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Entrevista do Prof. Henry Chesbrough na HBR Brasil

HBR Dezembro 2009

HBR Dezembro 2009

por André Araujo

A edição brasileira de dezembro último da Harvard Business Review conta com uma interessante entrevista do Prof. Henry Chesbrough, da Universidade da Califórnia – Berkeley, criador e principal referência em Open Innovation no mundo, durante sua visita  ao Brasil para o Open Innovation Seminar 2009.

Na entrevista, que marca a nomeação de Chesbrough como chairman do advisory board da Allagi para aplicação da Open Innovation no Brasil, o foco é dado às possibilidades abertas às empresas brasileiras para inovar no cenário internacional. Chesbrough cita como empresas-referência no tema no País a Natura, do setor de cosméticos e a Omnisys, do de defesa/aeroespacial. Segundo ele, a inovação aberta “já está madura para ser parte do processo nessas empresas”, tendo superado a fase de ideia, ainda bastante teórica.

Como tem reafirmado diversas vezes ao longo destes últimos anos, em diversas entrevistas e conferências, ele comenta que os departamentos de P&D das empresas, na nova realidade da inovação aberta, “devem assumir um novo papel”, conectando os departamentos da empresa e conectando-se com universidades e outras empresas, concluindo que “a inovação aberta pode alavancar o P&D – e vice-versa”.

Chesbrough opina ainda acerca das oportunidades de desenvolvimento do Brasil, baseadas na passagem de uma economia baseada em recursos naturais para outra, fundamentada em conhecimento. Neste contexto, a educação ocupa um papel fundamental, segundo ele.

Além da entrevista, seu mais recente artigo, intitulado “Como a inovação aberta pode ajudar em tempos difíceis” também é apresentado na edição deste mês (cujo tema é “Foco na Inovação), traduzido para o português.

1 comment 18/01/2010

Mercado farmacêutico descobre o modelo de Inovação Aberta

Na revista UPpharma n. 106, edição de julho/agosto, saiu uma matéria interessante sobre o Open Innovation. Intitulada “As vantagens do conceito de inovação aberta”, a matéria apresenta um panorama do evento Open Innovation Seminar 2008 e uma entrevista com o Bruno Rondani. Por meio da entrevista é possível verificar a relação da inovação aberta com o mercado farmacêutico:

PERGUNTA:Como se aplica o conceito de Open Innovation no mercado farmacêutico brasileiro? Como se dá esse processo?

O Open Innovation tem sido aplicado hoje de diversas formas, por diferentes empresas em diferentes setores. A proposta do Open Innovation é que se abram para a geração e comercialização de inovação interagindo mais com o ambiente externo. No setor farmacêutico, o caso internacional mais emblemático é o da Eli Lilly. Com o intuito de aumentar a sua presença na Internet e fazer usos mais inteligentes da rede, a Eli Lilly lançou o programa e.Lilly. O primeiro projeto financiado por esse programa , chamado BountyChem, propôs à empresa que ela deveria expor problemas científicos e tecnológicos de seus projetos de pesquisa e desenvolvimento para o exterior. Imaginou-se que, ao fazer isso, a empresa poderia atrair um rede externa de cientistas dispostos a propor soluções mais rapidamente e a um menor custo. Para que esse modelo funcionasse eles logo perceberam que seria mais interessante se o BountyChem não se limitasse a expor os problemas da Eli Lilly, mas também de outras companhias. Como mais cientistas seriam atraídos, mais empresas teriam interesse em participar da rede. O resultado desse projeto é a empresa Innocentive, um portal que agencia um mercado de “problemas” e “soluções” para projetos de inovação com mais de 145 mil cientistas cadastrados.

O interessante neste caso foi a aposta da Eli Lilly de que haveriam pessoas fora da empresa capazes e dispostas a colaborar com seus projetos de inovação em troca de prêmios em dinheiro, diminuindo o tempo e o custo de seus projetos internos. Outro ponto interessante é que a Eli Lilly não conseguiu fazer isso sozinha, teve que criar uma startup para tocar esse projeto como um negócio e a plataforma teve que se abrir para outras empresas a fim de criar uma comunidade maior de colaboradores e, de fato, tornar o modelo sustentável.

Hoje existem diversas empresas que gerenciam redes de colaboradores similares à Innocentive em diversos setores.

Ações como essas poderiam ser iniciadas ou contar com uma participação maior de empresas e cientistas brasileiros.

