O futuro do mercado de brokers tecnológicos
10/12/2008
por Jonas Mendes Constante
Pessoal,
Hoje fiquei sabendo da criação por parte da Universia de mais um broker tecnológico. Concebido através do modelo de inovação aberta, o serviço chamado de Innoversia, assim como outros brokers mais famosos como Innocentive e Ninesigma, pretende aproximar o conhecimento gerado pelos cientistas e as demandas da indústria.
O surgimento de novas plataformas com esta finalidade continuará, porém, até quando? Na minha visão, surgirão brokers para nichos específicos e, a partir de um determinado ponto, uma consolidação neste segmento será necessária. O desafio para qualquer um dos big players deste mercado é integração com outras plataformas, de forma que se tornem mais relevantes, agregando o maior número de pesquisadores e demandas do mercado.
Gostaria de saber da opinião dos leitores e participantes do blog sobre o futuro dos brokers tecnológicos. O que acham?
Abraços!
Entry Filed under: Open innovation, Parceria Universidade-Empresa, Redes de Inovação. Tags: brokers tecnológicos, innoversia.
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1.
Bruno Rondani | 17/12/2008 at 02:19
Minha opinião é que essas redes de intermediação de idéias e soluções entre comunidades organizadas via web já se mostraram viáveis: temos muitos exemplos de casos que deram certo. Entretanto, creio que há um longo caminho a percorrer para que elas se tornem de fato relevantes para o processo de P&D e inovação das empresas.
Meu palpite é que essas redes vão ainda se multiplicar e existir por um bom tempo ainda. Porém com modelos de operação muito distinto dos atuais formatos das empresas como Innocentive e Ninesigma.
Só ressalto que essas redes (organizadas via web) são apenas um dos tipos de prática de open innovation que emergiram nos últimos anos. Não creio que elas venham a ser o elemento central da estratégia de open innovation da maioria das empresas.
2.
Thiago Lavor | 11/04/2009 at 12:38
Existe uma crescente busca pela inovação e por forma de revolucionar os processos e produtos da empresas. No mundo, sites como http://www.innocentive.com/ , http://www.cambrianhouse.com/ , http://www.yourencore.com/ e http://www.yet2.com/ são exemplos de mecanismos de inovação aberta, que permitem que processos colaborativos, também conhecidos como inteligência coletiva, agreguem valor e resultados a diversas empresas por intermédio de sua rede de usuários.
Case de como gigantes do mundo do negócios já revolucionaram sua gestão por adotar o conceito da inovação aberta e participação colaborativa, como a IBM, P & G, Boeing, BMW etc são destacados na mídia e na bibliografia. No entretanto existe um importante entrave no Brasil para utilização desta interação Universidades-empresa. Segundo um estudo do Banco Mundial (Bird), o Brasil está ficando para trás em comparação com outros países em desenvolvimento quando se trata de produzir conhecimento novo e de convertê-lo em resultados práticos. Um dos fatores da deficiência brasileira são universidades distantes do setor produtivo e voltadas mais para conhecimento teórico do que prático e tradição de importar e adaptar tecnologias, em vez de criá-las. Relativo a pesquisa cientifica a deficiência se repete. O Brasil está publicando pesquisas em um ritmo bastante aceitável, tendo hoje 2% dos artigos científicos de revistas e jornais internacionais. Mas o número de patentes é de 0,18% das patentes internacionais são brasileiras.
Antes que este tipo da interação seja possível vai ser necessário vencer problemas culturais diretamente ligados a estrutura do sistema, fato que nos deixa muito atrás das universidades norte americanas e européias. Alem do problema mais serio que é dar mais valor para o que vem de fora do que da tecnologia que é produzida aqui. Será necessário a quebra de um grande paradigma até que a inovação aberta seja realidade no Brasil, não só pela falta de foco das universidades, como também pela valorização do conhecimento cientifico, que muitas vezes não é consenso no mundo empresarial.
Mas sem duvida a discussão é o primeiro passo…
3.
Jonas Mendes Constante | 11/04/2009 at 17:13
Thiago,
Na minha opinião a mudança de cultura passa justamente pela forma de incentivo dado aos pesquisadores no Brasil. Ao invés de premiá-los por suas publicações em revistas e jornais internacionais, o governo deveria também (ou até mais) cobrar e recompensar pela participação destes em novas patentes.
Como nosso sistema de inovação não tem esse norte, nos tornamos um país de bons índices de publicação.
Em tempo: obrigado pelo comentário e sucesso no seu projeto.