Posts TaggedAdd new tag

Entrevista sobre Open Innovation e os novos paradigmas de C&T na Amazônia

Por Fabiana Grieco

O seminário “Rede Pública de Comunicação da Amazônia: Proposta de Integração em Ciência, Tecnologia e Inovação”, realizado nesta quinta-feira (04/09), está sendo exibido em tempo real pela internet. A transmissão ocorre das 9h às 17h. O Portal Cultura, responsável pela transmissão, permite até duzentos acessos, simultaneamente. Para melhorar o acompanhamento do público, a equipe da Assessoria de Comunicação da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Pará (FAPESPA) é responsável em fazer o monitoramento da transmissão que conta com entrevistas ao vivo durante o intervalo do evento. Bruno Rondani foi entrevistado pela Assessoria de Comunicação sobre o tema de sua conferência “O conceito Open Innovation e os novos paradigmas em ciência e tecnologia na Amazônia”:

Add comment 04/09/2008

Entrevista sobre Open Innovation divulgada pela FAPESPA

Na última terça-feira (dia 26/08) foi divulgada no site da Fundação de Âmparo à Pesquisa do Estado do Pará (FAPESPA) uma entrevista com o Bruno Rondani que antecipa algumas idéias a serem tratadas na conferência “O conceito Open Innovation e os novos paradigmas para investimentos em ciência e tecnologia na Amazônia”. A conferência faz parte das ações programadas para o dia 04 de setembro, data em que a Fundação comemora seu primeiro aniversário.

1. POR QUE A INOVAÇÃO ESTÁ NA ORDEM DO DIA?

O impacto positivo da inovação no desenvolvimento sócio-econômico e na competitividade das empresas é um fato amplamente reconhecido. Cada vez mais a inovação tem sido entendida como um fator que impulsiona o desenvolvimento da economia e das empresas. Quando uma empresa inova ela se distancia da concorrência em um primeiro momento, estabelecendo uma vantagem competitiva e gerando rendas superiores. Essas rendas superiores estimulam a concorrência a imitar ou aprimorar a inovação fazendo com que o processo inovativo funcione como um “motor” da economia. Desta forma, é natural que os países e empresas procurem entender cada vez mais como funciona esse processo. Estimular a inovação, a ponto de transformá-la em um processo sistemático, é pauta dos governos e das empresas.

Esse esforço é facilmente observável pela ampla difusão que o tema da inovação tem tido nos governos, na academia e na cultura empresarial. Os governos têm multiplicado programas de incentivo à inovação, a academia tem produzido cada vez mais pesquisa e literatura sobre o tema, bem como, ofertado mais e mais cursos dedicados à inovação. As empresas, por sua vez, têm investido cada vez mais em difundir a cultura da inovação entre seus colaboradores.

No Brasil o cenário para a inovação tem mudado bastante. A inovação entrou profundamente na pauta das políticas públicas e na estratégia empresarial das empresas. Os mecanismos de fomento e incentivo à inovação têm se multiplicado, o capital público e privado disponível para projetos de inovação tem crescido significativamente , as universidades estão cada vez mais estruturadas para transferir conhecimento e tecnologia para o setor privado, seja via licenciamento, seja via empreendedorismo através de suas incubadoras.

O termo inovação tem ganhado força em importantes discussões acadêmicas, como na reunião anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) que, aliás, será na região norte no ano que vem – em Manaus. Até pouco tempo atrás, falava-se em ciência e tecnologia na SBPC. Hoje se fala em ciência, tecnologia e inovação.

As empresas, por sua vez, têm criado gerencias, diretorias e até mesmo vice-presidências para gerir programas de inovação cada vez mais amplos, demonstrando que o tema está pouco a pouco se consolidando como um aspecto fundamental da estratégia empresarial.

2. O QUE É OPEN INOVATION?

Gosto de definir a Open Innovation como uma nova abordagem sobre como vemos o processo de inovação, ou seja, como um novo paradigma. Até hoje, pode-se dizer que o processo de inovação tem sido visto como algo muito atrelado às competências e recursos internamente desenvolvidos e explorados por uma determinada firma. Baseado na idéia de que tudo aquilo que já está disponível no mercado não pode ser fonte de vantagem competitiva, entende-se que a inovação só é valiosa se a própria empresa a gerar e comercializar, controlando inteiramente o processo.

A Open Innovation propõe que as empresas vejam o processo de inovação de forma mais aberta. O fluxo de conhecimento internamente gerado pela empresa em interação com o conhecimento externamente gerado por outros agentes pode acelerar o processo de geração de uma inovação e, ao mesmo tempo, expandir os mercados para uso externo dessa inovação.

Conforme define o prof. Chesbrough: “A Open Innovation é o uso intencional dos fluxos internos e externos de conhecimento para acelerar a inovação interna e aumentar os mercados para uso externo das inovações, respectivamente. A Open Innovation é um paradigma que assume que as empresas podem e devem usar idéias externas assim como idéias internas, e caminhos internos e externos para alcançar o mercado, enquanto elas buscam avançar suas tecnologias”.

