Riscos da inovação aberta
por Verónica Savignano
O artigo Open R&D and open innovation: exploring the phenomenon, dos editores convidados da edição especial da R&D Management de setembro deste ano (entre eles, Henry Chesbrough), cita um estudo realizado em 2008 com 107 empresas européias de todos os portes, em que as companhias mencionam quais são os riscos ligados a atividades de inovação aberta. Os riscos mais freqüentes apontados pelo estudo são:
- Perda de conhecimento (48%)
- Custos de coordenação mais altos (48%)
- Perda de controle e maior complexidade (41%)
Longe de diminuir a importância da inovação aberta, descrita no mesmo artigo como necessária para atender as crescentes demandas por ciclos de inovação mais curtos e time to market reduzido, os autores aconselham um equilíbrio entre inovação aberta e fechada e instigam os estudiosos a continuar se esforçando para entender melhor os mecanismos do processo de inovação, dentro e fora da companhia.
Add comment 04/12/2009
Notícias, artigos, entrevistas e oportunidades de financiamento
por Verónica Savignano
Saiu a segunda edição do Boletim Inovação Aberta – newsletter bimestral do Centro de Open Innovation -Brasil.
Esta edição traz, entre outros conteúdos, a visão do diretor de Inovação e Novos Negócios da Telefonica, do diretor científico da Fapesp e do gerente de Estratégia Tecnológica da Petrobrás sobre os desafios dos projetos colaborativos de inovação. Os entrevistados apontam como os principais desafios a barreira cultural à colaboração, o bom entendimento entre as partes sobre objetivos, metodologia e expectativas e o estabelecimento de parcerias entre fornecedores e academia. Vejam as respostas completas deles.
Tem também na edição uma notícia sobre a participação do professor Henry Chesbrough no advisory board da Allagi, com palavras dele sobre a incipiente economia do conhecimento brasileira e sobre a rede de pessoas entusiasmadas com a inovação aberta que ele conheceu no Brasil. “Estamos criando uma rede de pesquisadores, executivos e formuladores de políticas públicas para traçar o percurso da open innovation no Brasil”, diz Chesbrough na notícia.
A seção Suíte de novembro descreve o caso do desenvolvimento do radar meteorológico da Omnisys e mostra como pequenas empresas brasileiras podem encontrar seus lugares nas redes mundiais de inovação aberta, apoiando-se em nossas ICTs e em nossas políticas de incentivo à inovação e fazendo parcerias com grandes empresas.
Também sobre redes mundiais de inovação é a oportunidade de financiamento destacada nesta edição do boletim. Trata-se da Chamada Oseo-Finep – um edital no mínimo interessante, que pode ser compreendido como incentivo à organização dessas redes envolvendo pequenas e médias empresas e seus parceiros.
Além disso, a newsletter traz uma cobertura geral do Open Innovation Seminar, com comentários dos organizadores, da empresa patrocinadora-participante Fosfertil e de Henry Chesbrough, e uma notícia sobre as iniciativas pró inovação da Agência USP. O coordenador do NIT da USP divide as ações em dois tipos: aquelas em que a agência responde a demandas das empresas (parcerias para co-desenvolvimento e o Portal i3 Open Innovation, recentemente lançado) e aquelas que surgem de avanços científicos e tecnológicos e do empreendedorismo dos grupos de pesquisa da universidade e da comunidade universitária como um todo (licenciamento de patentes, incubação de spin-offs e a Olimpíada USP de Inovação).
O boletim, finalmente, convida à leitura de algumas notícias sobre inovação aberta publicadas entre outubro e novembro em diversos veículos online e dos nove artigos acadêmicos da edição especial sobre PD&I aberta do periódico R&D Management. A resenha dos artigos mostra que a open innovation está se consolidando como tema de pesquisa (aparentemente, sem participação de acadêmicos brasileiros – ainda…).
Nesta edição de novembro do Boletim Inovação Aberta, a Allagi participou com patrocínio e colaboração.
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O uso da tecnologia de colaboração nas empresas
por João Andrade
Os trabalhadores do conhecimento, categoria que representa 75% da classe trabalhadora norte-americana, são players importantes na inovação e crescimento sustentável, mas a maior parte do seu trabalho ainda permanece incompreendida. Seu papel nas corporações é o de colaboração, o que se traduz em interagir para resolver problemas, promover o engajamento com parceiros, servir os clientes e fomentar novas idéias. A tecnologia e os processos desempenham um papel de suportá-los no trabalho, aumentando sua produtividade.
