Posts TaggedColaboração em rede

Nova divisão social do trabalho – Plonski e Benkler

Por Cláudia Castelo Branco

O Prof. Ary Plonski, presidente da Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores (ANPROTEC), propôs de maneira simples e contundente, uma questão que vale a pena ser debatida. “Estamos falando de Open Innovation, mas não estamos também falando de uma coisa mais ampla, de uma nova divisão social do trabalho de inovação?”, colocou o Professor da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da USP, durante sua apresentação no Open Innovation Seminar 2008.

Segundo Plonski, essa nova divisão social é fruto de uma combinação de fatores; tais como uma nova geografia da inovação – que inclui países específicos com grande capacidade de gerar empresas e relações -, uma motivação mais abrangente do que o simples retorno financeiro – isso inclui o desenvolvimento de tecnologias em benefício do planeta – e o aumento do número de atores envolvidos no campo da inovação.

O Prof. chama atenção para o fato de que a inovação, na sua atual forma, não envolve apenas governos, empresas e instuições científicas.“Hoje temos o segmento financeiro, em suas varias facetas, temos entidades intermediadoras, como a Allagi, que é uma entidade não prevista nos modelos clássicos. Isso permite a descentralização dos processos de inovação”, afirma.

Ary Plonski não poderia ter sido mais claro ao pontuar que as relações, nessa nova divisão social do trabalho, continuam sendo competitivas, mas também passam a ser de compartilhamento.
Yochai Benkler, em The Wealth of Networks, também parte dessa perspectiva. A evolução de sua argumentação não requer a denúncia do mecanismo do mercado e de seus processos de exclusão integradora. Suas categorias são firmas, sinais de mercado, indivíduos consumidores e que perseguem os sinais da flutuação dos preços, no cenário de confronto dos interesses distintos da oferta e da demanda.

Um dos pontos mais instigantes na visão de Benkler é a ligação entre a liberdade e a concepção de homem que supera a idéia do homo-economicus, completamente voltado a racionalidade do mercado. No mundo das redes, a liberdade ao invés de aumentar simplesmente a competição, está consolidando também a colaboração e a solidariedade.

A Riqueza das Redes, segundo Yochai Benkler. A Análise Econômica da Produção Social (Capítulos 2 e 4) – Apresentação do Prof. Ary Plonski. Arquivo pdf.

Add comment 27/08/2008

Creative Commons

Por Cláudia Castelo Branco,

Para quem tem interesse em conhecer mais sobre o creative commons e a cultura de compartilhamento, indico o vídeo “A Shared Culture“. Pra acompanhar com legendas, basta clicar no icone ao lado do “i”.

4 comments 05/08/2008

Plataformas abertas para a inovação

por Cláudia Castelo Branco

Com valor de Mercado estimado em US$ 15 bilhões, o Facebook, rede social criada por três alunos da Harvard University, vive um fenômeno completamente diferente na Internet. Nunca uma rede social integrou tanta gente: 64 milhões em todo o mundo. E nunca uma rede social foi tão aberta desde maio de 2007 – ano em que o Facebook abriu a plataforma de software para aplicativos de desenvolvedores externos.

De início, 80 mil desenvolvedores adicionaram novos aplicativos, como agendas e estantes de livros. Conferências para desenvolvedores tiveram as vagas esgotadas, fundos de investimentos foram formados para buscar idéias promissoras com base na plataforma do Facebook e mais uma dúzia de redes de anúncios surgiram para transformar os aplicativos em dinheiro. A Stanford University chegou a criar um curso de aplicativos para o Facebook.

A política de aplicativos livres é, nada mais, nada menos do que um banco de talentos e idéias. Certo! Mas como o Facebook chegou a valer tanto no Mercado criando oportunidades para desenvolvedores? Primeiro, com a criação de um fundo de investimentos em aplicativos desenvolvidos para o site, que acabou gerando uma divisão de venture capital com acesso privilegiado aos desenvolvedores. A Microsoft, que já tinha acordos comerciais com o Facebook, adquiriu uma participação de 1,6% em seu capital, vencendo o outro proponente, o Google, e desembolsando US$ 240 milhões. Vários fundos de venture capital norte-americano mostraram querer uma parte desse negócio.