Desta forma, as empresas podem e devem usar tanto idéias externas, quanto internas para criar valor através de uma inovação, bem como, usar caminhos para o mercado tanto externos, quanto internos para capturar parte do valor criado. A Open Innovation pressupõe que a vantagem competitiva não está atrelada exclusivamente à retenção de recursos e competências internamente controlados pela empresa, mas pela capacidade de articulação de recursos internos e externos para si.

A Open Innovation sugere que as empresas devam fazer um uso muito maior das idéias e tecnologias externas em seus próprios negócios, enquanto deixam suas idéias não utilizadas serem aproveitadas por outras empresas. Isto requer que cada empresa abra seu modelo de negócio para deixar mais idéias e tecnologias externas fluírem de fora para dentro e para deixar mais conhecimento interno fluir para fora. Com um modelo de negócio mais aberto, a Open Innovation oferece a possibilidade de menores custos para inovação, tempo mais rápido para o mercado e a chance de dividir riscos com terceiros.

3. COMO A OPEN INOVATION PODE ALTERAR AS RELAÇÕES ENTRE EMPRESAS, MERCADO E CONSUMIDORES?

Ao adotar o paradigma da Open Innovation a empresa naturalmente passará a olhar mais ao redor e procurará uma maior interação com o meio em que está inserida para gerar inovações. A empresa irá buscar formas de interagir com universidades, governos, outras empresas de diferentes setores, com os próprio consumidores de seus produtos e, até mesmo, de não consumidores, de forma a multiplicar suas fontes de inovação e seu caminho para o mercado. A Open Innovation tem, portanto, um potencial de alterar substancialmente a forma como interagem as empresas com seus mercados e consumidores ao fazerem deles parte de seu processo de inovação.

4. COMO ANALISA A ARTICULAÇÃO ENTRE P&D (aberto) E CT&I COM O DESENVOLVIMENTO SÓCIO-ECONÔMICO?

Dentro de um modelo de inovação fechada as empresas investem, prioritariamente, nos seus laboratórios internos de pesquisa e desenvolvimento (P&D), onde buscam criar vantagem competitiva reunindo nesses departamentos os melhores pesquisadores e engenheiros do mercado. Baseado nesse paradigma, a empresa acredita que é de seu departamento de P&D que surgirão as inovações mais impactantes para a empresa no futuro. Nesse sentido, a articulação do P&D empresarial com as políticas públicas de CT&I são limitadas à formação de recursos humanos.

Com uma perspectiva mais ampla, como a proposta pela abordagem da Open Innovation, o P&D empresarial, longe de perder importância para a firma, funciona como uma espécie de alavancador do processo de inovação da empresa multiplicando suas fontes a partir de uma maior interação com o ambiente externo. Assim, a articulação com o P&D das firmas e as políticas públicas de CT&I passa a ser fundamental e é muito mais intensa e favorecida. Desta forma, a tendência é que cooperando, P&D e CT&I produzam um desenvolvimento sócio-econômico superior.

5. DE QUE FORMA OS ARRANJOS PRODUTIVOS LOCAIS E A INSTALAÇÃO DE REDES FORTALECEM AS ECONOMIAS DE ZONAS MENOS DESENVOLVIDAS?

O desenvolvimento econômico, bem como a vantagem competitiva das firmas, dependem da disponibilidade de recursos chaves. Em geral, esses recursos são escassos e as firmas competem por eles (recursos humanos, recursos tecnológicos, recursos financeiros, recursos naturais, etc). Onde a escassez de recursos é mais notável, as empresas existentes não conseguem nem mesmo financiar seu crescimento de forma a controlar a quantidade ótima de recursos necessários para a sua manutenção. Por outro lado, sabemos que o desenvolvimento sócio-econômico e a geração de empregos dependem da capacidade empreendedora para gerar novos negócios e iniciativas inovadoras, bem como da existência de gestores capazes de transformar negócios e iniciativas embrionárias em organizações sólidas capazes de suportar a competição global. Assim sendo, a formação de arranjos produtivos locais e redes de cooperação que permitam empresas de pequeno e médio porte a terem acesso mais amplo a recursos chaves é de extrema importância para o fortalecimento econômico de zonas menos desenvolvidas.

Nesse sentido, o exemplo mais concreto é o da Natura. Embora haja poucas empresas no Brasil que adotam o modelo de Inovação Aberta de forma explicita, podemos apontar a Natura como o principal caso, uma vez que lançou um programa formal em 2005. Ações como o cadastro de cerca de 200 grupos de pesquisa, formados em universidades brasileiras, no portal Natura Campus e a criação da primeira fábrica fora do Estado de São Paulo, a Unidade Industrial Benevides (PA) em 2006, que conta com colaboradores e terceiros residentes em um projeto que prevê beneficiar até 200 funcionários de 27 municípios, apontam a importância dos arranjos produtivos locais e das redes de cooperação.