A natureza do trabalho colaborativo varia entre altos níveis de abstração, como o desempenhado por cientistas, até a manutenção de redes profissionais de contato, para a resolução de problemas mais simples. Aumentar a qualidade do trabalho executado por esses diferentes perfis não é uma tarefa trivial, requer uma visão sistemática sobre tecnologias de suporte (wikis, redes sociais, vídeos, google wave) e sobre a natureza do trabalho a ser desenvolvido (complexidade, intensidade e periodicidade de interações, dentre outras).
Estruturar o trabalho colaborativo pode economizar bastante tempo e dinheiro, minimizando o dispêndio de esforços em iniciativas desnecessárias. A maior parte das empresas está começando a trilhar este caminho e, ainda que a tecnologia seja tradicionalmente associada à redução de custos e headcount, no paradigma de trabalho colaborativo, é um multiplicador de interações e de extensão da esfera de influência dos trabalhadores do conhecimento.
A aplicação de tecnologias de suporte à colaboração passa por entender quais os requisitos específicos para tarefas interativas (escopo da colaboração, fluxo da informação pelos stakeholders), mapear quais tarefas geram valor para a organização (colaboração com o cliente, parceiros, etc) e determinar as ineficiências e desperdícios que podem afetar as interações (divergência, desentendimento, dentre outros). De posse destas informações, o gestor de inovação pode estabelecer a base para o trabalho colaborativo em sua empresa.
Fortalecer a colaboração na empresa requer competências não muito intuitivas para a maioria dos gestores. Tomando como o exemplo o rapaz que ganha R$12.000 para ficar na internet na Tecnisa, citado por Romeo Busarello, Diretor de Marketing, durante o Open Innovation Seminar 2009, percebe-se o caráter de novidade do trabalhador do conhecimento e de seu ferramental produtivo. As empresas devem atentar para esse novo profissional colaborativo, segmentando suas tarefas críticas e provendo a infraestrutura necessária para desempenhá-las.
1 comment 27/11/2009
Programa Pró-Inovação/RS
por Anna Helena Juenemann
A governadora Yeda Crusius assinou ontem os decretos que regulamentam a Lei de Inovação e o Programa Pró-Inovação/RS, anunciou o jornal Zero Hora.
O governo do Rio Grande do Sul demonstra a relevância da inovação para o Estado, promovendo a regulamentação dos principais artigos da Lei da Inovação (Lei nº 13.196, de 13/07/09), através de ações que beneficiam diretamente os setores produtivos e de pesquisa, e lançando o Programa Pró-Inovação/RS. Essas ações, que incentivam a inovação e a pesquisa científica e tecnológica em ambiente produtivo, contribuem para o desenvolvimento do Estado, a medida que ampliam as atividades da indústria e geram mais empregos. Os investimentos se destinam a empreendimentos industriais e agroindustriais e a centros de pesquisa e desenvolvimento que busquem introduzir novos processos, produtos e serviços.
A grande novidade é o Programa Pró-Inovação/RS, que visa incentivar empreendedores de empresas de base tecnológica, com alto grau de competitividade e fortes parcerias com universidades e centros de pesquisa. O programa prevê a concessão de incentivos financeiros e fiscais para empresas que invistam em inovação, desenvolvendo novas capacidades, com utilização de recursos humanos especializados. As pesquisas produzidas serão aplicadas de forma rápida e efetiva no setor, processo que deve agregar mais valor aos produtos, promovendo maior diversificação da economia gaúcha.
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Champions e processos para vencer os desafios do modelo marketplace
por Verónica Savignano
A multinacional do setor de alimentos General Mills, dona de marcas como Häagen-Dazs e Cheerios, anunciou ontem o lançamento de seu portal de inovação, ligado ao programa de inovação aberta G-WIN (“General Mills Worldwide Innovation Network”) da companhia. Em resumo, o portal é uma plataforma online na qual, por um lado, a empresa publica suas demandas em matéria de tecnologias para inovação e, por outro lado, agentes externos (muitas vezes pesquisadores) ofertam soluções tecnológicas para viabilizar a inovação buscada pela empresa.
O portal da General Mills se soma à lista de desafios tecnológicos e marketplaces (estes últimos também conhecidos como brokers tecnológicos ou portais de seekers and solvers), que tem crescido significativamente nos últimos tempos – cada um com suas peculiaridades, claro. Este tema, aliás, já foi levantado em outro post neste blog, que gerou alguns comentários interessantes.
Conversando com o professor Chesbrough no Open Innovation Seminar sobre esse fenômeno, ele comentou algumas das dificuldades intrínsecas aos modelos tipo marketplace:
- A empresa-seeker deve publicar informação suficiente para que o solver possa entender o desafio técnico. Isso representa risco face aos competidores.
- A tecnologia proposta pelo solver é, apenas, o início do caminho da inovação.