Plataformas colaborativas e comunidades on-line se constituem hoje em um dos mais fascinantes terrenos para a inovação – tanto em termos de produtos como na comunicação com o consumidor. Isso não significa, porém, que sejam terrenos livres de pântanos. O Google, que não dorme no ponto, também resolveu abrir espaço para programadores através do OpenSocial, “padrões para que qualquer desenvolvedor web possa criar aplicativos para comunidades”. O Orkut já foi integrado ao OpenSocial, mas perde público no Brasil – único país do mundo a viver a febre (o número de usuários do orkut caiu 34% na América Latina, segundo pesquisa divulgada pelo IDGNow ).

É de se esperar, portanto, que a estratégia no Brasil não funcione como o esperado. Primeiro por uma questão cultural, segundo pelos objetivos que a comunidade de cada rede social pretende alcançar.

Acompanhe aqui os mais recentes avanços realizados na plataforma Facebook durante sua conferência anual f8, realizada hoje, para desenvolvedores.

Add comment 24/07/2008

Relacionamento, feedback e colaboração

por Cláudia Castelo Branco

Por falta de profundidade e referências, o modelo de funcionamento da internet é comumente confundido com o socialismo. Como explicar, usando a expectativa da economia de Mercado, que 50 mil pessoas contribuam regularmente e sem pagamento para produzir uma enciclopédia livre? É o fim do capitalismo?Certamente não é o que pensam os investidores.

Para a maioria das pessoas, entretanto, não é fácil entender essas mudanças. Elas vão contra as nossas mais básicas intuições de Economia – intuições baseadas numa economia industrial, numa época em que a única alternativa vista como séria era o Comunismo estatal. Coloco, a seguir, o primeiro de alguns exemplos que irei tratar. São casos diferentes, mas que tem o mesmo princípio. Todos demonstram que a internet pode ser eficiente quando tratada exatamente como como ela é:como um modelo aberto, baseado no feedback entre as relações que a produção colaborativa autoriza.

Vou utilizar o clássico exemplo das gravadoras de música, que supostamente é o segmento mais prejudicado pela troca de pacotes digitais na rede. Nesse caso, modelos abertos têm se mostrado vantajosos para criar frentes de trabalho para profissionais e artistas que não são aproveitados pela indústria estabelecida.

O site Sellaband, por exemplo, lançado em 2006 por um ex-executivo de gravadora, oferece uma solução comercialmente viável para a produção de álbuns sem interferir na livre troca de arquivos. O projeto tira proveito da redução de gastos para a comunicação e coordenação oferecidas pela Web para estabelecer parcerias produtivas entre profissionais da área, artistas e consumidores.

Pela Sellaband, a banda que vender cinco mil “partes de seu projeto de gravação recebe um pacote de serviços que inclui produtor, estúdio e assessoria. As bandas devem criar um perfil e carregar no site algumas das faixas que já tenham gravadas para atrair “believers”(mistura de fã e patrocinador).Cada parte é vendida a US$10, fornecendo à banda US$50 mil para gravar, produzir e mixar o album. Quando a meta é atingida, os “believers”se tornam parceiros da banda e recebem um percentual da receita gerada através da publicidade atraída pelo número de downloads gratuitos no site. Desde o seu lançamento, pelo menos 8 bandas alcançaram a meta, três européias e uma norte-americana.

No próximo post, continuarei citando exemplos práticos de modelos de negócios que envolvem relacionamento, feedback e colaboração na rede.

