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Inovação na China: é possível?
por Claudio Mazzola
É comum neste espaço alguns posts tratarem sobre a China. Motivos não faltam.
O post “O que realmente quer a China” cabe aqui confessar, foi uma tentativa um pouco confusa, porque pretensiosa em análise crítica, ao tentar convencer o leitor a encarar de forma mais cética toda publicidade sobre a maior nação em ascensão no mundo.
É inegável que em termos de escala, a produção científica, tecnológica e econômica chinesa bate qualquer país com menos de 1 bilhão de habitantes. Este vigor, porém, não pode ser encarado como sinônimo de um país vanguardista cujo pensamento competitivo está baseado na “destruição criativa”.
Rob Lewis em seu artigo Can open innovation save the West explica de uma forma mais clara e objetiva que embora na China exista um sistema de educação que favorece a ciência e a tecnologia, uma cultura que valorize a atividade econômica e um mercado em potencial não há nas ordens do dia uma agenda pró-inovação como, por exemplo, nos países ocidentais.
“Research and development isn’t the same as innovation but it’s terribly similar.”
Ele também ressalta que para um país estimular a inovação é necessário muito mais do que simplesmente proteger da propriedade intelectual, mas principalmente garantir o fluxo livre da informação.
Logo, tal ceticismo do post anterior quanto a importância da China “potência mundial” não provém somente da cultura generalizada em desrespeitar a propriedade intelectual alheia, mas principalmente porque há um controle excessivo do Partido no acesso e divulgação da informação. Ou seja, no primeiro caso o estado faz pouco caso. Já no segundo, atua de forma intensa. Uma contradição!
Resumindo: como o sistema político é comunista, a informação dificilmente estará “democratizada”. Assim, modelos de inovação como o open ficam praticamente inviáveis por lá.
Por outro lado,
“(…) open innovation could be the opportunity that Western economies are looking for when it comes to competing with the emerging East. It still has a way to go before it becomes standard practice here, but in countries like China, where state censorship of the internet is the norm, it’s inconceivable.
Quem sabe seja esta a pedra para os países desafiarem este Sansão asiático.
3 comments 23/10/2008
O que realmente quer a China?
A pesquisa também indica que a China ultrapassará em breve os Estados Unidos no desenvolvimento de ciência e tecnologia básica, na capacidade de transformar inovações em produtos e serviços e na eficiência de venda para o resto do mundo.
Qualidade futura
Embora a China continue sendo encarada por muitos como um fabricante de produtos baratos e de baixa qualidade, o estudo, intitulado High Tech Indicators, mostra claramente que o gigante asiático tem aspirações muito maiores.
“Pela primeira vez em quase um século vemos a liderança em pesquisa básica e na capacidade econômica de buscar os benefícios das pesquisas – ou seja, criar e comercializar produtos baseados em pesquisa – em mais de um lugar no planeta”, disse Newman.
“É uma situação em que temos produtos tecnológicos no mercado mundial que não são desenvolvidos ou mesmo comercializados nos Estados Unidos. Não temos mais envolvimento com eles e até mesmo não sabemos que eles estão sendo lançados”, destacou.
Próximo Japão
A Georgia Tech tem produzido os High Tech Indicators desde a década de 1980, para tentar avaliar qual país se tornaria o “próximo Japão”, ou seja, o novo adversário dos norte-americanos na economia mundial.
Além disso, se os 27 países da União Européia foram considerados em conjunto, o resultado também deixaria os norte-americanos para trás. Mas o maior sinal dos novos tempos é que os indicadores mostram que a maior parte das nações industrializadas atingiu uma espécie de equilíbrio. O que não se verifica nos números da China, que sinalizam um avanço sem interrupções nos próximos anos.”
Obviamente, não há como negar que no momento, a China seja uma economia emergente em forte ascensão e que, a contínua transformação de seu parque industrial induz cada vez mais a desenvolver a ciência e tecnologia. Entretanto, o fato de ser um país economicamente aberto e politicamente fechado, em tese, gera um grande conflito.
Schumpeter em sua obra “Capitalism, Socialism, and Democracy” dizia que nenhum país que quisesse ter rápido poder e crescimento econômico poderia manter politicamente por muito tempo a democracia. Na China por sua vez, há um crescente apelo interno da população e externo de países pela democratização das instituições enquanto que o Partido Comunista reluta em ser a única voz interna e externa do país. Logo, alguém terá que ceder.
Não obstante, a China por ser comunista, todos os seus sistemas e isto inclui o de educação, não são transparentes. Portanto, não é possível saber a qualidade da formação desses inúmeros estudantes que em breve, atuarão nos mais diversos campos da Ciência e Tecnologia. Além do mais, ainda que possam produzir inúmeros cientistas e pesquisadores de alto calibre, por inúmeras razões, a tendência seria seguir o exemplo da nefasta URSS, que mal teve a capacidade de utilizar o conhecimento tanto da P&D básica quanto aplicada em favor da sociedade.
4 comments 08/03/2008