- Para que uma idéia externa se transforme em inovação, é necessário que pessoas de dentro da empresa (“strong champions“, usando as palavras do professor Chesbrough) a adotem e conduzam até a realização.
O professor destacou que as limitações do modelo podem ser superadas mediante, por exemplo, a adoção de processos. Parece ser o caso da General Mills, que está há alguns anos estruturando seu programa de open innovation. Em 2005, a empresa identificou a inovação aberta como prioridade estratégica e formou uma equipe dedicada a criar processos para achar e envolver parceiros externos. Hoje, segundo o release da General Mills, esse time é formado por 15 “empreendedores de inovação” (os champions de Chesbrough?) que trabalham dentro da companhia com cada uma das unidades de negócio para identificar oportunidades de inovação aberta.
Em 2007, a empresa anunciou ao público seu programa G-WIN e lançou seu primeiro site, onde convidava os potenciais parceiros a submeterem suas patentes à avaliação da General Mills. Na época, a empresa declarou sua adesão à inovação aberta: “A focus on open innovation has been a critical competitive advantage for General Mills. We believe the next big advance, which may reshape the food industry, has already been invented by someone outside the company, and our goal is to be the first to find it.” Longe da “síndrome do não inventado aqui”, a empresa focava na agilidade para achar os parceiros como vantagem competitiva.
Talvez com a ajuda dos processos e dos champions na companhia, a General Mills obteve bons resultados de sua estratégia de inovação aberta: mais de 40 produtos têm incorporado uma parte significativa de inovação externa desde o lançamento do G-WIN em 2007. Com o lançamento do portal, como diz o release da companhia, o processo deve se tornar mais eficiente.
3 comments 05/11/2009
BioAccelerate NYC Prize
por Claudio Mazzola
Muitas vezes, quando o assunto é políticas públicas em inovação tecnológica, costuma-se pensar logo em iniciativas do governo federal ou, em muitos poucos casos, estadual.
Eis uma iniciativa, se não pioneira, bastante interessante na esfera municipal.
O governo da cidade de Nova Iorque lançou o Prêmio BioAccelerate NYC, uma competição que visa a comercialização das principais pesquisas biomédicas realizadas nos laboratórios locais a fim de que gerem empregos e desenvolvimento para a Big Apple.
Os vencedores serão premiados com até USD 250 mil em subvenção. Em contrapartida, o governo municipal irá receber uma porcentagem das receitas da comercialização dos produtos bem sucedidos financiados pelo programa BioAccelerate NYC Prize para continuar a estimular esforços de pesquisa e comercialização neste campo da ciência.
Outro ponto interessante do projeto é a orientação de empresários da indústria biomédica a fim de ajudar os premiados a refinar o potencial comercial do projeto.
Como o jogo é do “ganha-ganha”, muito provavelmente a ideia se popularizará. Ainda bem.
Mais informações no blog Patent Baristas ou nycbiotech.org.
Add comment 03/11/2009
O que vimos no Open Innovation Seminar
por Verónica Savignano
“Neste ano os participantes estão muito mais cientes/inteirados (“much more aware”) da inovação aberta”, comentou o professor Henry Chesbrough, comparando o Open Innovation Seminar 2009 (realizado pelo Centro de Open Innovation – Brasil com apoio e patrocínio oficial da Allagi) com a edição de 2008, quando ele veio pela primeira vez ao Brasil.
Vale acrescentar às palavras do professor Chesbrough que, nos painéis e sessões deste ano, pudemos ver mais empresas implementando modelos open, mais resultados de iniciativas de inovação aberta, mais casos brasileiros de sucesso em open innovation e open business models, mais variedade nas abordagens da inovação aberta e, sobretudo, mais análise por parte das empresas a respeito de suas ações de open innovation.
Cerca de 350 pessoas interessadas em inovação aberta estávamos no Renaissance São Paulo nos dias 22 e 23. É interessante notar que o ecossistema completo de inovação aberta estava presente no evento: gestores de inovação e P&D de grandes companhias, cientistas, empreendedores, profissionais de universidades e institutos de pesquisa e desenvolvimento, consultores, investidores, representantes de órgãos do governo e do terceiro setor, advogados, escritórios de propriedade intelectual, contadores, profissionais do maketing…
Todos esses dados reforçam a relevância da inovação aberta num momento em que o Brasil, citando novamente comentários do professor Chesbrough, está na transição para uma economia baseada no conhecimento.
Mas as discussões, longe de tratar da pertinência ou não da open innovation, focaram nos desafios que surgem na implementação dos modelos. O primeiro painel mostrou um panorama dos cursos dedicados a formar gestores de inovação e trouxe a discussão de como atender a necessidade de um novo profissional voltado a articular e gerenciar recursos internos e externos. Em outra mesa de debate, vimos uma Petrobrás mostrando seu auto-diagnóstico dos pontos fortes e fracos na implementação da inovação aberta, os resultados dos programas de parcerias da Natura e da Braskem e o caso da Omnisys, que, em se valendo da inovação aberta, passou de micro-empresa a centro de P&D de um grupo multinacional.
