OIS 2009: Métricas para inovação
29/09/2009
por André Araujo
“Métricas para Inovação” será o tema de uma das interessantíssimas sessões de debate da edição deste ano do Open Innovation Seminar. Assunto atual e recorrente na literatura de inovação, são numerosos os relatos de casos de métricas insuficientes, de funcionamento inadequado, que não têm uso prático; em suma, não é exagero dizer que se observa que a maioria das firmas não possui métricas que possam auxiliar efetivamente na gestão da inovação. No Brasil, o cenário é ainda mais caótico: muitas empresas simplesmente não adotam métricas de inovação nos seus sistemas gerenciais.
Para ilustrar a complexidade do assunto, tomemos de início dois levantamentos realizados recentemente por grandes consultorias internacionais de gestão: o “McKinsey Global Survey Results: Assessing innovation metrics”, conduzido em outubro de 2008 e o “Measuring Innovation 2009, The need for action – A BCG Senior Management Survey”, realizado já neste ano. Enquanto o primeiro conclui que as empresas estão, de maneira geral, satisfeitas com o uso de métricas para avaliar seu portfólio de inovação, o segundo afirma, contrariamente ao primeiro, que a minoria dos executivos entrevistados se diz satisfeita com as práticas adotadas por sua empresa para medir inovação. Conclusões conflitantes que demonstram a falta de consenso mesmo entre os principais executivos, quando o assunto é métricas.
Um artigo publicado em 2006 (Innovation Management Measurement: A Review) na International Journal of Management Reviews, de autoria de Adams, Bessant e Phelps, tenta esclarecer o tema, sistematizando boa parte do que já foi estudado acerca de métricas de inovação. Os autores criam um framework, com sete dimensões, e encaixam os indicadores já propostos em cada uma destas, que são: inputs, gerenciamento de conhecimento, estratégia de inovação, cultura e estrutura organizacional, gerenciamento de portfólio, gerenciamento de projeto e comercialização.
Entretanto, sistemas de medição de inovação nas empresas freqüentemente tomam formas mais simples, o que é preferível, visto que a complexidade não favorece a compreensão por parte dos funcionários, nem a praticidade de uso no dia-a-dia da companhia. Com efeito, métricas que demandam muitos recursos para serem avaliadas provavelmente não serão tão úteis a ponto de a empresa se permitir despender todo este esforço. Talvez um dos poucos consensos em se tratando de métricas seja que estas devem ser simples, fáceis de disseminar pela empresa.
Desta forma, um esquema comumente utilizado compreende três categorias de métricas de inovação: input, processos e output. A lógica desta divisão é a de medir recursos alocados para atividades de inovação, a eficácia dos processos inovativos e os resultados que daí decorrem. Se a firma previr recursos escassos para inovação, estará fadada a colher resultados pouco expressivos, o que também ocorrerá se seus processos não funcionarem adequadamente. Ou seja, este framework simples prevê indicadores que permitem avaliar, de forma geral, os fatores necessários para o bom funcionamento do processo de inovação e os resultados gerados como conseqüência.
Há muitas outras opções de frameworks que podem ser utilizados. Um que não se pode deixar de citar é o Balanced Scorecard, que, apesar de não ser focado em inovação também prevê indicadores que avaliam o desempenho destas iniciativas da empresa, alinhando-se à estratégia da firma.
O desafio converge não para saber qual framework é melhor, mas para investigar qual é mais apropriado para cada empresa. Companhias com atuações bastante distintas provavelmente apresentarão variações significativas de um bom sistema de métricas. Da mesma forma, esquemas personalizados para cada empresa serão certamente mais eficientes que a simples replicação de alguma metodologia, por levar em conta as particularidades do ambiente que se está analisando.
Interessante na sessão que ocorrerá no Open Innovation Seminar será observar como empresas inovadoras estão lidando com métricas, quais avanços foram observados. Quais frameworks são utilizados? Constataram-se resultados práticos interessantes com a implementação das métricas? As métricas são efetivamente utilizadas para alinhar incentivos e compensações a elas? Houve extensa comunicação para a empresa das métricas adotadas? Essas e outras perguntas serão interessantes para o debate.
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