Entretanto, o modelo de Open Innovation não se limita à criação de comunidades online e mercados para a inovação. O modelo pode ser aplicado de forma diferente. O Laboratório Cristália, por exemplo, foi muito eficaz em suas parcerias com universidades como USP, Unicamp, UFRJ e Universidade Federal do Amazonas, além do Instituto Butantan, Far-Manguinhos e Santa Casa de São Paulo, no desenvolvimento conjunto de projetos de inovação. O Cristália tem no momento mais de 25 projetos de pesquisa em andamento. Um exemplo de sucesso desses projetos foi o lançamento, que ocorreu este ano, de um medicamento contra disfunção erétil, o Helleva (carbonato de lodenafila), desenvolvido pelo laboratório brasileiro, desde a criação da molécula, em parceria com diversas instituições.

Se por um lado o modelo de Open Innovation está sendo muito bem recebido e adotado, inclusive por empresas nacionais para a geração de idéias e co-desenvolvimento de projetos, ainda está sendo pouco explorado um outro ponto fundamental: a comercialização de tecnologias geradas internamente por uma empresa por agentes externos com modelos de negócios mais apropriados para aproveitar a tecnologia desenvolvida.

PERGUNTA: Quais as vantagens para as empresas do setor?

A Inovação Aberta propõe um modelo mais adaptado ao cenário atual para a inovação. A inovação deixa de ser uma atividade vertical da empresa e passa a interagir mais com o ambiente externo. Como acontece em empresas de outros setores, o aproveitamento de idéias externas, assim como internas, multiplica as possibilidades de inovação. Isso representa uma possibilidade de criação de valor maior. A abertura da empresa para idéias externas diminue o risco dessa empresa perder oportunidades de mercado. Ao explorar novos mercados para as idéias geradas internamente, uma empresa que adota o modelo de Inovação Aberta aumenta o seu desempenho e gera novas fontes de receita em novos mercados.

O setor farmacêutico é essencialmente baseado em inovação. Entretanto, o custo para inovar nesse setor está cada vez maior. Estudos mostram que nos últimos 30 anos a taxa média de crescimento anual em receita no setor farmacêutico americano foi de 11%, enquanto que a taxa média anual em investimentos em P&D cresceu 15%. Sabemos que o modelo tradicional adotado na indústria farmacêutica é um modelo essencialmente fechado e vertical. Ou seja, novas abordagens como a da Eli Lilly são necessárias no setor.

PERGUNTA: Sabe-se que a indústria farmacêutica é uma das que mais investe em P&D. Em função da alta competividade desse mercado, crescimento dos genéricos e ainda forte presença dos similares não é muito arriscado para as farmacêuticas exporem suas invenções de uma forma aberta?

No setor farmacêutico não devemos entender a proposta do Open Innovation como algo que vá contra o modelo atual de proteção da propriedade intelectual por patentes ou segredo industrial. O modelo não propõe que as empresas devam indiscriminadamente expor seus projetos confidenciais a redes de colaboradores e parceiros externos. Tudo deve ser feito com muito critério. A Innocentive enfrentou, com sucesso, essa dificuldade de como expor os problemas científicos de seus clientes de forma informativa o suficiente para atrair cientistas a proporem soluções e, ao mesmo tempo, não revelarem informação confidencial do cliente.

Naturalmente, sempre haverá um certo grau de exposição de uma empresa que adota práticas de inovação mais aberta e em alguns casos será mais interessante para aquela empresa fazer tudo sozinha de forma fechada. Esse risco de exposição deve ser contrabalanceado com o risco de não conseguir resolver sozinho o problema de pesquisa e desenvolvimento ou custar e demorar muito mais para realizar determinado projeto de inovação.

O modelo de inovação aberta não vem para suplantar o modelo de inovação fechada, mas oferecer uma nova perspectiva mais ampla.

O modelo de inovação aberta não deve ser entendido como melhor do que o de inovação fechada simplesmente porque um é o novo e o outro é o antigo. Em alguns casos a empresas deverá preferir usar modelos mais abertos e em outros mais fechados. Isso deverá ser decidido pelos gestores de determinada empresa, de acordo com o projeto. Esse faremos de forma aberta, aquele faremos de forma fechada. Não acredito que a decisão deva ser feita por empresa ou por setor, ou seja, esta empresa deve adotar o Open Innovation, e aquela não, ou este setor deve aplicar o Open Innovation e aquele outro não. Ao meu ver, essa decisão deverá se dar projeto a projeto.

