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Manual europeu de diretrizes para pesquisa colaborativa
por Verónica Savignano
Está online a versão 1.1 do manual de diretrizes da Responsible Partnering para boas práticas em pesquisa colaborativa e transferência de conhecimento entre ICTs (Instituições Científicas e Tecnológicas) e empresas.
O manual é baseado nos resultados de eventos e outras atividades desenvolvidas pelas organizações européias a que lideram a iniciativa Responsible Partnering. Trata-se de organizações de apoio à pesquisa, desenvolvimento e transferência tecnológica que representam setores ligados à academia (três delas) e à indústria (apenas uma): a European University Association (EUA), European Association of Research and Technology Organizations (EARTO), a ProTon (rede de escritórios de transferência de conhecimento de instituições de ensino e pesquisa da Europa) e a European Industrial Research Management Associatio (Eirma).
A seguir, um resumo das diretrizes para empresas, ICTs e governos enumeradas no manual:
- Desenvolver uma visão estratégica de como as atividades de pesquisa colaborativa e transferência de conhecimento vão auxiliar as partes a atingir seus objetivos. Definir políticas, comunicá-las e garantir compreensão e alinhamento.
- Alinhar, com transparência, os interesses e expectativas dos vários parceiros envolvidos.
- Usar práticas consolidadas (não re-inventar a roda) e adotá-las como práticas-padrão (isso ajudará no desenvolvimento de colaborações duradouras).
- Disponibilizar apoio profissional de alta qualidade para a gestão da pesquisa colaborativa e da transferência de conhecimento.
- Desenvolver programas e ambientes de aprendizagem para que as equipes adquiram habilidades inerentes à inovação aberta: gestão de projetos, empreendedorismo, desenvolvimento de negócios, gestão da propriedade intelectual.
- Conseguir uma gestão da propriedade intelectual eficaz, que facilite a criação de valor num contexto de inovação aberta, maximize o potencial de comercialização e incentive futuros investimentos em pesquisa.
- Abordar a inovação de maneira interdisciplinar, incluindo a inovação no modelo de negócios, no design e organizacional.
- Incentivar a pesquisa avançada, a educação e treinamento de alta qualidade e a existência de escritórios de transferência tecnológica com profissionais competentes nas instituições públicas.
Um ponto interessante citado várias vezes no documento é a afirmação de que as atividades de pesquisa colaborativa são mais produtivas dentro de ambientes relativamente estáveis, embora também dinâmicos, onde há confiança.
O manual inclui seções sobre os pontos a considerar para redigir um convênio de pesquisa colaborativa, aspectos legais da colaboração e ckecklist para aplicar as diretrizes na empresa.
Add comment 10/12/2009
Notícias, artigos, entrevistas e oportunidades de financiamento
por Verónica Savignano
Saiu a segunda edição do Boletim Inovação Aberta – newsletter bimestral do Centro de Open Innovation -Brasil.
Esta edição traz, entre outros conteúdos, a visão do diretor de Inovação e Novos Negócios da Telefonica, do diretor científico da Fapesp e do gerente de Estratégia Tecnológica da Petrobrás sobre os desafios dos projetos colaborativos de inovação. Os entrevistados apontam como os principais desafios a barreira cultural à colaboração, o bom entendimento entre as partes sobre objetivos, metodologia e expectativas e o estabelecimento de parcerias entre fornecedores e academia. Vejam as respostas completas deles.
Tem também na edição uma notícia sobre a participação do professor Henry Chesbrough no advisory board da Allagi, com palavras dele sobre a incipiente economia do conhecimento brasileira e sobre a rede de pessoas entusiasmadas com a inovação aberta que ele conheceu no Brasil. “Estamos criando uma rede de pesquisadores, executivos e formuladores de políticas públicas para traçar o percurso da open innovation no Brasil”, diz Chesbrough na notícia.
A seção Suíte de novembro descreve o caso do desenvolvimento do radar meteorológico da Omnisys e mostra como pequenas empresas brasileiras podem encontrar seus lugares nas redes mundiais de inovação aberta, apoiando-se em nossas ICTs e em nossas políticas de incentivo à inovação e fazendo parcerias com grandes empresas.
Também sobre redes mundiais de inovação é a oportunidade de financiamento destacada nesta edição do boletim. Trata-se da Chamada Oseo-Finep – um edital no mínimo interessante, que pode ser compreendido como incentivo à organização dessas redes envolvendo pequenas e médias empresas e seus parceiros.
