Posts Taggedcrise economica
Novo artigo de Chesbrough: externalizando tecnologias para lidar com a recessão
por Verónica Savignano
O mais novo artigo de Henry Chesbrough (Use Open Innovation to Cope in a Downturn, publicado na edição online de junho da Harvard Business Review) é de leitura obrigatória para praticantes e estudiosos da inovação aberta.
Muito rico nos seus cases e conceitos, o artigo aborda o esquecido aspecto “inside-out” da inovação aberta, que se refere à externalização de idéias e tecnologias por meio de, por exemplo, spin-offs e licenciamento de patentes internas. Essa externalização complementa, no paradigma da open innovation, a internalização de idéias e tecnologias no processo de inovação, ligada a contribuições de usuários e clientes, co-desenvolvimentos com parceiros, compra de tecnologias etc.
Mas qual a relação proposta pelo artigo entre a externalização e a recessão econômica? Se por um lado, diz o texto, a história prova que as empresas que continuam investindo em inovação durante tempos difíceis são as que colhem melhores frutos quando a economia melhora, por outro lado sabe-se que o foco é fator crucial de sobrevivência. A seleção de projetos aos quais se dedicará tempo e o dinheiro se torna mais rigorosa durante a recessão.
O desafio, então, consiste em focar no core e, ao mesmo tempo, preservar as opções de crescimento, pois são elas que garantirão uma posição privilegiada no mercado quando a recessão acabar. Nesse contexto, adotar determinados modelos de inovação aberta pode ser a chave para que o desafio não se transforme em dilema sem solução.
Este artigo de Chesbrough tem co-autoria de Andrew Garman, fundador e managing partner da New Venture Partners – uma das companhias de venture capital pioneiras em explorar oportunidades de externalização de tecnologias.
Os autores propõem 5 caminhos para realizar projetos de inovação nesse contexto:
- Deixar que outra empresa desenvolva e/ou comercialize a inovação e virar seu cliente ou fornecedor principal.
- Transformar o projeto de inovação num spin-off desenvolvido e financiado por investidores externos e ficar com uma parte das ações ou, até mesmo, comprar a companhia se o empreendimento teve sucesso.
- Licenciar as patentes engavetadas, extraindo valor dos esforços de P&D feitos no passado.
- Recorrer aos parceiros do ecossistema de inovação aberta da empresa (clientes, pesquisadores, associações, colaboradores etc) para realizar o projeto de inovação, fortalecendo as parcerias.
- Criar espaços abertos (sistemas de gestão do conhecimento, incubadoras e parques tecnológicos, por exemplo) onde colocar idéias e projetos da companhia, reduzindo custos e expandindo a participação externa.
Finalizando o meu post, quero convidar nossos colaboradores e seguidores s a lerem o artigo e comentarem cada um dos caminhos propostos. Seria muito interessante que conseguíssemos reunir alguns exemplos brasileiros também…
Add comment 11/06/2009
A crise, a oportunidade e a inovação
por Robert Wooley
Ultimamente uma pergunta ecoa entre meus colegas do setor de patentes: A crise americana (ou mundial) vai refletir nos processos de inovação tecnológica aqui no Brasil? Há um grande temor que a crise venha desencadear a redução de investimentos em inovações tecnológicas.
Não podemos afirmar qual o setor no Brasil que será mais impactado pela crise, mas é possível prever que os mais inovadores serão os menos afetados.
Semana passada, aconteceu em São Paulo a 2° ENIFarMed destinada à troca de informações e experiências sobre os processos de inovação tecnológica nas indústrias farmacêuticas nacionais.
Diante de tal crise mundial, e dentro do próprio setor farmacêutico mundial, existe um pânico em torno de uma interrupção de lançamentos de novos medicamentos “blockbusters” e a extinção das patentes dos atuais “blockbusters”.
O cenário da indústria farmacêutica nacional é dicotômico. Muitos entendem ser o momento ideal para a consolidação da indústria Farmacêutica Brasileira no mercado mundial, com lançamentos de novos cosméticos e medicamentos a partir de nossa biodiversidade.
Para outros, o momento é desfavorável, pois o setor está engessado pelas disputas administrativas entre o INPI e ANVISA na análise e concessão de patentes de medicamentos, e o atraso nas políticas de inovações e o baixo aproveitamento do potencial intelectual de nossos mestres e doutores, e temem que o país perca o momento oportuno.
Longe das questões políticas, as indústrias nacionais estão se movendo. Iniciativas como a criação da Incrementha PD&I, centro de pesquisa independente para o desenvolvimento de tecnologias patrocinado pela BioLab Sanus e Eurofarma como estratégias de mercado; o lançamento de medicamentos com inovações incrementais pela Cristália; a inauguração de nova planta pela Libbs são exemplos de maturidade de ação.
Essas modificações refletem diretamente na busca por profissionais. Surgem vagas para profissionais que, além do conhecimento técnico na área de engenharias, biotecnologia e farmo-química, tenham expertises em Propriedade Intelectual, Pesquisa Científica e Processo de inovação aberta.
Atualmente é menos importante ter equipes de alta performance mas sem entrosamento, do que ter profissionais menos especializados tecnicamente, mas com capacidade de reunir tecnologias, captar investimentos, analisar cenários, identificar oportunidades, e, principalmente, formar redes de inovação dentro e fora da empresa.
Sendo assim, independentemente da crise e da Política, as empresas farmacêuticas estão sabendo aproveitar as oportunidades ao investir em inovação tecnológica e buscar profissionais diferenciados.
Inovar não é ter um barco para enfrentar um dilúvio, mas ter leme no barco para que, quando as águas do dilúvio baixarem, seu barco repouse em solo fértil.
1 comment 20/11/2008