PERGUNTA: Especificamente no Brasil, existem investimentos (programas, incentivos etc.) por parte do Governo que estimulem a aplicação do conceito de Open Innovation?

Tenho procurado demonstrar que sim. Ainda que não seja uma política formal do governo “vamos adotar o Open Innovation como política pública de inovação” vemos que sim, as ações do governo tem esse viés de maior integração entre os diversos agentes do processo de inovação. A Lei de Inovação (2004) tem como objetivo melhorar a integração das universidades e centros de pesquisa no processo de inovação das empresas. A Lei do Bem (2005) foi recentemente alterada com a inclusão de um artigo conhecido como a Lei do Mec (2007), na qual os incentivos fiscais às empresas crescem se o projeto for desenvolvido em parceria com universidades e a propriedade intelectual compartilhada. As universidades têm trabalhado na estruturação de NITs (núcleos de inovação tecnológica) para facilitar a interação com as empresas no co-desenvolvimento de projetos e transferência de tecnologia. O número de incubadoras de empresas de base tecnológica tem crescido nas universidades e são vistas como importantes veículos de transferência de tecnologia da universidade para o mercado. A Finep, com recursos dos fundos setoriais, tem lançado constantemente editais públicos de fomento à inovação tecnológica para projetos em cooperação entre empresas e universidades.

Recentemente, realizamos o primeiro evento dedicado exclusivamente a Open Innovation e em uma das mesas de debate o foco era discutir exatamente se o Open Innovation traz ou não conceitos aplicáveis às políticas públicas de incentivo à inovação. A conclusão da mesa, composta por membros de entidades como ANPEI, PROTEC, FAPESP, INPI, FINEP e FIEP, foi que sim. Conforme mencionou Eduardo Costa, diretor de Inovação da Finep: “Existe um grande volume de capital para ser investido em inovação na FINEP. Precisamos de mais programas e idéias, como as que norteiam o Open Innovation”.

PERGUNTA: No caso das farmacêuticas nacionais, quais as vantagens/benefícios da adoção desse conceito, uma vez que, muitas dessas empresas, não têm o mesmo poder de investimento das multinacionais para investir em P&D?

É exatamente por isso que vemos o grande potencial do Open Innovation na indústria farmacêutica brasileira. Estamos vendo o modelo de inovação verticalizada e fechada erodindo na indústria farmacêutica nos EUA e Europa, que tem muito mais tradição em P&D. Os custos com inovação estão ficando inviáveis para o setor. China e Índia já representam hoje uma grande ameaça para as tradicionais firmas americanas e européias. No Brasil, passamos por um grande fortalecimento da indústria farmacêutica nacional baseado em produtos genéricos e similares. Apesar de alguns casos de sucesso, a indústria farmacêutica no Brasil ainda tem muito pouca tradição em P&D. Por outro lado, a ciência no Brasil avançou bastante e o sistema nacional de inovação se robusteceu nos últimos anos. Temos um cenário bastante favorável para a adoção de práticas de Open Innovation pelo setor: indústria amadurecida com capacidade de absorção de novas tecnologias, centros de pesquisa de excelência em áreas como química e bioquímica, recursos de fomento e financiamento público à inovação.

PERGUNTA: Como está hoje a aplicação do conceito de Open Innovation no Brasil? Qual o número de empresas que utliza esse conceito e qual a previsão para os próximos anos?

Recentemente, realizamos o primeiro evento dedicado exclusivamente a Inovação Aberta no Brasil e contamos com a presença de um público de cerca de 350 pessoas representando mais de 130 entidades e 13 estados diferentes. Realizamos uma breve pesquisa entre as empresas participantes para levantar quais as práticas de Inovação Aberta as empresas já adotam. Como resultado, as práticas mais citados foram parceria com universidades, centros de pesquisa, fornecedores e clientes para o desenvolvimento conjunto de novas tecnologias. Nenhuma empresa citou a comercialização de tecnologias desenvolvidas internamente e comercializadas externamente como uma prática comum. Ainda poucas empresas no Brasil já adotam o modelo de Inovação Aberta de forma explicita. O caso principal é o da Natura que lançou um programa formal em 2005. Outras empresas, como Telefônica, adotam o modelo em suas matrizes e começam a aplicá-lo a partir de programas explícitos no país. Em outros casos, empresas como Laboratório Cristália, Omnisys-Thales, Petrobras e Embraer adotam práticas de inovação aberta, porém ainda não possuem programas formais usando essa terminologia. Afinal, apesar do conceito ser novo, as práticas propostas pela Inovação Aberta não o são. Fazia falta um modelo para auxiliar as empresas a adotarem de forma mais integrada essas práticas. Com a disseminação do conceito, dada a receptividade inicial e os casos de sucesso no exterior e já alguns no Brasil, acreditamos que o número de empresas a adotarem o modelo irá se multiplicar.