6. QUAIS OS GRANDES DESAFIOS COLOCADOS ÀS EMPRESAS AMAZÔNICAS NO PROCESSO DE GLOBALIZAÇÃO DA ECONOMIA?

As empresas amazônicas concentram hoje cerca de 5% do valor de transformação industrial do país (conforme estudo do CEDEPLAR/UFMG). Esse é um número significativo que tende a aumentar, já que a indústria no país está se dispersando. O desafio para as empresas amazônicas, em especial, é crescer de modo sustentável. No caso da Amazônia, estamos falando de uma região que concentra a maior floresta tropical do mundo e boa parte de uma biodiversidade ainda em descoberta e inexplorada pela ciência e pelo mercado. É preciso preservar essa biodiversidade. Deve-se, portanto, falar em inovação voltada ao desenvolvimento sustentável, inovação em métodos de produção mais limpos e mais econômicos. Se as empresas amazônicas conseguirem se aprimorar nesse sentido, os avanços obtidos por elas certamente interessarão ao resto do mundo cada vez mais preocupado com o tema da sustentabilidade. As empresas amazônicas têm de forma mais marcante o duplo desafio de se tornarem mais inovadoras e ambientalmente sustentáveis.

Add comment 27/08/2008

Número de patentes e o modelo de Inovação Aberta

Por Fabiana Grieco

Inspirada pelo post do Cláudio Mazzola e pela notícia divulgada na seção da Secretaria de Ensino Superior pelo Portal do Governo do Estado decidi escrever sobre a forma como a questão da produção científica e das patentes pode ser avaliada sob o viés dos modelos mais abertos, como proposto pelo Open Innovation.

Foi divulgado que o número de solicitações de patentes no Brasil aumentou 23% nos últimos dez anos, passando de 19.443 em 1997 para 24.107 no ano passado. Entratento, o registro do número de patentes no último triênio apresentou queda de 13%. Diante desse quadro, é necessário pensarmos em modelos de desenvolvimento mais ajustados à realidade brasileira e ao interesse em competir com os gigantes internacionais.

Podemos dizer que um modelo de negócio que tem por objetivo viabilizar a inovação não pressupõe, necessária e estritamente, o sigilo. O modelo da Inovação Aberta sugere a ampliação das possibilidades de geração de valor, seja pela criação, seja pela comercialização de novas idéias. Seguramente deve haver meios regulatórios que não nos levem a pensar que a proposta do Open Innovation vá contra o modelo atual de proteção da propriedade intelectual por patentes ou segredo industrial.

A questão é que o modelo não prega que as empresas devam expor seus projetos confidenciais às redes de colaboradores e parceiros externos indiscriminadamente. Deve haver critério. Há exemplos de empresas que enfrentaram a delicada relação com parceiros no momento de expor problemas científicos e atrair cientistas, e ao mesmo tempo, conseguir manter as informações confidenciais aos clientes.

É louvável que o INPI tenha fixado duas metas na política industrial, lançada pelo governo em maio, para melhorar o quadro ao buscar duplicar o número de resgistros de propriedade intectual no país, dentro de dois anos, e triplicar o número de patentes no âmbito internacional. Com metas como essas, as empresas brasileiras e instituições de ensino poderão tornar o país mais competitivo, em termos de patentes e número de publicações, diante dos avanços no cenário internacional.

1 comment 30/07/2008


Para reproduzir o conteúdo deste blog

Digite seu endereço de e-mail para receber as atualizações deste blog.

Allagi Twitter

Comentários

Beryl on Microsoft vai abrir códigos do…
Inovação Aberta para… on Think open innovation, diz a C…
João Paulo Dias Andr… on O uso da tecnologia de colabor…
Carlos Eduardo Rodri… on Entrevista do Prof. Henry Ches…
Edna Santos on Artigo sobre parcerias na indú…

Feeds

Bibliografia

Blogs

Casos

Centros, comunidades e associações

Cursos e Eventos

Definições

Estudos e relatórios

Ferramentas

Marketplaces, Portais de Seekers and Solvers e Crowdsourcing

Open innovation

Open innovation services

Políticas públicas

Portais

Programas e iniciativas

Seed Capital e Venture Capital

Seminários

Sistema Nacional de Inovação

Tags

Add new tag allagi China colaboração Colaboração em rede crowdsourcing Cursos e Eventos empreendedorismo Empreendedorismo e Venture Capital evento Eventos FAPESP financiamento FINEP Gestão da Inovação google henry chesbrough incentivos fiscais industria farmaceutica innovación abierta innovation inovação inovação aberta INPI internet lei de inovação lei do bem network Notícias omnisys open business models openinnovation Open innovation open innovation seminar P&D parcerias patentes Políticas públicas propriedade intelectual Redes de Inovação Sistema Nacional de Inovação trabalhador do conhecimento user innovation venture capital webinar

Este blog…

reúne pessoas interessadas em trocar idéias sobre Open Innovation no Brasil. Comente, indique, cite, publique... participe! Contato: veronica.savignano@allagi.com.br

Autores

Allagi

Allagi é uma consultoria especializada em Open Innovation. "Allagi" vem do grego αλλαγή, que significa transformar, e alude ao conceito aristotélico de transformação de potência em ato. Transformação da pedra em escultura ou das idéias em valor econômico.

Arquivos

Bookmark and Share