Produção científica e patentes concedidas
22/07/2008
por Cláudio Mazzola
A Capes divulgou recentemente o ranking internacional de artigos científicos de 2007. O Brasil ocupa o 15º lugar no ranking. Na comparação entre os triênios de 2002-2004 e 2005-2007, a produção científica brasileira cresceu 33%. Na China, no entanto, o crescimento do número de papers foi de 73%, e o país é agora o segundo colocado no ranking, atrás apenas dos Estados Unidos.
No último triênio, de 2005 a 2007, o país asiático obteve o registro de 2.775 patentes no escritório americano, enquanto o Brasil registrou apenas 288 patentes. O aumento da China foi de 53%. O Brasil, por sua vez, apresentou uma queda de 13% no número de patentes concedidas. Particularmente sou contra os mais varidos tipos de comparações que fazem do Brasil com China, Índia ou Rússia, mas entendo e apoio todo esforço internacional em fortalecer a PI nos países em desenvolvimento.
Ver a China, um país que nunca deu importância para a PI de repente ser um monstro no patenteamento é no mínimo curioso. Se não me engano, boa parte dessas patentes vem de empresas cujas sedes estão na província rebelde de Taiwan (ex-Formosa), Hong Kong (antiga colônia inglesa) e EUA . Ainda, o foco da proteção é principalmente na indústria eletrônica – e não poderia ser diferente.
Segundo o diretor da Sociedade Brasileira Pró-Inovação Tecnológica (Protec), Roberto Nicolsky, a diferença reside no fato de o investimento na China ser na tecnologia, e com base no desenvolvimento tecnológico, a ciência é impulsionada: é o chamado technology push. No Brasil, ao contrário, tradicionalmente tem-se investido em ciência esperando que a partir daí haja desenvolvimento tecnológico. Para Nicolsky, há que se mudar esse paradigma para que o País aumente sua competitividade no cenário internacional.
Logo, considerando que o filet mignon da PI está concentrado nas áreas farmacêutica, agrícola e química, entendo que o Brasil possui muito mais potencial de crescimento e vantagem competitiva do que seu companheiro asiático.Visto que em tais áreas o patenteamento e a publicação de papers estão fortemente atrelados, não há paradigma, visto que não há outro jeito: é necessário pesquisar primeiro para depois patentear. O problema é que se publica, mas não se patenteia. Além do mais, é preocupante ver que quem mais patenteia e transfere tecnologia no país seja uma instituição de ensino pública (Unicamp). O Sr. Nicolsky tem razão. Parte de nosso modelo de desenvolvimento não deveria ser assim.
Entry Filed under: Aspectos regulatórios, Políticas de C,T&I. Tags: patentes.
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1.
Fabiana Grieco | 30/07/2008 at 20:40
Interessante a relação entre as publicações e as patentes no Brasil. Esse tema foi debatido na 60ª reunião anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). Vale dar uma olhada na notícia escrita pela jornalista Sabine Righetti: http://www.ensinosuperior.sp.gov.br/sis/lenoticia