1 comment 18/08/2008

Para Rondani, confiança é a base de qualquer parceria

A Gazeta Mercantil publicou, no dia 30 de julho, entrevista com o Bruno Rondani, consultor em open innovation. A seguir, os principais trechos:

São Paulo, 30 de Julho de 2008. Gazeta Mercantil. Por Flávio de Carvalho Serpa

O diretor da Allagi, consultoria especializada em inovação aberta, Bruno Rondani, vê grandes oportunidades para as micro, pequenas e médias empresas no sistema de inovação aberta. Tanto para se lançarem na criação, como para prestarem serviços às grandes empresas. O maior sucesso da Allagi foi assessorar o processo de inovação aberta na Omnisys, que começou em 1997 com apenas três sócios e hoje é uma empresa com faturamento anual de cerca de R$ 40 milhões e 220 funcionários.

Gazeta Mercantil – É caro ou difícil para as micros e pequenas empresas adotarem um modelo de inovação aberta?

É difícil para as grandes empresas se manterem inovadoras contando apenas com os recursos internos. Isso abre espaço para micros, pequenas e médias empresas participarem cada vez mais do processo de inovação de grandes empresas. Não se trata, portanto, de propor que pequenas empresas adotem para si o modelo de inovação aberta, mas entender as oportunidades que o modelo traz para que elas participem do processo de inovação das grandes empresas. É natural que, à medida que o modelo se dissemina e o paradigma da inovação aberta é mais adotado, pequenas e médias empresas passam a adotar nelas mesmas práticas de inovação aberta (parcerias com universidades, joint-ventures, consórcios e redes de inovação).

Gazeta Mercantil – Você já teve alguma experiência de instalar esse processo numa micro ou pequena empresa que possa relatar como foi, com problemas que apareceram e como foi bem sucedido?

Acredito que o caso de sucesso mais emblemático do modelo sendo aplicado em uma pequena empresa é o da Omnisys, que hoje pertence ao grupo francês Thales.A Omnisys nasceu em 1997 e até 2000 só tinha como cliente a antiga Elebra e não possuía funcionários, além dos três sócios fundadores. A partir do ano de 2001, quando a Elebra deixou o mercado, a Omnisys começou a prestar serviços diretamente aos clientes da sua antiga contratante. Em 2003 a Omnisys decidiu fazer uma joint-venture com um média empresa (Atech) para o desenvolvimento de um radar meteorológico. Nessa momento a Omnisys faturava cerca de R$ 5 milhões e possuía uma média de 30 funcionários. A fim de fazer a sua parte no desenvolvimento desse produto a Omnisys firmou parceria com o IPT e a Unicamp. Além disso, conseguiu recursos de fomento da Fapesp dentro do programa PIPE. Assim, a Omnisys estruturou as bases para o que hoje é seu centro de P&D e passou de uma empresa prestadora de serviços a uma fornecedora de equipamentos de alta tecnologia para o setor aeroespacial. Esse processo de desenvolvimento da Omnisys atraiu o gigante Grupo Thales (mais de 65 mil funcionários) que lhe propôs uma parceria para desenvolver em conjunto uma nova linha de radares. A Omnisys contava com 180 funcionários quando, em 2006, passou a integrar o Grupo Thales que comprou 51% das quotas da Omnisys e manteve seus fundadores na gestão da empresa. (…) Nesse processo a Omnisys, ao invés de se tornar uma filial para comercialização dos produtos franceses no Brasil, passou e ser uma parceira global de P&D do Grupo Thales e participa de projetos de inovação para outros países da América Latina, Ásia e, até mesmo, da Europa. Vale lembrar que a estratégia da Thales para competir com sua rival americana Raytheon é justamente fazer parcerias locais para aumentar sua penetração nesses mercados.

Gazeta Mercantil – Que vantagens as pequenas e médias têm sobre as grandes nesse processo?