Add comment 11/07/2008

Integração no Open Innovation

” A inovação não se completa enquanto não entra no mercado, ela não é determinada pela tecnologia, mas pela criação e pela captação de valor. Ela não é gerada internamente. A noção de integração se torna uma idéia muito poderosa no modelo open innovation”.
O exemplo da Apple foi citado por Chesbrough. “Empresas como a Dell e a Microsoft tentaram concorrer com o IPhone, mas não tiveram sucesso. O que torna o IPhone bem sucedido é a criação de uma plataforma que atende todo o ecossistema, ou seja, vários dispositivos criados, como o IPod, por exemplo.Essa integração é muito poderosa no modelo open innovation, porque não envolve só engenharia, mas marketing, economia, design”, pontua o palestrante.

Mais exemplos no cap.6 de Open Business Models

Add comment 16/06/2008

"É preciso colaborar", afirma Chesbrough

Chesbrough pontua em sua palestra as vantagens de ser uma pequena empresa, no âmbito de produtos e serviços:

- foco em um mercado específico
- capacidade maior de atender um nicho
- capacidade de se especializar
- curso de expansão menor.
- com a Internet, as empresas podem ser mais globais com custos menores e mais competitivos
- empresas pequenas possuem perfil empreendedor e menos politicagem interna. Ou seja, é possível tomar decisões e aplicá-las em horas, em dias, ao contrário do que acontece com as grandes empresas.Velocidade gera resultados mais rápidos.

Mas como o open innovation pode ser aplicado nas pequenas empresas?Segundo Chesbrough, é preciso colaborar mais. Muitas empresas pequenas, no modelo open innovation, tornam-se, sim, parceiros importantes.

Algumas questões, entretanto, são colocadas. Como fica a questão da propriedade intelectual? Será que as empresas vão aceitar essas idéias externas?Será que as empresas vão permitir que as idéias internas fluam para outros negócios?As universidades sabem como trabalhar com as indústrias? E as indústrias sabem trabalhar com universidades? O acesso ao capital financeiro e humano é viável? Chesbrough se propõe a responder essas questões fundamentais durante a palestra.

Add comment 16/06/2008

Começa o Open Innovation Seminar

Começa agora o Open Innovation Seminar, com o Prof. Henry Chesbrough, que iniciou sua apresentação agradecendo a oportunidade de estar no Brasil – especialmente à Allagi, Natura, Cristália e demais patrocinadores e apoiadores. “Vou introduzir um pouco sobre minha experiência. Trabalhei dez anos na Quantum, uma pequena empresa que ganhou participação no mercado de discos rígidos. A mensagem que quero deixar é que você não precisa ser grande para ser bom,para ter sucesso. A inovação hoje é muito mais aberta, muito mais distribuída e envolve muito mais colaboração entre as empresas. Se você for capaz de se envolver dessa forma com outras empresas, você pode ter tanto sucesso quando a Quantum teve”, disse Chesbrough.
Henry questiona: será que vamos voltar aquele mundo onde as grandes empresas representavam 70% de participação em P&D? ” Quero mostrar que estamos em um novo paradigma Sim, teremos ainda grandes empresas , mas as pequenas empresas serão responsáveis pelo equiíbrio. Mais e mais pessoas, ao invés de trabalhar somente para uma empresa, mudam de emprego. E quando você vem de uma empresa para uma nova empresa, o conhecimento vai com você. O conhecimento está em nossas mentes e nós carregamos isso de uma empresa para outra. No caso da Quantum, trouxemos diversas pessoas da IBM, pessoas com experiência, relacionamentos, pessoas com capital humano. Ou seja, este é um novo contrato entre empresas e pessoas, que envolve flexibilidade e colaboração”, afirmou.

