Inovação: arte ou tecnologia?
21/07/2008
Por Ronaldo Mota
Participei da 60º Reunião Anual da SBPC e de modo especial do núcleo Conhecimento, Desenvolvimento e Inovação Tecnológica. Posso afirmar que as palestras – em sua grande maioria – foram uma listagem de “tiradas” empresariais que, vistas como inovações pelos expositores, foram responsáveis pela expansão e sucesso dessas empresas num cenário tão competitivo como o atual.
Ouvir homens como José Antonio Fernandes Martins, presidente da Marcopolo, listando e analisando diversos casos de sucesso dos mais variados tipos de empresas, foi interessante e instrutivo. A impressão que se tinha ao sair das palestras, entretanto, era a seguinte: está bem, mas o que eu devo fazer no caso particular de minha empresa? É possível ter uma metodologia, isto é, uma tecnologia da inovação? Ou sou absolutamente dependente do dom artístico do meu pessoal que, mais hora menos hora, terá insights que colocarão minha empresa em destaque no mercado?Eis aí uma questão crucial: a inovação é uma arte ou uma ciência? Peter Drucker, analisando o problema da inovação, declarou que:
“Para os gerentes, a dinâmica do conhecimento impõe um imperativo claro: toda organização precisa construir a administração da mudança em sua própria estrutura. Por um lado, isto significa que toda organização precisa se preparar para abandonar tudo o que faz. (…) Por outro lado, toda organização deve se dedicar a criar o novo. ” (O Melhor de Peter Drucker).
Ora, é interessante notar que todos os palestrantes mostravam-se convictos de que a inovação é absolutamente necessária para a sustentabilidade dos negócios atualmente. Todavia, eles não passavam da simples percepção desse fato. Peter Drucker, ao contrário, vai mais além ao observar que “finalmente, toda organização terá de aprender a inovar – e a inovação agora pode – e deve – ser organizada como um processo sistemático.”
Tendo em vista tudo isso, podemos indicar uma solução para a questão proposta acima. Aquelas empresas que encararem a inovação como fruto de um dom individual estarão nas mãos do acaso. Se encontrarem um gênio dos negócios ficarão bem. Mas se não encontrarem…o que me leva a crer que aquelas empresas que desenvolverem uma tecnologia da inovação – ainda que não façam de seus negócios uma obra de arte – terão em suas mãos a ferramenta necessária para obter vantagens no futuro.
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