As pequenas empresas são mais ágeis e menos observadas, portanto, podem atuar com mais liberdade. Com isso ganham tempo na articulação de parcerias. Por sua vez, as grandes empresas são consideradas mais atraentes. Nas universidades, por exemplo, qual pesquisador não prefere dizer que está fazendo uma parceria com uma grande empresa mundialmente conhecida em lugar de mencionar que é com uma micro, pequena ou média empresa?

Gazeta Mercantil – Que cuidados e empresa deve ter em termos de proteção da sua idéia para não ser roubada ou entrar numa fria?

A confiança é a base de qualquer parceria. Existe uma grande tendência das pessoas pensarem que serão roubadas se apresentarem suas idéias a terceiros. Concordo que é verdade que existe esse risco. Entretanto, não podemos basear parcerias na presunção de desconfiança. Onde há desconfiança não deve haver parceria, uma vez que esse é um grande indicador de que a parceria não dará certo.Portanto, os principais cuidados a serem tomados antes de iniciar uma parceria é verificar se existe relação de confiança entre as partes. Um documento que, em geral, recomendamos que seja assinado antes de qualquer contratação ou convênio entre as partes é um memorando de entendimento (MdE). Nesse memorando ficam estabelecidos os interesses de cada parte e como elas pretendem se relacionar. Pequenas empresas devem atuar com um pouco mais de reserva ao adotarem práticas de inovação aberta, pois podem facilmente perder a liderança de qualquer processo de articulação justamente por serem pequenas. Grandes empresas, ao contrário, quando adotam práticas de inovação aberta tendem a divulgar em larga escala seus programas como forma de atrair mais parceiros.

1 comment 04/08/2008

Pequenas empresas investem mais em P&D

Segundo Henry Chesbrough, de 1981 até 2003, o número de pequenas empresas que investem em P&D (Pesquisa e Desenvolvimento) subiu de 4,4% para 22,5%, e a tendência é a de que cresça ainda mais. “Minha mensagem geral é de que não é preciso ser uma grande empresa para obter grandes resultados. Os empreendimentos pequenos são vitais no contínuo circular de idéias promovido pelo novo modelo”, completou o consultor, durante o Open Innovation Seminar.

1 comment 19/06/2008

Natura, IBM, Embraer, Cristália, Omnisys e FGV discutem o Open Innovation

Sônia Tuccori, gerente de P&D e Biodiversidade da Natura, integra o grupo de especialistas e debatedores que compõem a Mesa 1 do Open Innovation Seminar – evento que será realizado segunda-feira, no WTC, em São Paulo. Os investimentos em inovação da Natura giram em torno de R$108,4 milhões. Ogari Pacheco, presidente do Cristália, também integra a Mesa 1. O laborátorio declara investir de 7% a 10% do seu faturamento anual nas atividades de P&D e recebeu em 2007 o prêmio Finep de Inovação Tecnológica pelo conjunto do seu trabalho em pesquisa e inovação.
Representando a IBM, Cezar Taurion, gerente de Novas Tecnologias. Para a IBM, com a globalização dos mercados e a sofisticação dos negócios, não é possível apenas inovar “dentro de casa”, em alto segredo. Clientes, fornecedores e especialistas têm muito a contribuir e a ganhar com o aprimoramento de produtos, serviços e processos de negócios.
Hugo Borelli Resende, cientista chefe de Desenvolvimento Tecnológico da Embraer, também participa do debate sobre iniciativas de open innovation no Brasil. A Embraer se vale bastante de parcerias com outras empresas e é um exemplo de eficiência no mercado brasileiro, por praticar uma cultura inovadora que envolve um processo interativo de múltiplos atores em seu ambiente de trabalho.
Também compondo a Mesa 1, Luiz Henriques, presidente da Omnisys, empresa brasileira de eletrônica, que é referência pela sua capacitação no provimento de soluções de alto conteúdo tecnológico nos segmentos aeroespacial, defesa, telecomunicações, científico, atmosférico e ambiental. A empresa também se destaca pelos convênios de cooperação realizados entre universidades e institutos de pesquisa, visando a capacitação de engenheiros pós-graduandos em técnicas e conhecimentos em diferentes especialidades de projetos e tecnologias voltados para a área de radares.
Flávio Carvalho de Vasconcelos, convidado para moderar essa mesa, é Docente Titular da Escola de Administração de Empresas da Fundação Getúlio Vargas na área de Estratégia Empresarial e Coordenador do Centro de Estudos em Estratégia e Competitividade da FGV/EAESP, onde vem desenvolvendo trabalhos em colaboração com a Harvard Business School.