Além disso, a newsletter traz uma cobertura geral do Open Innovation Seminar, com comentários dos organizadores, da empresa patrocinadora-participante Fosfertil e de Henry Chesbrough, e uma notícia sobre as iniciativas pró inovação da Agência USP. O coordenador do NIT da USP divide as ações em dois tipos: aquelas em que a agência responde a demandas das empresas (parcerias para co-desenvolvimento e o Portal i3 Open Innovation, recentemente lançado) e aquelas que surgem de avanços científicos e tecnológicos e do empreendedorismo dos grupos de pesquisa da universidade e da comunidade universitária como um todo (licenciamento de patentes, incubação de spin-offs e a Olimpíada USP de Inovação).
O boletim, finalmente, convida à leitura de algumas notícias sobre inovação aberta publicadas entre outubro e novembro em diversos veículos online e dos nove artigos acadêmicos da edição especial sobre PD&I aberta do periódico R&D Management. A resenha dos artigos mostra que a open innovation está se consolidando como tema de pesquisa (aparentemente, sem participação de acadêmicos brasileiros – ainda…).
Nesta edição de novembro do Boletim Inovação Aberta, a Allagi participou com patrocínio e colaboração.
Add comment 02/12/2009
O uso da tecnologia de colaboração nas empresas
por João Andrade
Os trabalhadores do conhecimento, categoria que representa 75% da classe trabalhadora norte-americana, são players importantes na inovação e crescimento sustentável, mas a maior parte do seu trabalho ainda permanece incompreendida. Seu papel nas corporações é o de colaboração, o que se traduz em interagir para resolver problemas, promover o engajamento com parceiros, servir os clientes e fomentar novas idéias. A tecnologia e os processos desempenham um papel de suportá-los no trabalho, aumentando sua produtividade.
A natureza do trabalho colaborativo varia entre altos níveis de abstração, como o desempenhado por cientistas, até a manutenção de redes profissionais de contato, para a resolução de problemas mais simples. Aumentar a qualidade do trabalho executado por esses diferentes perfis não é uma tarefa trivial, requer uma visão sistemática sobre tecnologias de suporte (wikis, redes sociais, vídeos, google wave) e sobre a natureza do trabalho a ser desenvolvido (complexidade, intensidade e periodicidade de interações, dentre outras).
Estruturar o trabalho colaborativo pode economizar bastante tempo e dinheiro, minimizando o dispêndio de esforços em iniciativas desnecessárias. A maior parte das empresas está começando a trilhar este caminho e, ainda que a tecnologia seja tradicionalmente associada à redução de custos e headcount, no paradigma de trabalho colaborativo, é um multiplicador de interações e de extensão da esfera de influência dos trabalhadores do conhecimento.
A aplicação de tecnologias de suporte à colaboração passa por entender quais os requisitos específicos para tarefas interativas (escopo da colaboração, fluxo da informação pelos stakeholders), mapear quais tarefas geram valor para a organização (colaboração com o cliente, parceiros, etc) e determinar as ineficiências e desperdícios que podem afetar as interações (divergência, desentendimento, dentre outros). De posse destas informações, o gestor de inovação pode estabelecer a base para o trabalho colaborativo em sua empresa.
Fortalecer a colaboração na empresa requer competências não muito intuitivas para a maioria dos gestores. Tomando como o exemplo o rapaz que ganha R$12.000 para ficar na internet na Tecnisa, citado por Romeo Busarello, Diretor de Marketing, durante o Open Innovation Seminar 2009, percebe-se o caráter de novidade do trabalhador do conhecimento e de seu ferramental produtivo. As empresas devem atentar para esse novo profissional colaborativo, segmentando suas tarefas críticas e provendo a infraestrutura necessária para desempenhá-las.
1 comment 27/11/2009
Colaboração na prática
por Anna Helena Juenemann
Notícias publicadas na web na semana passada sobre colaboração em empresas e crowdsourcing para resolver problemas de bairros e cidades.
