Apresentação de novas idéias em Inovação Aberta: a passagem do “Não Inventado Aqui” para o “Adquirido Orgulhosamente em Outro Lugar”

18/09/2008

por Fabiana Grieco

Na última terça-feira (dia 16/09), foi possível acompanhar o seminário exibido via web “Open Innovation for the Start-up and Emerging Technology Sectors: Positioning value in fast and complex markets”. O webinar contou com a participação de Kevin Blackwell, analista pesquisador em Estratégia da Inovação e vice-presidente da Sales & Marketing, Michael J. Martin, presidente da TechTransfer Associates e Robert R. Gruetzmacher, diretor de Comercialização de Tecnologia do Centro de Pesquisa e Educação Colaborativa da DuPont. O webinar tratou as novas idéias na Economia da Inovação, com o objetivo de atrair um público oriundo da academia, do governo, investidores e profissionais das áreas de tecnologia, empreendedorismo e inovação.

Kevin Blackwell, o primeiro a se apresentar, introduziu o tema partindo de uma definição da Open Innovation (Inovação Aberta), citando Henry Chesbrough e apontando algumas empresas que já utilizam esta abordagem, tais como Procter & Gamble, Innovation Exchange, NineSigma, InnoCentive, yet2.com e IBM. Um dos aspectos mais interessantes de sua apresentação foi a avaliação de que a Inovação Aberta faz oposição à Síndrome do “Não Inventado Aqui” e que pode ser adotada de duas formas.

Intitulada “através do livro”, a primeira forma de adoção se refere às empresas que possuem redes de inovação estabelecidas e comunica de modo formal as missões de inovação para a rede, enquanto a segunda forma de adoção, chamada “pela natureza”, está mais associada às empresas que adotam o paradigma de forma tão natural que o processo parece mal-definido.

Com uma visão mais voltada à avaliação da atração e da promoção da Inovação Aberta, Michael J. Martin indicou a necessidade de atrair negócios nesse modelo por meio de uma política mais voltada para a resolução de problemas. Apontou, por exemplo, a importância da mudança da atuação de muitas universidades ao desenvolver uma série de estudos para, então, buscar sua aplicabilidade.

Para ele, o mais indicado nestes casos seria o desenvolvimento de um determinado estudo levando em consideração a resolução de um problema, que pode estar sendo um entrave para os avanços da inovação de uma determinada empresa, como um Business Case. Merece destaque o apontamento das barreiras enfrentadas pelas universidades e laboratórios na adoção da Inovação Aberta e as oportunidades trazidas pela abordagem ao poder colaborar quando as necessidades de tecnologia de uma empresa são identificadas.

Por fim, Robert R. Gruetzmacher elaborou sua apresentação partindo da visão da DuPont e a questão do gerenciamento eficaz da interface universidade-empresa. Foram apresentados muitos aspectos interessantes, entre eles vale citar a importância da transferência de tecnologia para a empresa, o que sustenta a tendência para a criação de relacionamentos externos. Tal afirmação se baseia no contexto da globalização, no deslocamento do P&D das grandes companhias para menores, nas novas fontes de tecnologia, no fato de que nenhuma empresa possui mais do que 1% da capabilidade de tecnologia do mundo, na necessidade de acelerar o ritmo de comercialização de tecnologia e na criação de novas oportunidades de negócios.

Outro tópico importante foi a análise de algumas barreiras para a Inovação Aberta ao destacar a passagem do “Não Inventado Aqui”, que já havia sido sinalizada por Kevin Blackwell, para a mentalidade do “Adquirido Orgulhosamente em Outro Lugar”. Outras barreiras, como os processos para identificar as necessidades de tecnologia, a mentalidade da posse, os termos financeiros para os royalties e para a Propriedade Intelectual (PI), o orçamento apropriado para atividades externas e a comunicação, também foram citadas.

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1 Comment Add your own

  • 1. Phil  |  18/09/2008 at 22:26

    Um assunto muito interessante e importante. Obrigado pelo link do webinar, vou tentar reservar um tempinho para assistir…

    Acho que o grande problema é passar de um modelo onde o lucro vem da própria inovação (royalties) a um modelo onde o lucro vem da exploração da inovação (e as royalties permitem ao dono da inovação, universidade ou outro, a continuar pesquisando inovações…). Porém, competir na exploração das inovações coloca as empresas num pé de igualdade, onde a agilidade importa mais do que as finanças da firma…

    Abraços,
    Phil.

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