Add comment 13/06/2008

Rondani fala sobre o Open Innovation Seminar

Direto do site da Época Negócios:

A inovação aberta pode mudar o Brasil

O país já tem um grande capital intelectual gerado por centros e universidade, basta que as empresas captarem isso, diz Bruno Rondani, diretor da Allagi Consultoria e organizador do Open Innovation Seminar. O evento discutirá como alianças com outras empresas, clientes, universidades e até mesmo concorrentes pode ajudar companhias a inovar mais rápido, barato e melhor.

O laboratório Cristália tem parcerias com centros de pesquisa públicos para canalizar o bom desempenho financeiro gerado pela fabricação de genéricos para novas tecnologias próprias. Para criar novos produtos, a Oxiteno, fabricante de compostos químicos do Grupo Ultra, criou um conselho tecnológico e cientifico com especialistas de fora da empresa. A necessidade de inovar rapidamente fez a Natura formar um grupo misto de cientistas brasileiros, franceses, alemães e americanos que pensam juntos em como colocar novos produtos no mercado em menos tempo. Esses exemplos são a prova de que a inovação aberta já chegou ao Brasil.

O modelo representa um novo paradigma de como as companhias desenvolvem novas tecnologias e produtos. Ao fazer parcerias estratégicas com universidades e centros de pesquisa, empresas de outros setores, clientes e até mesmo concorrentes, elas inovam mais rápido, barato e melhor. IBM, Google e Procter & Gamble estão entre as grandes companhias internacionais que aplicam esse conceito com sucesso. A implementação de práticas desse tipo pode mudar o país, segundo Bruno Rondani, diretor da Allagi Consultoria. “O conceito é novo lá fora e ainda mais por aqui”, diz Rondani. “Mas o Brasil já tem um grande capital intelectual gerado por universidades e centros de pesquisa que pode ser aproveitado pelas empresas caso elas encontrem uma forma de captá-lo”. Levantamentos apontam que 70% do investimentos nacionais em inovação são feitos nestes institutos pelo governo.

O consultor acredita que a forma como pesquisadores de centros e universidades encaram as companhias mudou: eles estão mais abertos para cooperar em descobertas e tranformá-las em produtos para o mercado. Cabe às empresas encontrar uma forma de se relacionar com esses pólos, culturalmente distintos do mundo corporativo, para criar valor a partir do conhecimento científico nacional. “Muitas empresas dizem que isso não dá certo, pois os cientistas não respeitam prazos nem entendem o funcionamento de uma companhia”, afirma Rondani. “Mas elas também erram ao pensar nesses institutos com a lógica de terceirização em vez de tranformá-los em parceiros estratégicos em redes de inovação”. Debruçado sobre estudos e levantamentos sobre o tema, o consultor tem percebido uma mudança nesse cenário: cursos de preparação de executivos para gerir alianças heterodoxas começaram a ser lançados e surgiu um forte interesse de empresas em buscar parcerias para inovar, principalmente nos setores farmacêutico e de tecnologia da informação.

Na próxima segunda-feira (16/6), o surgimento da inovação aberta no Brasil será discutido no Open Innovation Seminar, que ocorrerá em São Paulo. O evento reunirá empresas e especialistas para discutir o modelo e seus impactos na forma de fazer negócios por aqui e lá fora. A abertura do seminário será em grande estilo, com uma palestra de Henry Chesbrough, diretor-executivo do Center for Open Innovation da Universidade da Califórnia, em Berkeley, e criador o conceito. Chesbrough foi pioneiro ao identificar essa tranformação e relatá-la no best-seller Open Innovation (Inovação aberta, numa livre tradução do inglês). O evento contará ainda com três mesas de discussão: a primeira avaliará iniciativas nacionais na área, a segunda sessão debaterá como esse novo modelo pode tornar mais eficazes as políticas públicas de incentivo à inovação, e a última discutirá como a inovação aberta pode beneficiar não só o setor de pesquisa e desenvolvimento das empresas, mas também suas estratégias de negócios.

