Novo artigo de Chesbrough: externalizando tecnologias para lidar com a recessão

11/06/2009

por Verónica Savignano

O mais novo artigo de Henry Chesbrough (Use Open Innovation to Cope in a Downturn, publicado na edição online de junho da Harvard Business Review) é de leitura obrigatória para praticantes e estudiosos da inovação aberta.

Muito rico nos seus cases e conceitos, o artigo aborda o esquecido aspecto “inside-out” da inovação aberta, que se refere à externalização de idéias e tecnologias por meio de, por exemplo, spin-offs e licenciamento de patentes internas. Essa externalização complementa, no paradigma da open innovation, a internalização de idéias e tecnologias no processo de inovação, ligada a contribuições de usuários e clientes, co-desenvolvimentos com parceiros, compra de tecnologias etc.

Mas qual a relação proposta pelo artigo entre a externalização e a recessão econômica? Se por um lado, diz o texto,  a história prova que as empresas que continuam investindo em inovação durante tempos difíceis são as que colhem melhores frutos quando a economia melhora, por outro lado sabe-se que o foco é fator crucial de sobrevivência. A seleção de projetos aos quais se dedicará tempo e o dinheiro se torna mais rigorosa durante a recessão.

O desafio, então, consiste em focar no core e, ao mesmo tempo, preservar as opções de crescimento, pois são elas que garantirão uma posição privilegiada no mercado quando a recessão acabar. Nesse contexto, adotar determinados modelos de inovação aberta pode ser a chave para que o desafio não se transforme em dilema sem solução.

Este artigo de Chesbrough tem co-autoria de Andrew Garman, fundador e managing partner da New Venture Partners – uma das companhias de venture capital pioneiras em explorar oportunidades de externalização de tecnologias.

Os autores propõem 5 caminhos para realizar projetos de inovação nesse contexto:

  1. Deixar que outra empresa desenvolva e/ou comercialize a inovação e virar seu cliente ou fornecedor principal.
  2. Transformar o projeto de inovação num spin-off desenvolvido e financiado por investidores externos e ficar com uma parte das ações ou, até mesmo, comprar a companhia se o empreendimento teve sucesso.
  3. Licenciar as patentes engavetadas, extraindo valor dos esforços de P&D feitos no passado.
  4. Recorrer aos parceiros do ecossistema de inovação aberta da empresa (clientes, pesquisadores, associações, colaboradores etc) para realizar o projeto de inovação, fortalecendo as parcerias.
  5. Criar espaços abertos (sistemas de gestão do conhecimento, incubadoras e parques tecnológicos, por exemplo) onde colocar idéias e projetos da companhia, reduzindo custos e expandindo a participação externa.

Finalizando o meu post, quero convidar nossos colaboradores e seguidores s a lerem o artigo e comentarem cada um dos caminhos propostos. Seria muito interessante que conseguíssemos reunir alguns exemplos brasileiros também…

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