Já vimos esse filme

08/09/2008

Por Cláudia Castelo Branco

O computador foi criado, inicialmente, para processar informações. Hoje, quando pensamos em computadores, pensamos na Internet e na troca de mensagens instantâneas. Pensamos em comunicação muito mais do que em processamento. É claro que o computador continua sendo uma máquina de processar e comunicar, mas seu avanço de estações estáticas para o universo da mobilidade nos permite pensar nas diversas soluções para captação de toda essa produção digitalizada. E eis que a solução que vinga no momento é do formato da mesma maçã que um dia fez a concorrência parecer sucata.

Sim, estou falando do Iphone, a plataforma móvel do futuro, o sonho de consumo da década que também faz qualquer celular parecer lixo. Bom, já vimos esse filme antes e cabe lembrar que quando o Macintosh surgiu, nada se comparava a ele – pode ser que até hoje não exista computador melhor que os da maçã, mas provavelmente você não tem um em casa. Daí surgiu um software capaz de transformar qualquer micro em uma máquina eficiente. Era o Windows. Hoje acontece algo semelhante. Até 2009 um software para celular poderá funcionar tão bem quanto o Iphone: o Google Phone, que também poderia se chamar Windows do Google, mas foi batizado como Android.

Não é à toa que o gigante da web mira nos celulares: em 2007 foram vendidos 200 milhões de pcs e 700 milhões de telefones móveis no mundo. Já não restam dúvidas de que os celulares irão virar a principal porta de acesso à rede e quem controlá-los terá o poder. A primeira estratégia do Google – imitando o modelo de negócios que alavancou o Facebook – foi abrir sua plataforma para desenvolvedores de software para celular. A Apple, que não permitia o mesmo, recentemente copiou o Google, que por sua vez copiou o Facebook, ao liberar os códigos do Iphone 3G para desenvolvedores externos. Com algumas restrições, é claro. Fim de caso, então? Claro que não. Hoje as novidades de grande aceitação são baseadas na liberdade de criação e veiculação de idéias. Os investidores estão apenas começando a compreender isso.

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