SERVIÇO

Open Innovation Seminar
16 de junho
World Trade Center – São Paulo
www.openinnovationseminar.com.br

Add comment 13/06/2008

CMI Workshop on Open Innovation

Nos dias 22 e 23 de maio tive a oportunidade de participar de um workshop sobre Open Innovation promovido pelo Cambridge-MIT Institute, em Cambridge, Reino Unido.Foi um evento pequeno, com intuito de promover a interação entre pesquisadores juniors e seniors que têm realizado pesquisas sobre o tema.
Ao todo, foram em torno de 60 participantes, representando 10 países (Reino Unido, EUA, Espanha, França, Lituânia, Irlanda, Suécia, Turquia, Alemanha, Holanda), 22 instituições (Universidade de Cambridge, MIT, NESTA, Universidade de Sussex, Universidade de Grenoble, entre outras)) e 7 empresas (IBM, HP, Thomson Reuters Markets, Booz Allen Hamilton, Thomson Tradeweb, Scottish Entreprise, Europarama).
Os principais temas abordados foram: business models; atividades colaborativas de desenvolvimento, open source, tecnologias de informação e comunicação como ferramentas de apoio a Open Innovation e relação universidade-empresa.
Foi uma excelente oportunidade para conhecer pessoas de diversas instituições que têm pesquisado sobre não só Open Innovation em si, termo que se aplica mais à gestão, mas sobre colaboração interorganizacional para P&D como um todo. As empresas participantes também relataram suas experiências e contribuíram para o debate, a partir da exposição de seu aprendizado e dificuldades e limitações do modelo, que não diferem tanto das que enfrentamos no Brasil.
Boa parte das pesquisas apresentadas ainda está em andamento, mas muitas apontam para a difusão das práticas colaborativas, mais do que nunca! O setor de TI ainda predomina entre os trabalhos, mas já há muitos pesquisadores olhando para outros setores, como automobilístico, energético, farmacêutico…
A impressão que tive é que o tema veio para ficar! Mas a maior dúvida ainda é: como implementar Open Innovation?

Add comment 10/06/2008

Open Innovation e Venture Capital – Palestra na FGV

No dia cinco de junho, o André Saito e eu realizamos uma palestra aberta na FGV para discutir com um público de cerca de 60 pessoas – especialmente estudantes, professores e empreendedores interessados no tema de Inovação e Venture Capital,a relação entre o modelo Open Innovation e o Venture Capital. O evento foi organizado pelo GVcepe (Centro de Estudos em Private Equity e Venture Capital da Fundação Getúlio Vargas), Forum de Inovação e Allagi.

Os principais pontos discutidos com público foram:

(1) O Closed Innovation (integração vertical do P&D) foi uma abordagem de sucesso adotada pela empresas para o desenvolvimento de inovações radicais (Chandler 1991) e (Leifer et al, 2000). Consideramos a seguinte definição de inovação radical: (a) novo para o mundo em termos de características de desempenho, (b) melhora significante em características conhecidas (5-10 vezes) e (c) redução significativa de custos (30-50%)

(2) O crescimento do Venture Capital é um dos grandes fatores de erosão do Closed Innovation e favorece a criação de um ambiente de Open Innovation (Chesbrough, 2003)

(3) A lógica do investidor de Venture Capital é buscar negócios de alto impacto (grande potencial de crescimento) aceitando maiores riscos.

(4) O sucesso da indústria de Venture Capital depende da existência de um ecossistema similar ao ecossistema que sustenta o Open Innovation:

Para que uma indústria de Venture Capital exista em um determinado sistema é necessário que haja um ambiente onde estejam presentes os seguintes elementos: disponibilidade de fomento a pesquisa e desenvolvimento tecnológico, ou seja, universidades e agências de fomento; um ambiente que suporte novos empreendimentos como incubadoras de empresas e parques tecnológicos; volume de empreendedores e pessoas dispostas e capazes para deixar suas carreiras e aventurar-se em criar novos empreendimentos; opções de saídas para o investidor Venture Capital como grandes empresas e mercado de capitais; investidores institucionais e gestores de fundos de Venture Capital, e, naturalmente, assessores, advogados e consultores especializados para viabilizar todo esse processo.
Do outro lado, o que Chesbrough propõe como fatores de erosão do Closed Innovation e, portanto, é o que sustenta o surgimento do Open Innovation são: aumento da mobilidade de mão-de-obra qualificada; aumento da qualidade de formação de especialistas em todo o mundo; melhora do nível e participação das universidades e centros de pesquisa no desenvolvimento tecnológico; surgimento de mercado intermediário de inovação e comunidades de inovação; maior distribuição do “trabalho da inovação”; a ruptura de posições de oligopólios tradicionais; a diminuição da hegemonia dos EUA e Europa, e o fortalecimento e acentuado crescimento da indústria de Venture Capital.