Defining Common Collaboration Tensions (blog da Harvard Business Publishing, 06/05/2009)
A colaboração, palavra definida de forma vaga por 70% dos CEOs que acreditam que ela é crucial para seus negócios, foi muito utilizada até a recessão como sinônimo de progresso, já que foi compreendida como a união de pessoas que trabalham de forma coordenada para atingir objetivos comuns. Há, porém, diferentes escalas na curva de colaboração, considerando que quanto mais interações e pessoas unidas há em um ambiente cuidadosamente criado, melhores são os índices de performance. As diferentes escalas da curva são divididas em transactional versus relational collaboration; loosely versus tightly coupled e static versus dynamic, definidas ao longo do texto da Harvard Business Publishing. Esta situação leva à questão de definição do tipo de escala de colaboração que gerará as curvas de colaboração. Pretende-se assim descobrir se as pessoas e instituições posicionam-se melhor através do trabalho conjunto com relações flexíveis e duradouras, em que a performance coletiva rapidamente aumenta e novos conhecimentos se acumulam no tempo.
Dutch FixMyStreet Goes Live! (blog Open Innovators, 26/04/2009)
Apesar de a colaboração ter um signifcado amplo, ela tem funcionado na prática, a exemplo do Verbeterdebuurt.nl, lançado no dia 25 de abril na Holanda, na busca da participação dos cidadãos através de idéias para resolução de questões das ruas e da vizinhança. Esse site foi inspirado no britânico FixMyStreet, que alcança, em média, 1.000 tópicos por mês. A Verbeterdebuurt.nl chegou no seu lançamento a 100 tópicos. Essas iniciativas são dirigidas por massas criativas – creativecrowds – e suportadas por pioneiros digitais. Considerando que os problemas provém das cidades e bairros, os cidadãos são os que têm uma melhor visão a respeito do que acontece, reduzindo a reação dos lead times. Os problemas são normalmente encaminhados para o governo, onde uma idéia precisa de 10 pessoas que a suportem para seguir em frente. No entanto, em menos tempo, o FixMyStreet resolve aproximadamente 45% dos problemas com idéias da massa de pessoas – crowdsourcing. Acredita-se que o crowdsourcing venha a ser relacionado a longo prazo a “good corporate citizen”.
Add comment 19/05/2009
Uma Torre de Babel da inovação
por Verónica Savignano
Hoje quero indicar para vocês a leitura de mais um texto sobre políticas públicas e Open Innovation. Trata-se do relatório da Vision Era.Net intitulado Policies for Open Innovation: Theory, Framework and Cases. O estudo, realizado por pesquisadores dos Países Baixos, Bélgica (Flandres) e Estônia, com a participação de Henry Chesbrough, indagou a presença de políticas públicas para Open Innovation nesses países.
Antes de começar, curtam esta bela paisagem dos Países Baixos
Vamos agora aos resultados do estudo!
Nesses países, estão muito presentes as políticas para:
- incentivar o financiamento de pesquisa e tecnologia
- estimular a interação, de modo geral, e os clusters regionais, mais particularmente
- garantir o acesso ao financiamento para empreendedores
- difundir de maneira organizada o conhecimento científico
- estimular a concorrência
Estão razoavelmente presentes as políticas para:
- estimular a ação de intermediários, por exemplo, para gerenciar as redes de colaboração e a propriedade intelectual
- incentivar a criação e sobrevivência de novos empreendimentos, que dinamizam a economia e desafiam as empresas consolidadas a inovar mais
- oferecer financiamento à pesquisa, abundante e distribuído de acordo com critérios de excelência
- incentivar a educação em todos os níveis
- flexibilizar o mercado de trabalho em prol da mobilidade do trabalhador
Pouco presentes, as políticas para:
- apoiar sistemas de propriedade intelectual de alta qualidade
- desenvolver ambientes interativos, com informação e assessoria sobre colaboração, networking, empreendedorismo e gestão da propriedade intelectual
- educar para o empreendedorismo
- avaliar a distribuição do dinheiro público para pesquisa
- permitir a migração de trabalhadores, que deve ser vista como oportunidade em vez de ameaça
Nada ou quase nada presentes, as políticas para…
- incentivar standards industriais
- incentivar “user innovation“, considerando que os usuários são agentes de P&D muito mal representados nas estatísticas
- intensificar os mercados de tecnologia, criando, por exemplo, sistemas para cotar e licenciar a propriedade intelectual e para visualizar a oferta e a demanda
- estimular o empreendedorismo corporativo
Vale destacar para os nossos leitores acadêmicos que estudam estes temas que os autores do texto dão as seguintes sugestões para continuar a pesquisa por eles iniciada:
- pesquisas similares em outros países (why not Brazil!)
