Crowdsourcing: consumidores contribuintes no processo de inovação
09/06/2009
por Anna Helena Juenemann
A visão do crowdsourcing como contribuinte à resolução de problemas sociais pode ter outra vertente, a de massa contribuinte para a inovação nas empresas, seja com opiniões dos consumidores a respeito do que deveria ser acrescido ou modificado nos produtos/serviços, seja com hackers, que os transformam sem pedir permissão, adequando-os ao que os consumidores – eles próprios – querem. A questão é que muitas empresas percebem essas manifestações como prejudiciárias à organização, como uma invasão dos consumidores e não como contribuição. Nesse caso, há exemplos de empresas que já processaram hackers. Enquanto isso, há também as que se aproveitam dessa vantagem de poder contar com os consumidores e inovam abertamente incluindo as suas idéias nos seus processos.
Atualmente eles têm se manifestado online por meio dos mais diversos canais, a exemplo de youtube, orkut, twitter, etc, expondo as suas opiniões, percepções, desejos e expectativas em relação aos produtos. A web permite aos usuários interagirem e compartilharem informações, chegando a conclusões que podem ajudar as empresas de forma gratuita, pois os consumidores mostram exatamente o que eles desejam ao se manifestarem online. Uma das hipóteses para os usuários contribuírem espontaneamente diz respeito à paixão pela marca, considerando que essa marca saberá compreender e produzir o que eles querem.
Os consumidores estão se tornando agentes no processo de inovação aberta, à medida que são capazes de eles próprios explicarem o que desejam consumir, criando comunidades de inovação, em que são unidas pessoas de diferentes áreas, que, juntas, são capazes de inovar. As comunidades de inovação tomam o lugar das comunidades de prática, com pessoas de mesma formação que criam conteúdo conjuntamente. Para as empresas que aproveitam essa oportunidade, esse processo tem facilitado de certa forma os seus processos, considerando que é mais difícil errar o que o cliente quer, pois ele sabe dizer o que deseja e como quer que fique o produto. Há, porém, empresas que ainda não percebem a oportunidade de inovar com o cliente, não identificando-o como fonte de informação para a sua estratégia e sim como um consumidor apenas, que compra o que ela produzir, de acordo com as estratégias de preço e qualidade que ela adotar.
Todavia, os consumidores buscam produtos diferenciados e pagam mais por eles, tanto que compram produtos fair trade – certificação de qualidade de produtos produzidos por pequenos agricultores e comerciantes de países em desenvolvimento. Esse exemplo é um demonstrativo de que os consumidores estão dispostos a pagar por um produto melhor. Na Europa, os produtos com essa certificação, apesar de serem mais caros, são comprados por muitos consumidores. Nos Estados Unidos, o Iphone é um exemplo de produto inovador, que une diversos recursos em um único aparelho. É caro, mas é sucesso de vendas pela sua característica inovadora. Ou seja, por qualidade diferenciada e por itens inovadores, os usuários estão dispostos a se manifestar e a pagar preços mais altos. Basta as empresas saberem como incentivar os clientes a contribuírem.
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