O professor Chesbrough, em sua palestra exclusiva, falou longamente sobre como gerar valor econômico a partir dos projetos de inovação que estão agonizando no funil de inovação e detalhou casos de grandes companhias multinacionais que mostraram diversas maneiras de abrir as fronteiras dos centros de pesquisa e desenvolvimento. Chesbrough também participou com comentários e, até mesmo, conselhos, sobre as falas dos participantes dos painéis do primeiro dia.
Redes sociais, empreendedorismo como modelo de inovação, avanços e desafios na interação entre ICTs e empresas… Foram muitos os temas, os comentários e provocações. Certamente, vamos continuar a discussão. Em breve teremos acesso aos vídeos e apresentações para compartilhar com os leitores deste blog. Acompanhem!
1 comment 30/10/2009
Perguntas para palestrantes do Open Innovation Seminar
por Verónica Savignano
Queria comunicar aos leitores que há vários canais abertos para que todos participem do Open Innovation Seminar com perguntas para os palestrantes:
- Fórum no ambiente virtual de colaboração do Centro de Open Innovation – Brasil: http://openinnovationbrasil.ning.com.
- Hashtags no formato #OIS2009Painelx (sendo x o número do painel, que consta na programação). Por exemplo, utilizem #OIS2009Painel2 para enviar perguntas pelo Twitter para o painel “Diálogos abertos sobre Inovação e Redes Sociais”.
- Este blog.
Estamos a apenas seis dias do início do evento! Em sua primeira edição, o Open Innovation Seminar contribuiu para a divulgação do conceito de inovação aberta, que hoje está muito mais presente nos meios de comunicação brasileiros, como pudemos acompanhar por meio deste blog. A edição de 2008 também foi fundamental no levantamento dos programas brasileiros de inovação aberta, como o da Natura, Cristália, Omnisys…Além disso, Henry Chesbrough veio pela primeira vez ao Brasil para o evento e, junto a empresas brasileiras, iniciou a criação do Centro de Open Innovation – Brasil.
Neste ano, com Chesbrough novamente entre nós, o evento oferece uma programação voltada a que os profissionais envolvidos em processos de inovação (gestores, pesquisadores, advogados etc.) discutam a implementação e gestão da inovação aberta e levem conhecimento de valor para suas organizações. A programação inclui temas como:
• Gestão da inovação aberta: processos, ferramentas, métricas, parcerias e gestão da propriedade intelectual
• Financiamento e incentivo público à inovação
• Formação dos profissionais de inovação
• Redes sociais e co-criação
• Venture capital, open innovation & corporate venture
• Instituições de pesquisa e desenvolvimento
E palestrantes/ debatedores de organizações como FIAT, Braskem, Wal-Mart, Buscapé, Bradesco, Rapp Collins, Chemtech – Siemens, Natura, Omnisys, Masterminds, Embrapa, Embraer, Tecnisa, Agência Click, Whirlpool, entre outros.
Aproveitem para enviar perguntas sobre qualquer um dos temas ou para qualquer um dos palestrantes (inclusive Henry Chesbrough).
Add comment 16/10/2009
Corporate venture, venture capital e inovação aberta
por Alexandre Cruz
Há um longo caminho para uma corporação sistematizar seu processo de inovação e caminhar para o chamado corporate venture.
Nele, não faltam perguntas. Quais são as estratégias de open innovation vencedoras em fundos de venture capital e corporate venture? Qual o papel da inovação aberta no empreendedorismo corporativo? Há concorrência ou complementaridade entre corporate venture e venture capital no processo de inovação aberta? Por que a inovação aberta pode ser o caminho mais rápido para implementar o empreendedorismo corporativo em grandes empresas?
No dia 22 de outubro, representantes de fundos de investimento, empresas investidas e grandes corporações (Buscapé, Bradesco, Scopus, MasterMinds) debaterão o assunto com o maior especialista em open innovation, o professor Henry Chesbrough. O painel faz parte da programação do Open Innovation Seminar.
Não percam.
1 comment 13/10/2009
Apresentação sobre inovação aberta
por Verónica Savignano
Leitores, faço questão de recomendar esta apresentação sobre inovação aberta. Poderia comentar muitas coisas, mas prefiro poupá-los da minha introdução e deixar vocês a sós com o material logo.
Fiquem à vontade para deixar comentários e iniciar discussões por aqui.
Add comment 07/10/2009

