Grandes idéias, grandes desastres

15/08/2008

por Claudia Castelo Branco

A PC World divulgou recentemente a lista com os 15 maiores desastres tecnológicos dos últimos tempos. Considerando que a grande maioria das tecnologias não vê a luz do dia, faço aqui um convite à reflexão: qual a melhor maneira de conduzir a inovação?
Uma inovação que parece sensacional pode resultar em nada mais do que um virtuosismo técnico; e inovações com modestas pretensões intelectuais, como o Mc Donald´s, por exemplo, podem resultar em negócios gigantescos, altamente lucrativos.
Como mostram os exemplos abaixo, a inovação não é, necessariamente, algo técnico. Sua abrangência é também econômica e social.É preciso entender isso.Vamos à lista:

15. Ovation
Os anos 80 foram uma época interessante para o desenvolvimento de aplicativos de escritório para MS-DOS. WordStar, WordPerfect, Microsoft Word e Lotus 1-2-3 são bons exemplos. Três anos depois do lançamento do IBM-PC, eles já eram obrigatórios.Eis que, em 1983, uma estreante chamada Ovation Technologies anunciou a criação de um pacote integrado que prometia tudo: edição de texto, planilha, banco de dados e comunicação de dados. Aparentemente, o único resultado duradouro da Ovation foi ter inspirado a criação do termo “vaporware”.

14. Duke Nukem Forever
Há pouco mais de 11 anos, a 3D Realms fazia seu primeiro anúncio oficial sobre o game, que deveria ter chegado às lojas em 1998.A previsão veio antes que a empresa decidisse trocar o software básico do jogo – algo que se repetiria ao longo do tempo, obrigando a empresa muitas vezes a reprogramar tudo do zero.
Nesses dez anos, o desenvolvedor liberou alguns trailers (o último foi em dezembro), telas capturadas e demos. Embora a 3D Realms tenha se recusado a divulgar datas precisas de lançamento, seu presidente, Scott Miller, confirmou a um jornal americano que o game sairá ainda em 2008.

13. Amiga Walker PC
Nenhuma lista de invenções hi-tech que quase chegaram lá estaria completa sem algum item da linha Commodore Amiga – fruto de uma empresa onde máquinas notáveis eram freqüentemente sabotadas por estratégias de marketing questionáveis, circunstâncias ruins, ou uma mistura dos dois.Depois que a americana Commodore foi à falência em 1994, a tecnologia e a marca Amiga foram arrematadas pela alemã Escom Technologies. No começo de 1996, a tal companhia manifestou a intenção de vender uma versão atualizada do micro Amiga 1200 na forma de um inusitado gabinete azul púrpura que se equilibrava sobre quatro pezinhos finos – daí o nome Walker.
Idéia genial ou loucura? Nem a Escom parecia saber ao certo, já que ela também pretendia vender a placa-mãe em separado, para que as pessoas pudessem montá-la em um gabinete comum de PC. A reação dos fãs foi controversa; alguns diziam que o gabinete lembrava um besouro.Nunca saberemos se o Walker teria, enfim, conquistado os fãs do Amiga. Só um punhado de protótipos foram construídos antes que a Escom fosse à falência em 1997.

12. Sega VR
Antes que a febre das empresas pontocom tomasse o mundo, o tema mais quente nas rodinhas de tecnologia era a realidade virtual. Ao mesmo tempo em que víamos filmes como O Passageiro do Futuro e cafés VR despontavam nas cidades mais modernas, uma batalha estava em curso entre dois gigantes da indústria de videogames, com a intenção de levar as maravilhas da realidade virtual às casas das pessoas.
A Sega decidiu criar o Sega VR como um acessório de realidade virtual para o popular console Genesis. Seus óculos com fone deixavam o jogador parecido com o carro do seriado Supermáquina; no entanto, era um dos mais belos acessórios de VR daqueles dias. E, na opinião geral, o design era o que o produto tinha de melhor.
Apesar das especificações ambiciosas, como o display colorido com resolução de 320 x 200 pixels, as poucas pessoas que experimentaram o sistema e que não eram da Sega – a maioria em eventos públicos – não chegaram a ficar impressionadas.

Confira os demais desastres aqui

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