Empreendedorismo e Intermediários da Inovação

18/09/2008

por Rafael Levy

Nesta semana ocorre na Haas School of Business, na Universidade da Califórnia – Berkeley, a segunda edição do programa “Open Innovation and Corporate Entrepreneurship”, coordenado pelos professores e especialistas em inovação e empreendedorismo Henry Chesbrough, Jerry Engel e David Charron.

O objetivo do programa é apresentar e discutir com executivos como o empreendedorismo corporativo pode ser associado ao modelo de inovação aberta (Open Innovation) para viabilizar a inovação nas empresas. Coloco aqui algumas informações interessantes sobre os resultados das recentes pesquisas sobre inovação aberta realizadas em Berkeley.

Como Henry Chesbrough demonstrou em seu livro Open Innovation, um novo ecossistema para a inovação vem emergindo em diversos setores da economia, resultado de uma divisão do trabalho no processo de inovação. Nesse novo ambiente, o processo de surgimento de uma idéia até a sua introdução no mercado não ocorre mais dentro de uma mesma empresa, mas passa por diferentes agentes durante este processo.

Com essa mudança no processo de inovação, vários novos tipos de agentes vêm surgindo, como os intermediários da inovação, dos quais o caso mais conhecido é o da empresa Innocentive.

A Innocentive originou-se de um projeto da empresa Eli Lilly, que visava procurar soluções externas para problemas internos da empresa. Hoje, a Innocentive possui um portal, ou marketplace, na Internet onde empresas que buscam soluções para seus problemas (seekers) os publicam de forma anônima oferecendo prêmios pela solução. Potenciais solucionadores (solvers) podem tentar resolver o problema e se candidatar ao prêmio. Os solvers devem ceder toda a propriedade intelectual para os seekers ao se candidatar ao prêmio. Dessa forma, com essa máquina funcionando, bastaria aos seekers formularem bem seus problemas que a “sabedoria das multidões” da rede da Innocentive traria os resultados, sem que tenham que correr os riscos de investir e desenvolver a solução internamente.

Desde os primeiros problemas propostos pela Eli Lilly para a Innocentive, a metodologia parecia funcionar bem: a maioria dos problemas propostos foi resolvida com sucesso. O cliente ficou satisfeito e novos desafios foram propostos à rede da Innocentive. Entretanto, o número de problemas propostos pelos clientes não cresceu conforme seria o esperado, mesmo com os bons resultados obtidos anteriormente.

Ou seja, apesar da multiplicação do número de intermediários da inovação (que seguiram a Innocentive nesse mercado, com modelos mais ou menos diferentes), esse mercado ainda não cresceu conforme o esperado.

Para entender os motivos desse baixo crescimento a Haas School of Business fez um levantamento informal com algumas empresas e intermediários que se baseiam nesta comercialização de idéias.

Apesar de ainda inconclusivos e preliminares, os resultados parecem mostrar que foram poucas as soluções comercializadas que realmente foram implementadas e levadas até o mercado, produzindo resultados. Porém, o ponto positivo que a pesquisa parece indicar é que quando a empresa tem uma pessoa (um champion) dedicada a promover e defender a solução, a inovação tem uma chance muito maior de ser bem sucedida.

Acredito que o principal ponto de aprendizado dessa pesquisa é que a simples comercialização de idéias ou soluções não pode prover uma inovação plug-and-play para as empresas. O que a pesquisa de Berkeley mostrou é que estas soluções precisam de um agente disposto a desenvolvê-las e levá-las ao mercado. Aqui ressaltamos a importância da figura do empreendedor, esteja ele localizado dentro de uma grande empresa ou “sozinho” em uma start-up.

A meu ver, a comercialização destas idéias “avulsas”, sem personalidade, sem alguém que as abrace, não é suficiente para cruzar o vale entre a idéia/solução/tecnologia e a criação de valor para o mercado, mas apenas com a figura do empreendedor este desafio da inovação pode ser vencido.

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