(5) Estamos vendo grandes empresas adotando práticas de Open Innovation associadas diretamente à indústria de Venture Capital para a geração de inovações radicais. Em nossa apresentação, discutimos alguns exemplos e iniciativas de Open Innovation de empresas como Cisco, Procter&Gamble, IBM, Intel, Xerox, Google e Microsoft que se aproximam do Venture Capital e propõe trabalhar em conjunto com empreendedores externos para a criação de inovação.

(6) Terminamos a apresentação discutindo se no Brasil também está se configurando um ambiente propício para o surgimento de iniciativas similares.

O material apresentado segue abaixo:

Chandler, A. D., Jr. (1991). Scale and Scope: The Dynamics of Industrial Capitalism. Cambridge, MA: Belknap Press.
Chesbrough, H. (2003). Open Innovation: The New Imperative for Creating and Profiting from Technology, Boston, MA: Harvard Business School Press.
Leifer, R. et all (2000). Radical Innovation: How Mature Companies Can Outsmart Upstarts. Boston, MA: Harvard Business School Press.

Add comment 07/06/2008

Open Innovation e o Cenário Brasileiro – Criação de Programas de Inovação

Elaboramos uma apresentação para discussão do “Open Innovation”, que é o tema do nosso seminário no dia 16 de junho. Esta apresentação, visa apresentar os conceitos básicos de Open Innovation e dar uma visão geral do cenário brasileiro de inovação, através de dados atualizados. Nós proferimos esta palestra no PECE/USP no dia 7 de maio, sob patrocínio do curso de MBA de Gestão e Engenharia de Produtos, que é coordenado pelo Prof. Dr. Paulo Carlos Kaminski, da Engenharia Mecânica da Poli/USP.

Os slides de nossa apresentação podem ser vistos a seguir:

Nosso intuito com este material é iniciar a discussão sobre a aplicabilidade de modelos abertos de negócios na gestão de P&D de empresas brasileiras, para deixar o assunto “quente” para a vinda de Henry Chesbrough.

As inscrições para o seminário estão abertas e podem ser feitas no site http://www.openinnovationseminar.com.br/

6 comments 12/05/2008

Palestra Open Innovation – Allagi e PECE


Na última quarta-feira,
o Programa de Educação Continuada da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo – PECE, recebeu os fundadores da Allagi Consultoria, Bruno Rondani e Fabiano Armellini, que apresentaram a palestra Open Innovation para um público de 100 pessoas.

Os palestrantes apresentaram conceitos e experimentações do que seria um novo modelo de geração de inovação, o modelo de inovação aberta.Em suma, o modelo identifica que organizações e empresas que quiserem obter os maiores ganhos possíveis na utilização do conhecimento como fonte para a inovação têm de adotar uma postura de relacionamento, de interação, de abertura .

“É importante ressaltar que quando falamos na aplicação de um modelo aberto, não estamos tratando necessariamente da passagem de projetos oriundos dos institutos de pesquisa para as empresas. Estamos falando em adotar uma postura ativa na recepção e passagem de informações entre os pesquisadores, centros de pesquisa, núcleos de inovação tecnológica, universidades e outras entidades que estejam voltadas para a produção de conhecimento”, afirmou Rondani.

Segundo Armellini, a diminuição do ciclo de vida dos produtos aumenta os custos internos de desenvolvimento em uma empresa. Essa constatação aliada a mudanças no cenário corporativo mostram a vantagem da adoção de novos modelos de negócios, mais abertos, que aproveitem o ambiente interno e externo como fontes de inovação. Dessa maneira, as fontes externas de uma empresa, tais como parceiros, clientes, consultores e organizações de pesquisa, passam a ter maior importância.

**No dia 16 de junho, a Allagi Consultoria, com o apoio do PECE e demais parceiros, realiza o Open Innovation Seminar 2008, no World Trade Center, em São Paulo. Henry Chesbrough, diretor executivo do Center for Open Innovation da Universidade da Califórnia, em Berkeley, abordará os principais conceitos e aplicações do modelo. Mais informações no site do evento.

Add comment 12/05/2008


Open Innovation Seminar 2010 – Participe!

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Allagi é uma consultoria especializada em open innovation. "Allagi" vem do grego αλλαγή, que significa transformar, e alude ao conceito aristotélico de transformação de potência em ato. Transformação da pedra em escultura ou das idéias em valor econômico.

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