- estudos mais quantitativos, comparando quanto dinheiro é investido em cada linha de política pública
- estudos sobre a relação entre a globalização e a otimização da elaboração de políticas públicas: quais podem ser oferecidas pelas nações, quais em nível internacional, quais numa combinação de ambos os níveis
O relatório finaliza concluindo que Open Innovation pede adaptações das políticas públicas em um leque de áreas, que vão muito além da tradicional P&D, como mercado de trabalho e educação. Os autores advertem que é essencial identificar estruturas efetivas que permitam governar e integrar todas essas políticas para o desenvolvimento de Open Innovation.
Tomara que tal difícil missão não acabe como a Torre de Babel, representada nesta obra do artista flamengo Pieter Bruegel the Elder…
1 comment 28/11/2008
Políticas de inovação em tempos de redes globais
por Verónica Savignano
Volto aqui ao post do Rafael, colaborador deste blog, sobre “Open Innovation in Global Networks” – publicação da OCDE lançada no mês passado.
Cada vez mais, diz o resumo executivo do livro, as empresas organizam as suas atividades de inovação em ecossistemas que incluem recursos internos e externos (com crescente equilíbrio entre o gerado dentro da firma e aquilo que vem de fora). Se a estas redes open innovation, acrescentamos a crescente distribuição ao redor do mundo das pessoas, instituições e empresas que as formam, temos como resultado as redes globais de inovação (global innovation networks).
O texto apresenta uma série de diretrizes para políticas públicas de CT&I, que me fizeram refletir sobre a situação do Brasil. Achei que vale a pena comentar algumas dessas questões com vocês:
- Universidades e instituições públicas de pesquisa cada vez mais têm um papel significativo como fontes de conhecimento básico e como potenciais parceiras das empresas inovadoras (apesar de que as colaborações de fato com essas instituições são ainda minoritárias). Os países devem continuar apoiando a pesquisa básica, diz o estudo da OCDE.
- Redes e clusters de excelência ainda são muito importantes, mas essencial mesmo é conseguir boa conexão e bons fluxos de informação nesses sistemas. O grande desafio de gerenciar redes de pesquisa…
- É importante incentivar a formação de gente impregnada da cultura da inovação e apta para trabalhar: em rede, em diferentes países, em diversas áreas e na interface de tecnologias convergentes.
- A maior parte do apoio público à inovação é aplicado exclusivamente na inovação tecnológica e em empresas industriais. A inovação não tecnológica e as empresas de serviços ficam abandonadas, apesar da sua importância no processo de inovação…
2 comments 10/11/2008
Já vimos esse filme
Por Cláudia Castelo Branco
O computador foi criado, inicialmente, para processar informações. Hoje, quando pensamos em computadores, pensamos na Internet e na troca de mensagens instantâneas. Pensamos em comunicação muito mais do que em processamento. É claro que o computador continua sendo uma máquina de processar e comunicar, mas seu avanço de estações estáticas para o universo da mobilidade nos permite pensar nas diversas soluções para captação de toda essa produção digitalizada. E eis que a solução que vinga no momento é do formato da mesma maçã que um dia fez a concorrência parecer sucata.
Sim, estou falando do Iphone, a plataforma móvel do futuro, o sonho de consumo da década que também faz qualquer celular parecer lixo. Bom, já vimos esse filme antes e cabe lembrar que quando o Macintosh surgiu, nada se comparava a ele – pode ser que até hoje não exista computador melhor que os da maçã, mas provavelmente você não tem um em casa. Daí surgiu um software capaz de transformar qualquer micro em uma máquina eficiente. Era o Windows. Hoje acontece algo semelhante. Até 2009 um software para celular poderá funcionar tão bem quanto o Iphone: o Google Phone, que também poderia se chamar Windows do Google, mas foi batizado como Android.
Não é à toa que o gigante da web mira nos celulares: em 2007 foram vendidos 200 milhões de pcs e 700 milhões de telefones móveis no mundo. Já não restam dúvidas de que os celulares irão virar a principal porta de acesso à rede e quem controlá-los terá o poder. A primeira estratégia do Google – imitando o modelo de negócios que alavancou o Facebook – foi abrir sua plataforma para desenvolvedores de software para celular. A Apple, que não permitia o mesmo, recentemente copiou o Google, que por sua vez copiou o Facebook, ao liberar os códigos do Iphone 3G para desenvolvedores externos. Com algumas restrições, é claro. Fim de caso, então? Claro que não. Hoje as novidades de grande aceitação são baseadas na liberdade de criação e veiculação de idéias. Os investidores estão apenas começando a compreender isso.
Add comment 08/09/2008

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