. De fato, nos últimos anos, têm surgido vários cursos em nível de pós-graduação acadêmica, MBA, especialização, treinamento e até graduação…
Que as instituições de ensino estão ocupadas em oferecer formação para o gestor da inovação é evidente faz algum tempo.
A novidade (pelo menos para mim) é a presença de Open Innovation, no mínimo:
- no PECE da Poli-USP, o curso Criação de Programas de Inovação: Open Innovation é totalmente dedicado à inovação aberta.
- nos cursos: Empreendedorismo e Inovação e Impacto da Inovação na Competitividade, do diploma IVCE da FGV; Gestão Estratégica da Inovação, da Fundação Vanzolini, e Inovação, da ESPM, onde há módulos de Open Innovation.
Sobre o perfil desse profissional que vai gerenciar os recursos internos e externos com o objetivo de desenvolver inovações e colocá-las no mercado… Bem, gostaria de ler algumas opiniões dos nossos leitores e blogueiros. Quem sabe sai um post a respeito!
6 comments 21/10/2008
