Plataformas abertas para a inovação

24/07/2008

por Cláudia Castelo Branco

Com valor de Mercado estimado em US$ 15 bilhões, o Facebook, rede social criada por três alunos da Harvard University, vive um fenômeno completamente diferente na Internet. Nunca uma rede social integrou tanta gente: 64 milhões em todo o mundo. E nunca uma rede social foi tão aberta desde maio de 2007 – ano em que o Facebook abriu a plataforma de software para aplicativos de desenvolvedores externos.

De início, 80 mil desenvolvedores adicionaram novos aplicativos, como agendas e estantes de livros. Conferências para desenvolvedores tiveram as vagas esgotadas, fundos de investimentos foram formados para buscar idéias promissoras com base na plataforma do Facebook e mais uma dúzia de redes de anúncios surgiram para transformar os aplicativos em dinheiro. A Stanford University chegou a criar um curso de aplicativos para o Facebook.

A política de aplicativos livres é, nada mais, nada menos do que um banco de talentos e idéias. Certo! Mas como o Facebook chegou a valer tanto no Mercado criando oportunidades para desenvolvedores? Primeiro, com a criação de um fundo de investimentos em aplicativos desenvolvidos para o site, que acabou gerando uma divisão de venture capital com acesso privilegiado aos desenvolvedores. A Microsoft, que já tinha acordos comerciais com o Facebook, adquiriu uma participação de 1,6% em seu capital, vencendo o outro proponente, o Google, e desembolsando US$ 240 milhões. Vários fundos de venture capital norte-americano mostraram querer uma parte desse negócio.

Plataformas colaborativas e comunidades on-line se constituem hoje em um dos mais fascinantes terrenos para a inovação – tanto em termos de produtos como na comunicação com o consumidor. Isso não significa, porém, que sejam terrenos livres de pântanos. O Google, que não dorme no ponto, também resolveu abrir espaço para programadores através do OpenSocial, “padrões para que qualquer desenvolvedor web possa criar aplicativos para comunidades”. O Orkut já foi integrado ao OpenSocial, mas perde público no Brasil – único país do mundo a viver a febre (o número de usuários do orkut caiu 34% na América Latina, segundo pesquisa divulgada pelo IDGNow ).

É de se esperar, portanto, que a estratégia no Brasil não funcione como o esperado. Primeiro por uma questão cultural, segundo pelos objetivos que a comunidade de cada rede social pretende alcançar.

Acompanhe aqui os mais recentes avanços realizados na plataforma Facebook durante sua conferência anual f8, realizada hoje, para desenvolvedores.

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