Add comment 16/06/2008

Equilíbrios pontuados

Os parágrafos a seguir sintetizam parte das idéias de Yochai Benkler, professor da Escola de Direito de Harvard e co-diretor do Centro Berkman para Internet e Sociedade – organização sem fins lucrativos, ligada à Harvard, cuja missão é explorar e entender o ciberespaço, sua dinâmica de desenvolvimento, normas, padrões, e suas relações com as leis e sanções.Benkler é autor de The Wealth of Networks, lançado em 2006, ainda sem tradução para o português.
Este livro, que foi premiado por diversas instituições americanas, analisa o que o autor chama de “produção social”, um modelo propiciado pela internet. Diz Benkler:
“A produção social desenvolve-se de forma alheia a mercados e hierarquias, que são a base dos métodos produtivos praticados tradicionalmente”. Segundo Yochai Benkler, essa produção social é capaz de gerar riqueza nesse novo modelo econômico, baseado em uma rede interconectada da informação, em que a produção pode ser feita de forma não coordenada e com a participação do consumidor na produção e co-criação de produtos e serviços.
Seguem algumas considerações sobre o capítulo 1.
Apenas recentemente nós começamos a ver um jogo político sobre a política de informação e “propriedade intelectual”. Este contramovimento político está ligado a características bastante básicas da tecnologia de comunicação em rede e a práticas crescentes de compartilhamento – algumas, como o compartilhamento de arquivos peer-to-peer, em oposição direta a pleitos proprietários; outros, crescentemente, são instâncias de práticas emergentes de fazer informação em modelos não proprietários e de indivíduos compartilhando o que eles próprios fizerem socialmente, ao invés de padrões de mercado. Essas forças econômicas e sociais estão empurrando uma à outra em direções opostas, e cada uma está tentando moldar o ordenamento jurídico para melhor acomodar seus requisitos. Uma rica literatura em Direito se desenvolveu em resposta a este crescente fechamento nos últimos anos. Segundo Benkler, ela alcançou a sua maior expressão nos argumentos do professor Lawrence Lessig, fundador do Creative Commons. Seu último livro “The Future of Ideas” já está disponível na rede desde janeiro.Agora, todos os quatro livros publicados por Lessig estão disponíveis em licenças Creative Commons.
A organização social e econômica não é infinitamente maleável. Tampouco é sempre aberta a um projeto afirmativo. As práticas de interação humana, como produção de informação, conhecimento e cultura, são conseqüências de um efeito entre práticas sociais, organização econômica, capacidades tecnológicas e limitações formais no comportamento por meio de leis e instituições formais similares. Durante períodos de estabilidade, estes componentes estruturais dentro dos quais seres humanos vivem estão na maior parte alinhados e se validam mutuamente, mas a estabilidade está sujeita a choque em qualquer dessas dimensões.
Algumas vezes o choque vem em forma de uma crise econômica, como nos Estados Unidos durante a Grande Depressão. Frequentemente ele pode vir de uma ameaça física externa a instituições sociais, como uma guerra. Algumas vezes pode vir da tecnologia, como, por exemplo, a introdução da imprensa mecânica de alta capacidade que introduziu a era da mídia de massa. Em cada caso, o período de crise ofereceu mais oportunidades e maiores riscos do que períodos de relativa estabilidade.

Pegando emprestado o termo de teoria evolucionária usado por Stephen Jay Gould, sociedades humanas existem em uma série de equilíbrios pontuados. Os períodos de desequilíbrio não são necessariamente longos. Meros vinte e cinco anos se passaram entre a invenção do rádio e a sua adaptação ao modelo da mídia de massa. Um período similar se passou entre a introdução do telefone e a sua adoção da forma de monopólio utilitário que permitiu apenas comunicações limitadas. Em cada um destes períodos, muitos caminhos poderiam ter sido seguidos. O rádio nos mostrou mesmo dentro do século passado como, em algumas sociedades, caminhos diferentes foram seguidos e depois sustentados através de décadas. Após um período de instabilidade, porém, os vários elementos de limitação do comportamento humano e das capacidades se estabelecem em um novo alinhamento estável. Durante períodos de estabilidades, nós podemos provavelmente esperar pouco mais do que retocar as arestas da condição humana (p.27)

Add comment 20/05/2008


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Allagi é uma consultoria especializada em Open Innovation. "Allagi" vem do grego αλλαγή, que significa transformar, e alude ao conceito aristotélico de transformação de potência em ato. Transformação da pedra em escultura ou das idéias em valor econômico.

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