Champions e processos para vencer os desafios do modelo marketplace
05/11/2009
por Verónica Savignano
A multinacional do setor de alimentos General Mills, dona de marcas como Häagen-Dazs e Cheerios, anunciou ontem o lançamento de seu portal de inovação, ligado ao programa de inovação aberta G-WIN (“General Mills Worldwide Innovation Network”) da companhia. Em resumo, o portal é uma plataforma online na qual, por um lado, a empresa publica suas demandas em matéria de tecnologias para inovação e, por outro lado, agentes externos (muitas vezes pesquisadores) ofertam soluções tecnológicas para viabilizar a inovação buscada pela empresa.
O portal da General Mills se soma à lista de desafios tecnológicos e marketplaces (estes últimos também conhecidos como brokers tecnológicos ou portais de seekers and solvers), que tem crescido significativamente nos últimos tempos – cada um com suas peculiaridades, claro. Este tema, aliás, já foi levantado em outro post neste blog, que gerou alguns comentários interessantes.
Conversando com o professor Chesbrough no Open Innovation Seminar sobre esse fenômeno, ele comentou algumas das dificuldades intrínsecas aos modelos tipo marketplace:
- A empresa-seeker deve publicar informação suficiente para que o solver possa entender o desafio técnico. Isso representa risco face aos competidores.
- A tecnologia proposta pelo solver é, apenas, o início do caminho da inovação.
- Para que uma idéia externa se transforme em inovação, é necessário que pessoas de dentro da empresa (“strong champions“, usando as palavras do professor Chesbrough) a adotem e conduzam até a realização.
O professor destacou que as limitações do modelo podem ser superadas mediante, por exemplo, a adoção de processos. Parece ser o caso da General Mills, que está há alguns anos estruturando seu programa de open innovation. Em 2005, a empresa identificou a inovação aberta como prioridade estratégica e formou uma equipe dedicada a criar processos para achar e envolver parceiros externos. Hoje, segundo o release da General Mills, esse time é formado por 15 “empreendedores de inovação” (os champions de Chesbrough?) que trabalham dentro da companhia com cada uma das unidades de negócio para identificar oportunidades de inovação aberta.
Em 2007, a empresa anunciou ao público seu programa G-WIN e lançou seu primeiro site, onde convidava os potenciais parceiros a submeterem suas patentes à avaliação da General Mills. Na época, a empresa declarou sua adesão à inovação aberta: “A focus on open innovation has been a critical competitive advantage for General Mills. We believe the next big advance, which may reshape the food industry, has already been invented by someone outside the company, and our goal is to be the first to find it.” Longe da “síndrome do não inventado aqui”, a empresa focava na agilidade para achar os parceiros como vantagem competitiva.
Talvez com a ajuda dos processos e dos champions na companhia, a General Mills obteve bons resultados de sua estratégia de inovação aberta: mais de 40 produtos têm incorporado uma parte significativa de inovação externa desde o lançamento do G-WIN em 2007. Com o lançamento do portal, como diz o release da companhia, o processo deve se tornar mais eficiente.
Entry Filed under: Open innovation, innovación abierta, inovação aberta. Tags: broker tecnológico, champions, chesbrough, G-WIN, general mills, marketplace, portal, processos.
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1.
Rafael Levy | 05/11/2009 at 20:10
Sim, Veronica,
Realmente o uso de marketplaces de inovação é apenas uma etapa de um processo de open innovation das empresas, que tem grandes chances de morrer na praia se não for adotado por “champions” ou empreendedores internos.
Já tinha tratado brevemente sobre esse assunto no post:
http://blog.allagi.com.br/2008/09/18/empreendedorismo-e-intermediarios-da-inovacao/
2.
Ricardo | 06/11/2009 at 15:10
Um ponto interessante é que as empresas não precisam investir em portais próprios. O portal http://www.novitate.com é um bom exemplo de portal na web que pode ser customizado e sigiloso de acordo com as necessidades da empresa.
3.
Verónica Savignano | 06/11/2009 at 16:01
Obrigada pelos links!
Rafael, o estudo ao qual te referes no post detalha qual é o perfil desses “champions”?