Open Innovation é tema de debate no KM Brasil 2008

29/08/2008

por Fabiana Grieco

Devido à identificação do interesse pela Open Innovation, que vem sendo debatida em ambientes distintos, tal como nas empresas e na academia, o Congresso Anual da Sociedade Brasileira de Gestão do Conhecimento – KM Brasil 2008 abriu espaço para uma mesa sobre o tema. A 70 edição do KM Brasil, considerado o maior evento da América Latina sobre Knowledge Management, foi realizado de 27 a 29 de agosto em São Paulo e abriu espaço para o debate sobre a inovação aberta.

“Conhecer e debater a Inovação Aberta são fundamentais para enriquecer o evento, já que esta edição destaca a colaboração como peça-chave para transformar teorias e sonhos em um trabalho eficiente”, afirmou o presidente do congresso prof. Heitor José Pereira. A mesa Open Innovation superou as expectativas, ao levar um público de mais de 100 pessoas a lotar a sala reservada para a ocasião. Sob a coordenação do Bruno Rondani (Allagi), os convidados Gilson Manfio (Natura), Thomas Canova (Rhodia) e Naldo Dantas (Votorantim) apresentaram seus trabalhos e responderam as perguntas do público.

Gilson Manfio, gerente de parcerias e inovação tecnológica da Natura, afirmou que a Natura adotou, efetivamente, uma mudança radical em sua postura ao passar de uma empresa que trabalhava basicamente com os projetos de pesquisa sendo gerados dentro do ambiente de tecnologia (interno) para uma modalidade bastante aberta (externa) na sua busca de inovação. Um aspecto interessante foi a apresentação dos desafios na abordagem da Open Innovation pela empresa, tais como o processo de gestão com foco em resultados, os casos e processos de medição, a dificuldade burocrática e o alinhamento das expectativas entre as instituições que participam das ações.

Já Thomas Canova, gerente de pesquisa da Rhodia Poliamida Fibras, deu início à apresentação dizendo que acredita que a questão da gestão do conhecimento e da inovação aberta é a única forma de gerar valor de forma sustentável no longo prazo. “Hoje a inovação é fator fundamental de competitividade e a inovação aberta se mostra como um dos únicos mecanismos que vai nos permitir explorar uma série de conhecimentos e interfaces dentro desses conhecimentos”, disse ele. Um dos pontos importantes da apresentação foi a avaliação de que a geração de uma inovação antes provinha de uma determinada área do conhecimento (biologia, física, química, etc), enquanto que atualmente, a inovação é gerada a partir de novas ciências que surgem a interface das ciências clássicas. Exatamente pela impossibilidade de uma empresa controlar todas as novas fronteiras que se abrem pelo avanço da ciência, é que a inovação aberta se faz necessária.

Na última apresentação, Naldo Dantas, gerente de Inovação e Gestão do Conhecimento da Votorantim Celulose e Papel, avaliou o uso da uma inovação chamada de “Open Innovation Light”. Segundo ele, “Light porque a Votorantim, historicamente, é uma organização que nasceu da estrutura de commodity, tem como filosofia o uso intensivo de capital e, como tal, está constantemente se revisitando. Quer dizer, é uma empresa que está se reinventando, mas essencialmente continua a ser uma empresa de commodity”.

Embora os convidados tenham apresentado diferentes usos e aplicações da inovação aberta, conforme a linha de atuação de cada empresa representada, todos atentaram ao fato de que a Open Innovation não pode ser vista apenas como um modelo de inovação. A Open Innovation foi avaliada como uma nova forma de pensar, um novo paradigma de inovação por meio da qual a empresa define sua crença. De acordo com a definição apresentada por Dantas, “se a organização acredita que os processos de inovação geram maior valor e mais idéias quando são abertos às organizações externas, a empresa, ainda que não tenha estabelecido um modelo, já está imbuída do espírito da Open Innovation”.

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